A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, foi palco da final do III Biofase, Congresso de Investigação em Bioengenharia no Ensino Secundário, num evento que reuniu dezenas de jovens investigadores de escolas de todo o país.
O programa combinou conferências plenárias com especialistas da área (a investigadora Ana Oliveira falou sobre a forma como a bioengenharia está a transformar o tratamento de doenças e a investigadora Fátima Poças apresentou desenvolvimentos em materiais de embalagem) com sessões de apresentações orais, mesas redondas temáticas, visita às instalações do laboratório e a longa e animada sessão de discussão de posters da tarde.
No total, foram apresentados oito trabalhos em formato oral e vinte e seis posters científicos, cobrindo temas tão variados como a qualidade do ar interior, bioplásticos, nano-materiais de prata, sensores de frescura alimentar, proteção solar de base marinha e combate a parasitas tropicais.
No final da tarde, chegou o momento mais aguardado, o da entrega dos prémios. Três equipas foram distinguidas pela qualidade científica, clareza comunicativa e impacto potencial dos seus projetos. As respetivas professoras orientadoras foram convidadas a subir ao palco ao lado dos seus alunos, num reconhecimento que se estendeu igualmente ao trabalho de acompanhamento e inspiração que tornou cada projeto possível.
Melhor apresentação oral
O prémio de melhor apresentação oral, no valor de 250 euros, coube à equipa da Escola Básica e Secundária de São Martinho do Porto, que viajou até ao Porto para defender o seu Gelipack.
O projeto explora o potencial da macroalga Gelidium corneum, abundante na costa portuguesa, como matéria-prima para a produção de filmes bioplásticos comestíveis à base de agar-agar.
O trabalho percorreu três etapas metodológicas rigorosas, desde extração do agar, a formulação dos filmes com glicerol e aditivos alimentares e a caracterização das suas propriedades físicas, mecânicas e de biodegradabilidade.
As aplicações vislumbradas incluem revestimentos comestíveis para frutas frescas, saquetas de chá biodegradáveis e cápsulas para suplementos alimentares e valeu o prémio ao grupo formado por Kaixin Cheng, Caetana Neves, Bianca Christo e Emiliana Diviza, orientado pela professora Ana Sofia Costa.
Prémio para o melhor poster
Num congresso realizado a poucos quilómetros da sua escola, os alunos da Escola Secundária da Maia conquistaram o prémio de melhor poster com o projeto B-Cycle. A ideia é desenvolver cápsulas biodegradáveis protetoras para sementes, cujo invólucro é produzido a partir do acetato de celulose extraído dos filtros de cigarros, um dos resíduos mais abundantes e persistentes do planeta.
Cada cápsula integra ainda um gel nutritivo feito de resíduos alimentares, para estimular a germinação. A aplicação prevista é a reflorestação de áreas afetadas por incêndios, transformando dois problemas ambientais numa única solução circular.
O júri destacou a qualidade visual do poster e a solidez da argumentação científica. A professora Isabel Allen subiu ao palco com os quatro elementos do grupo (Afonso Freitas, Francisco Vaguinho, João Dias e Maria Clara Sousa) para receber o galardão de 250 euros.
Menção honrosa
A menção honrosa, no valor de 100 euros, foi atribuída ao grupo da Escola Secundária Luís de Freitas Branco, em Oeiras, pelo seu trabalho em torno do Trypanosoma congolense, o parasita responsável pela Tripanossomíase Animal Africana, também conhecida por Nagana.
A equipa testou o efeito da Aphidicolin no bloqueio do ciclo celular do parasita, utilizando microscopia de fluorescência para avaliar a viabilidade celular e as fases do ciclo. Embora nenhuma das concentrações testadas tenha sido eficaz no bloqueio, os resultados abrem caminho para novos tempos de incubação a explorar, numa linha de investigação com potencial impacto real no combate a uma doença que causa enormes perdas económicas em África.
A professora Cristina Maria Cardoso Dias partilhou o palco com os cinco membros do grupo (Emanuela Araújo, Laura Soares, Frederico Santos, Margarida Dias e Murilo Pereira) num momento de merecido reconhecimento.
Ensino Secundário e investigação
O encerramento do Biofase III deixou no ar a certeza de que este congresso cumpre cada vez melhor a sua missão de aproximar a escola secundária do mundo da investigação.
Permite ainda desenvolver nos alunos a confiança nas suas próprias ideias e mostrar que a bioengenharia pode ser, e é, já, uma ferramenta nas mãos de quem ainda está a aprender. Na quarta edição, o nível será ainda mais alto. E isso é razão de sobra para voltar.
