No dia em que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa assinala o seu Dia Nacional, a comunidade académica reuniu-se para celebrar aquilo que a distingue e une: a sua identidade que, nas palavras do seu diretor, Luís M. Figueiredo Rodrigues, "respira através de vários pulmões". A única faculdade de Teologia do país, com presença em Lisboa, Porto e Braga, e cada vez mais no Ensino a Distância graduado, afirmou, uma vez mais, o seu compromisso com a excelência académica, com o diálogo interdisciplinar e com a formação de pessoas capazes de pensar a fé com rigor e de a viver com profundidade.
Num ano em que a Faculdade completa 59 anos de existência, o evento, que decorreu a 30 de abril, em Lisboa, foi um convite à reflexão sobre o que significa estudar, investigar e viver a Teologia no mundo contemporâneo e reuniu estudantes, docentes e colaboradores num ambiente animado e fraterno, onde a alegria e o sentido de pertença se fizeram sentir ao longo de todo o dia.
“Não nos é pedido para escolher entre o rigor intelectual e o estar enamorado por Deus.”
Na sessão de abertura, realizada no Auditório Cardeal Medeiros, o diretor da Faculdade recordou que a Sagrada Escritura deve ser "a alma da Teologia" e que estudar Teologia não é acumular saberes, mas entrar num "encontro vivo com Alguém". Nessa linha, sublinhou que a Teologia não pode ser praticada em modo isolado: "A Teologia não se faz de modo isolado, não é um depósito de saberes." A Faculdade é, acima de tudo, uma comunidade e isso implica cultivar relações fraternas. "Não permitam que o colega que veem ao vosso lado seja um estranho", desafiou o diretor.
"Não nos é pedido para escolher entre o rigor intelectual e o estar enamorado por Deus. Pedem-nos os dois.”, afirmou Luís M. Figueiredo Rodrigues. “Uma Teologia que não viva na relação falha na sua essência”, recordou, aludindo ao mistério trinitário como paradigma de toda a existência: "Deus revelou-se como Trindade, ou seja, em relação pura."
O diálogo entre o Direito e a Teologia
"O Direito não é uma ciência, é uma arte.”, começou por dizer Eduardo Vera-Cruz Pinto, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na conferência "A Influência do Direito Romano no Ocidente". Desta premissa decorreu uma reflexão sobre a relação entre Direito, justiça e paz, que, segundo o conferencista, "têm de estar sempre presentes". “A paz só se consegue pela justiça”, afirmou.
Citando Ratzinger, recordou que "a razão ilumina tanto o Direito como a Teologia", defendendo que é precisamente esse fundo comum que torna possível e necessário o diálogo entre as duas áreas de conhecimento.
Eduardo Vera-Cruz Pinto recordou a necessidade de um “chão comum”. A saída passa “por recuperar a ideia de que o Direito é uma arte e não uma técnica”. Passa também por repensar o direito natural à luz dos desafios contemporâneos. "Falta um Direito natural que parta da universalidade do Direito", afirmou. "Quando se dialoga com base cultural e com base genuína de coração, as coisas podem acontecer de forma diferente das que estão agora a acontecer”, concluiu.
O programa da manhã incluiu também a entrega dos Prémios de Mérito Universitário da Fundação Amélia de Mello, distinguindo os estudantes que mais se destacaram ao longo do seu percurso académico na Faculdade. Na edição de 2024, o prémio foi atribuído a Samuel Afonso, do Mestrado em Ciências Religiosas EaD, e na edição de 2025, a Simão Ferreira Nunes, do Mestrado Integrado em Teologia. Um momento de reconhecimento que reforça o compromisso institucional com a excelência e com o acompanhamento dos seus alunos.
Ainda durante a manhã, o Grupo de Teatro do Seminário dos Olivais apresentou a peça Semente de Cristãos, que evoca a história de São Genésio, patrono do teatro e dos atores. Trata-se de um comediante romano que, ao simular em palco o batismo cristão para entreter o imperador Diocleciano, foi surpreendido por uma conversão genuína.
"Um dia de festa, de celebração, de memória e de projeção da esperança"
Durante a tarde, a comunidade participou entusiasticamente num programa cultural, que incluiu uma visita aos jardins e ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e, também, uma visita aos vitrais de Almada Negreiros na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
O Dia Nacional da Faculdade de Teologia culminou com uma celebração litúrgica presidida por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa e Magno Chanceler da Universidade Católica Portuguesa, que descreveu o Dia da Faculdade como "um dia de festa, de celebração, de memória e de projeção da esperança". O Patriarca de Lisboa sublinhou o que torna a Teologia singular entre os saberes: a sua vocação de síntese. “A Teologia oferece a possibilidade de uma perspetiva integral. A Teologia é um lugar de síntese.”
D. Rui Valério lançou, também, um desafio sobre como deve ser cumprida a vocação da Teologia: “Para cumprir plenamente a sua vocação, a própria Teologia deve tornar-se serva. "A vocação não é conhecer mais, mas ver mais profundamente. Uma teologia que não se ajoelha não cumpre o Evangelho."
A Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa celebra este ano 59 anos de dedicação ao ensino, à investigação e à reflexão crítica no domínio da Teologia. Com uma oferta formativa que conta com licenciaturas, mestrados, doutoramentos e programas avançados, a Faculdade distingue-se pelo diálogo aberto entre a tradição teológica e a sociedade contemporânea.











