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Universidade Católica co-organiza primeira Conferência Sino-Lusófona sobre Biotecnologia Azul Sustentável e a Bioeconomia Agroalimentar

Investigadores, académicos e profissionais da indústria de Portugal, de Macau e da China estiveram na Universidade de São José, em Macau, a debater os contributos da biotecnologia para os sistemas marinhos e agro-alimentares, para a promoção da saúde, da biodiversidade, da conservação ambiental e do desenvolvimento económico.

No primeiro dia, Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, começou por apresentar o potencial do Centro de investigação na biotecnologia azul, falando sobre os diferentes desenvolvimentos no centro. Após esta apresentação, foram analisadas oportunidades na área da Bioeconomia Azul, desde a investigação até ao mercado. Miguel Pombo (Azores Life Science/Ignae) apresentou as potencialidades de mercado de novos bioprodutos a partir de recursos marinhos dos Açores, enquanto Pedro Lima (Sea4Us) abordou moléculas inspiradas no mar com aplicações na saúde, nomeadamente nas doenças neurológicas. James Chang (Geb Impact Technology) destacou o papel das microalgas na produção sustentável de proteínas.

Ao longo da tarde, o programa incluiu comunicações de Yu Rencheng (Academia Chinesa de Ciências), sobre monitorização de algas invasoras e os seus problemas e oportunidades, e Wen-Jun Li (Universidade Sun Yat-Sen), sobre o uso de recursos microbianos marinhos. Wei Yu (Xiaozao Tech) apresentou a microalga Nannochloropsis como nova plataforma biotecnológica, seguida por Helena Abreu (International Seaweed Association), que deu a conhecer a inovação com algas em Portugal, e Jorge Dias (SPAROS), que discutiu a otimização nutricional na aquacultura. Shi Yanxi (Zhuhai Biori) e Danxiang Han (Demeter Biotech) abordaram o desenvolvimento de materiais biotecnológicos inovadores.

No final do dia, Pedro Rodrigues (Universidade Católica Portuguesa) apresentou sistemas de apoio à decisão baseados em inteligência artificial, e Wang Yong (Tsinghua Shenzhen) falou sobre amostragem em ambientes marinhos profundos. Seguiram-se Simon Lee (Hong Kong Polytechnic University), que explorou peptídeos de cnidários com potencial terapêutico, e Pedro Pousão (IPMA/EPPO), que encerrou com os desafios da aquacultura e bioprospeção marinha.

O segundo dia da conferência incluiu intervenções de Angela Kam (Macau International Carbon Emission Exchange), Chan Yi Ngok (Instituto Pudong-Hong Kong), que falou sobre transferência de tecnologias sustentáveis, Benedita Chaves (LIPOR), que apresentou uma estratégia de inovação para valorização de resíduos urbanos, e André Antunes (Universidade de São José), que abordou aplicações biotecnológicas de biominerais.

A manhã prosseguiu com mais contributos portugueses e lusófonos. Manuela Pintado (Universidade Católica Portuguesa) voltou a intervir, desta vez destacando estratégias para a valorização de desperdícios agroalimentares. Luís Rochartre Álvares (Planetiers New Generation) refletiu sobre a transição da sustentabilidade para a regeneração, enquanto Deepa Alex Mora (BioMyne) apresentou o exemplo da cooperação transfronteiriça Macau-Hengqin na biotecnologia. Débora Campos (AgroGrIN Tech) detalhou os avanços do projeto Pep4Fish, como promotor de scale up da sua tecnologia na produção de novos ingredientes a partir de subprodutos do ananás, e Isabel Braga da Cruz (Universidade Católica Portuguesa) encerrou a manhã com uma apresentação sobre a estratégia de sustentabilidade da instituição e o seu impacto social e económico.

A realização desta primeira conferência é um passo fundamental para reforçar as pontes entre a Universidade Católica Portuguesa, Macau e a China na área da biotecnologia azul,” referiu Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa. “Este é um setor com enorme potencial para responder a desafios globais como a valorização de novos recursos, a mitigação do impacto das alterações climáticas e a promoção da sustentabilidade ambiental. A cooperação internacional é essencial para acelerar soluções inovadoras e eficazes e criar mais valor,” realçou Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina.

O evento contou com o apoio do Governo da Região Administrativa Especial de Macau – através da Direção dos Serviços de Desenvolvimento Económico e Tecnológico –, do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências. Na abertura oficial do evento estiveram presentes Margarida Mano, vice-reitora da Universidade Católica Portuguesa, e Álvaro Barbosa, vice-reitor da Universidade de São José, em Macau.

A conferência reforçou o papel de Macau como plataforma de ligação entre a China e os países lusófonos e sublinhou a importância da biotecnologia azul e os sistemas agroalimentares na construção de um futuro mais sustentável.

A primeira Conferência Sino-Lusófona sobre Biotecnologia Azul Sustentável realizou-se nos dias 24 e 25 de abril, na Universidade de São José, no campus da Ilha Verde, e contou com a presença de várias entidades nacionais e internacionais ligadas à ciência, inovação e sustentabilidade. Este evento decorreu no âmbito da criação, em 2023, do primeiro Laboratório Conjunto Sino-Português de Ciências Marinhas e Ambientais que resultou de um acordo de cooperação China-Portugal nas áreas das ciências marinhas e ambientais entre o Institute of Science and Environment of the University of Saint Joseph (ISE-USJ), o Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa (CBQF-UCP), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Institute of Oceanology, Chinese Academy of Sciences (IOCAS). Um projeto financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China (MOST).

08-05-2025