Realizou-se no dia 12 de maio, no campus do Porto da Universidade Católica Portuguesa, a conferência comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia. A sessão reuniu representantes do meio académico e institucional para refletir sobre o percurso europeu do país e os desafios futuros da integração europeia.
Na intervenção de abertura, a reitora da Católica, Isabel Capeloa Gil, destacou a forma como a adesão à União Europeia marcou a transformação de Portugal nas últimas décadas, associando a identidade nacional ao projeto europeu. Nas suas palavras, o projeto europeu assenta num conjunto de valores fundadores — entre os quais a Democracia, o Estado de Direito, a dignidade da pessoa e as liberdades fundamentais, bem como os direitos sociais ao trabalho, à educação e à saúde. Citando Hannah Arendt, evocou ainda o “direito a ter direitos” como expressão do ideal humanista e civilizacional europeu.
Nesse sentido, lembrou a necessidade de reafirmar o compromisso europeu, sintetizado na ideia de que “afirmar a Europa hoje é recusar a indiferença, essa deriva”, sublinhando que o projeto europeu exige compromisso, responsabilidade e visão estratégica.
Isabel Capeloa Gil destacou ainda o papel das instituições de ensino superior na construção da Europa, afirmando que “a Universidade é um pilar da ideia de Europa”, defendendo uma articulação entre universidades, políticas industriais e sistemas de inovação.
Para o comissário das comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, Carlos Coelho, o país viveu nas últimas quatro décadas “uma transformação sem paralelo na nossa história moderna”, referindo a adesão como “uma escolha civilizacional” e apelando a uma leitura do futuro europeu com ambição e responsabilidade.
Já o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, realçou o papel das cidades na construção do projeto europeu, considerando-as “espaços decisivos para o futuro da União Europeia
No seu discurso, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, alumni da Universidade Católica Portuguesa, destacou os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia como um período de “grande transformação” na história do país, sublinhando o consenso político e social em torno da integração europeia e o impacto desta escolha na modernização de Portugal. Prestou ainda homenagem aos “pioneiros” do projeto europeu português, apontando Francisco Sá Carneiro e Mário Soares como figuras centrais da visão europeísta da democracia portuguesa.
Montenegro alertou para o atual contexto de instabilidade internacional, marcado pelo regresso da guerra à Europa e por múltiplos focos de conflito, defendendo que a União Europeia enfrenta um momento de “viragem” que exige maior coesão, competitividade e autonomia estratégica. Nesse quadro, sublinhou que Portugal deve continuar a assumir um papel ativo na construção europeia, reforçando a sua influência e contribuindo para uma Europa mais forte e preparada para os desafios globais.
Seguiram-se dois painéis com intervenções de António Costa (em vídeo), Isabel Mota e Augusto Mateus no primeiro, e de José Manuel Durão Barroso (em vídeo), Francisco Assis e Paulo Rangel no segundo, reunindo diferentes perspetivas sobre o percurso e os desafios da integração europeia.
O encerramento da conferência contou com a intervenção do Presidente da República, António José Seguro, que elencou as transformações registadas em Portugal ao longo dos 40 anos de integração europeia e o impacto da pertença à União Europeia na vida dos cidadãos, desde a mobilidade à proteção social e ao acesso ao conhecimento. Como afirmou: “somos cidadãos europeus em todas as dimensões: económica, social, institucional e cultural”.
António José Seguro alertou ainda para a persistência de desigualdades económicas e sociais e para os desafios que se colocam ao projeto europeu, defendendo maior coesão, competitividade e eficácia na capacidade de decisão da União Europeia.
No final, deixou um apelo à responsabilidade coletiva, sublinhando que celebrar os 40 anos da adesão deve ser também um compromisso com o futuro, pedindo um papel ativo de Portugal no projeto europeu.





















