“Na universidade, a esperança fundamenta um impulso académico ativista que assenta na confiança de que as coisas podem mesmo mudar”, afirmou a Reitora da UCP. “Nas salas de aula, nos laboratórios e nas bibliotecas, mais do que ideias: cultivamos esperança. A esperança de um futuro mais justo, sustentável e inclusivo.” Foi assim que Isabel Capeloa Gil iniciou a reflexão sobre o lema da cerimónia, inspirado no Jubileu de 2025.
Para D. Rui Valério, Magno Chanceler da UCP, “assinalar a identidade e a missão da Universidade Católica Portuguesa no prisma deste tema permite-nos compreender mais profundamente o que significa ser universidade católica”.
O Patriarca de Lisboa descreveu o papel da universidade como “uma maiêutica fundamental para a sociedade”, através da qual o saber partilhado “é património construtor de uma nova civilização”.
“O saber abre-se sempre à esperança, porque o saber abre portas de vida, de comunhão, de fraternidade”, defendeu.
Homenagem a duas personalidades incontornáveis da vida empresarial portuguesa
Nesta sessão solene, os empresários Ilídio Pinho e Vasco de Mello, foram agraciados com o grau de Doutor Honoris Causa, a maior distinção dada por uma universidade, pelos seus contributos à sociedade.
Ilídio Pinho, figura proeminente no panorama empresarial e filantrópico português “é uma figura que transcende o sucesso empresarial. É um exemplo de como a liderança, quando aliada a valores humanistas, pode transformar vidas e comunidades”, referiu João Pinto, diretor da Católica Porto Business School, e padrinho do homenageado.
O empresário, que já tinha sido agraciado com a Medalha de Ouro da universidade em 2002, destacou a sua ligação duradoura à Católica: “apesar de não ter estudado aqui, sinto que a Universidade Católica faz parte da minha biografia e da minha família”.
Sobre o seu percurso profissional, garantiu: “Vou continuar a trabalhar, já disse que não me reformo, nem mesmo depois de morrer, porque o que faço tem de perdurar para além de mim próprio, as empresas, a fundação, a coleção de arte, e tudo o mais”.
Também homenageado nesta sessão, Vasco de Mello foi caracterizado pelo seu padrinho de doutoramento, o Vice-Reitor Miguel Athayde Marques, como “larger than life”.
“O nosso homenageado transporta em si toda a história de uma família insigne, que através de gerações tem dado a Portugal grandes empresários e notáveis cidadãos”, declarou.
O homenageado aceitou a distinção “com profunda honra e sentido de responsabilidade”, destacando no seu discurso vários aspetos importantes da sua carreira e vida familiar.
“O gosto pelo risco e a criação de negócios com propósito foram duas ideias que nos marcaram muito e que procurei transmitir aos meus filhos”, referiu. “No grupo José De Mello procuramos constantemente cultivar uma visão empresarial que coloca as pessoas no centro, promovendo o desenvolvimento sustentável, a criação de valor para a sociedade e o respeito pelos mais elevados padrões éticos”.
Também presente nesta cerimónia, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, enfatizou a importância das instituições de ensino superior na transformação do futuro do País. Destacou a história da Universidade Católica Portuguesa e a “inovação que trouxe ao nosso sistema de educação superior”, através do seu projeto único.
A cerimónia contou ainda com a imposição das insígnias e entrega das cartas doutorais aos novos doutores da Universidade Católica. Nesta ocasião, Helena Carmo fez história ao tornar-se a primeira pessoa surda a obter um doutoramento na Universidade Católica Portuguesa.
Foram ainda entregues as medalhas de prata e ouro aos colaboradores da Católica que completaram 25 e 40 anos de serviço.
Na impossibilidade de estar presente na sessão, o Cardeal D. José Tolentino Mendonça deixou uma mensagem em vídeo, onde refletiu sobre a esperança.
“A necessidade e o desejo da esperança são sinónimo da própria vida, são como ar que respiramos ou o bater do coração, não é um problema que uma universidade possa ignorar ou não colocar no centro vivo da sua reflexão, da sua pesquisa e do seu empenho. Pelo contrário, a vocação de uma universidade é tornar-se um laboratório da esperança”.
