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António Rios de Amorim na Católica Porto Business School: “Não se pode parar a inovação”

A cortiça já chegou ao espaço. Está em foguetes da SpaceX, em mísseis de defesa, em campos desportivos, na indústria automóvel e até em soluções acústicas feitas a partir de ténis reciclados. “O desperdício é matéria-prima nas mãos erradas”, resumiu António Rios de Amorim, presidente e CEO da Corticeira Amorim, durante a sessão “Conversations with a Leader”, promovida pela Ireland Portugal Business Network, com o apoio da Católica Porto Business School. 

Prestige Partner do Corporate Club da Católica Porto Business School, a Corticeira Amorim esteve no centro de uma conversa que cruzou liderança, inovação, sustentabilidade e o posicionamento de Portugal numa economia global em transformação. A conversa, moderada por Sofia Salgado Pinto, Professora Afiliada Sénior da Católica Porto Business School, percorreu os desafios da indústria da cortiça, a transformação dos hábitos de consumo, a pressão regulatória europeia e o papel de Portugal numa economia global em mudança. 

“Os países tradicionais estão a perder peso, os emergentes estão a crescer”, afirmou António Rios de Amorim, apontando os Estados Unidos e a Índia como mercados estratégicos para o futuro da indústria. Apesar de França continuar a ser o principal mercado da Corticeira Amorim, considera que “o maior investimento deve ser feito nos Estados Unidos”, não apenas pelo poder de compra, mas também pela capacidade de distribuição. 

A conversa começou inevitavelmente pelo vinho, setor historicamente ligado à cortiça e hoje confrontado com novas tendências de consumo. A quebra no consumo de vinho, o crescimento das opções low alcohol e alcohol-free, bem como a influência crescente das redes sociais e dos influenciadores digitais, estiveram em destaque. “Não se pode parar a inovação”, afirmou o gestor, referindo exemplos como novas soluções microbiológicas para rolhas ou a utilização de cera de abelha em determinados processos. 

Mas foi sobretudo na diversificação da cortiça que António Rios de Amorim centrou grande parte da conversa. A flexibilidade, leveza e resistência do material abriram portas a aplicações muito além das rolhas de vinho. “Tudo o que se move quer materiais leves e duráveis. É isso que a cortiça é”, explicou. 

Hoje, a Corticeira Amorim fornece materiais para a indústria aeroespacial — “os foguetões da SpaceX têm cortiça Amorim” —, para a defesa, para a mobilidade e para soluções de isolamento térmico e acústico. Em parceria com a Nike, a empresa desenvolveu também o projeto Nike Grind, que reutiliza componentes de sapatos usados para criar novos materiais.

A sustentabilidade e a circularidade surgiram como temas centrais ao longo da sessão. Questionado sobre a oportunidade industrial para Portugal num contexto europeu marcado por forte regulação, António Rios de Amorim defendeu que a soberania industrial será cada vez mais importante. “Na Europa precisamos de ser soberanos em algumas indústrias. Não as podemos perder.” Para Portugal, acredita que a vantagem competitiva continua a estar nas pessoas: “Temos uma localização geográfica única, temos talento. O nosso melhor ativo são as pessoas.” 

Para o General Manager da IPBN,  Arnold Delville, esta “foi uma oportunidade única para ouvir António Rios de Amorim partilhar a sua visão sobre o futuro da indústria da cortiça e da economia portuguesa. Foi uma honra receber esta segunda conversa da série 2026 em parceria com a Católica Porto Business School”.

Houve ainda espaço para discutir o futuro das empresas familiares. António Rios de Amorim recordou o momento em que a indústria temeu que as rolhas de plástico e as tampas de alumínio substituíssem definitivamente a cortiça. “Pensámos que tinha acabado, mas não desistimos”, afirmou. “Os melhores vinhos do mundo continuam a confiar na cortiça.” 

A resposta passou por transformar risco em oportunidade, apostar em inovação e profissionalizar a governação da empresa. “Criámos um modelo de governance em que qualquer pessoa pode gerir a empresa”, explicou, sublinhando, ainda assim, a importância de a família continuar envolvida no futuro do grupo. 

08-05-2026