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Embaixada dos Estados Unidos debate desafios climáticos comuns enfrentados pela indústria da viticultura na Universidade Católica

A Universidade Católica Portuguesa no Porto acolheu o Simpósio Internacional de Viticultura e Clima, organizado pela Embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Lisboa, em parceria com representantes da rede de Centros de Clima do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No centro do debate estiveram os desafios climáticos comuns enfrentados pela indústria da viticultura, particularmente em climas mediterrânicos. O simpósio reuniu mais de 70 investigadores, produtores, representantes do governo e associações de Portugal, França, Espanha e Estados Unidos.

António Graça, diretor de I&D da Sogrape, foi o palestrante que deu mote ao evento com uma apresentação sobre o tema “Os impactos económicos e ambientais das alterações climáticas na produção mundial de uvas para vinho”. “Perspetivas dos Viticultores e da Indústria”, “Perspetivas da Investigação e do Meio Académico” e “Perspetivas das Associações e Redes de Apoio” foram os temas dos painéis de debate que decorreram ao longo do evento.

A realização deste evento na Universidade Católica Portuguesa está em linha com o contributo para o desenvolvimento e a partilha de conhecimento nesta área da Viticultura e do Clima tão relevante e onde a nossa comunidade académica tem desenvolvido um trabalho significativo, nomeadamente através do Centro de Biotecnologia e Química Fina e da Escola Superior de Biotecnologia,” referiu Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa. A pró-reitora reforçou, também, o “profundo compromisso da Universidade Católica com os tópicos da sustentabilidade.

A Embaixadora dos EUA em Portugal, Randi Charno Levine, salientou “Desde o meu país de acolhimento em Portugal até aos nossos vizinhos na Europa, e ao meu próprio estado natal de Nova Iorque, a produção de vinho representa uma interseção única de agricultura, ciência e cultura, e queremos que se mantenha produtiva por muitos anos. Estou orgulhosa por fazer parte de um esforço internacional que está a trabalhar para manter a viabilidade a longo prazo de um setor que é importante para tantas pessoas e felicito Portugal por acolher um evento tão importante." A embaixadora, na sessão de abertura do evento, destacou “o compromisso comum no combate aos impactos das alterações climáticas.” “Cada um de nós já viu o impacto devastador da crise climática nos seus próprios países,” refletiu.

José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Pescas, destacou o compromisso com o Green Deal, o o objetivo de, até 2050, se atingir a neutralidade carbónica e importância do vinho em Portugal – “é vital na cultura portuguesa. O vinho reflete as especificidades do nosso território.” “A agricultura não é inimiga do ambiente,” referiu. Sobre a Universidade Católica Portuguesa, o ministro relevou o seu importante papel na investigação para a sustentabilidade.

 

Pela colaboração internacional

O evento teve como grande objetivo aprender, com um grupo diversificado de especialistas do setor, sobre o que tem funcionado bem em condições cada vez mais secas e quentes, e em condições mais severas como secas e incêndios florestais. Os especialistas presentes identificaram lacunas no conhecimento onde a colaboração internacional e a partilha de informações podem produzir melhores e mais rápidos resultados para os produtores.

De acordo com a diretora do Centro Internacional de Clima do USDA, Barbara Bennett, a ideia para o simpósio surgiu de discussões com o seu homólogo no Centro de Clima da Califórnia, Steven Ostoja. Segundo Bennett, “estávamos a discutir a investigação que o seu centro tem feito sobre os impactos das mudanças nas condições meteorológicas e climáticas na indústria vitivinícola da Califórnia. Sabíamos que um maior diálogo com homólogos internacionais que enfrentam condições semelhantes daria aos nossos produtores ainda mais ferramentas para gerir esses riscos.” Steven Ostoja acrescentou, “só no meu Estado [nos EUA], a viticultura contribui com mais de 400.000 empregos e adiciona 70 mil milhões de dólares à economia do nosso estado. Ter mais interação com os meus colegas investigadores e uma rede internacional integrada para resolver problemas ajudar-me-á a melhor apoiar esta indústria na minha zona.

O simpósio, que decorreu a 3 de dezembro no Auditório Corticeira Amorim, no Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, integrou um programa de dois dias, onde especialistas convidados realizaram uma série de apresentações em painéis, grupos de discussão e visitas a produtores locais.

05-12-2024