“Autonomia Europeia num mundo em mudança” foi o tema da conferência organizada pela Universidade Católica Portuguesa, no Porto, com o Presidente do Conselho Europeu, António Costa. Na sua intervenção, António Costa enunciou os pilares que devem orientar a autonomia estratégica europeia, dos princípios do direito internacional ao investimento na defesa e na competitividade, e deixou uma nota de confiança: "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises."
Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, deu início à conferência situando o debate no âmbito da missão universitária. “O tema convoca-nos a todos enquanto sociedade e europeus”, afirmou. Isabel Capeloa Gil recordou que “a Europa cresceu, em grande medida, da consciência das suas fragilidades, mas também da coragem de pensar o futuro comum” e que a questão da autonomia “assume hoje uma importância renovada.” “Preservar e renovar esse projeto”, sublinhou, “exige visão estratégica e reflexão crítica, e é aqui que as universidades têm um papel fundamental.”
A ordem internacional e os cenários possíveis
Na sua intervenção, António Costa partiu de um diagnóstico sobre a ordem internacional: as regras que emergiram do fim da Segunda Guerra Mundial estão hoje a ser desafiadas por alguns dos principais agentes internacionais, incluindo países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. “A ausência de regras significa o caos”, afirmou.
Perante esta realidade, identificou três cenários possíveis: o prolongamento da situação de caos; o regresso a um mundo de grandes esferas de influência; ou o desenvolvimento de uma parceria de multipolaridade. Foi sobre este último que centrou a sua reflexão, partilhando “cinco Ps” que orientam a acção da União Europeia: “princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder.” Sobre a paz, António Costa destacou que esta está no “ADN” da UE: “A União Europeia é um projecto de paz”.
Defesa, competitividade e autonomia estratégica
Para António Costa, a autonomia estratégica da Europa passa por perceber que a sua vantagem fundamental é gastar melhor, não apenas mais. "Não precisamos de ter 27 grandes forças armadas, o que precisamos é de um sistema sólido que assegure a defesa coletiva." “Cada país tem as suas próprias prioridades, mas há aquelas que são partilhadas pelos 27”, partilhou.
O próximo ciclo de fundos comunitários deverá ter como foco “o investimento no sistema de inovação, a translação para o mercado e o apoio às empresas no investimento em tecnologia e na reindustrialização”. “Só desenvolvendo estes dois pilares - defesa e competitividade – é que se criam os alicerces do poder europeu.”
O Presidente do Conselho Europeu concluiu com uma nota de confiança: “a Europa é o espaço de democracia mais sólido à escala global”, “o principal agente comercial internacional” e “desenvolveu o melhor modelo social do mundo”. "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises", disse, acrescentando que a melhor forma de evitar crises futuras é a prevenção e que a Europa tem a persistência necessária para o fazer.
Estudantes da Católica em diálogo com o Presidente do Conselho Europeu
A conferência contou com um momento de perguntas de estudantes e docentes das várias faculdades da Universidade Católica, que participaram ativamente no debate.
José Azeredo Lopes, professor da Faculdade de Direito – Escola do Porto, encerrou o evento, sublinhando a qualidade das questões colocadas pelos estudantes e agradecendo a presença do Presidente do Conselho Europeu. Na sua intervenção final, destacou que a conferência revelou uma União Europeia "bastante mais complexa e rica do que aquilo que alguns podem supor", deixando uma nota de confiança no futuro do projeto europeu.
A conferência decorreu a 28 de Abril, no Auditório Carvalho Guerra, e reuniu a comunidade académica e o público em geral para um momento de reflexão crítica e diálogo informado sobre o papel da Europa no mundo.











