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A consciência da própria mortalidade constitui o lugar da suprema interrogação sobre o sentido do Humano. Luís Archer, o Jesuíta que marcou o mundo da ciência na segunda metade do séc. XX em Portugal como pioneiro da genética e da bioética, num texto publicado em 1986* lança um alerta: a grande confrontação que vai eclodir no despontar do novo milénio entre o Humano como o conhecemos e o paradigma então emergente das tecnociências – o tecnocosmos. A pós-mortalidade prática em que vivemos, embora agora abalada pela traumática experiência da pandemia, é uma das expressões deste novo paradigma.
O processo cultural trans-humanista em curso e a era pós-humana do mundo que se auto-promete, alcançável pelas possibilidades abertas pelas nanotecnologias, biotecnologias, tecnologias da informação e neurociências constituirão a derrota do Humano, no confronto predito pelo jesuíta-cientista? E a morte? Subsistirá como esperança de redenção ou o anseio de imortalidade transmutar-se-á na possibilidade de viver sem morrer? E numa Universidade Católica, chamados a fazer a articulação entre cristianismo e cultura, que papel nos cabe no desígnio, formulado por Luís Archer SJ, de participar na elaboração da transcendência salvadora de um novo humanismo?
A Aula Aberta realiza-se no âmbito da unidade curricular Cristianismo e Cultura, do Programa de Dupla Licenciatura em Direito e em Gestão, com o Professor P.e José Nuno Ferreira da Silva (coordenador da UC).
*Na intervenção “O homem perante o tecnocosmos emergente da biologia”, proferida no “Congresso Internacional Estruturas emergentes para uma nova revolução nas ciências”, e, organizado em Lisboa pelo Centro Internacional de Epistemologia e Reflexão Interdisciplinar do Instituto Piaget, publicada na revista Brotéria em janeiro de 1986.
