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Raquel Anjos: “Mais do que técnica, a Enfermagem é uma profissão de cuidado e de empatia”

Raquel Anjos é finalista da licenciatura em Enfermagem na Escola de Enfermagem (Porto) da Universidade Católica Portuguesa. Divide o seu tempo entre a faculdade e a criação de conteúdos para as redes sociais e revela que “é essencial haver uma boa gestão de tempo” para conseguir conciliar as duas coisas. Nesta entrevista, fala sobre as experiências que mais a marcaram, os desafios da área da saúde e os objetivos que tem para o futuro.

 

O que a levou a escolher Enfermagem na Católica?

Sabia que gostava muito da área da saúde e sempre fui uma pessoa muito empática e preocupada com os outros. Foi ao longo do curso que fui percebendo cada vez mais que é realmente isto que quero fazer no futuro. Escolhi a Universidade Católica por ser uma instituição muito prestigiada e reconhecida pela sua qualidade do ensino. Também chamou muito a minha atenção a forte componente prática e de estágio desde o primeiro ano. Acho que isso faz toda a diferença no crescimento pessoal e profissional ao longo da licenciatura.

 

Como descreveria a sua experiência ao longo da licenciatura?

Desafiante, mas gratificante. Nem tudo foi fácil, mas o amor que fui desenvolvendo por enfermagem ajudou-me muito ao longo do caminho. Os estágios também tiveram um papel muito importante. Além disso, tive a sorte de encontrar pessoas incríveis durante este percurso. Hoje, olho para trás com um sorriso na cara, muito feliz e orgulhosa de tudo aquilo que vivi, aprendi e conquistei ao longo destes anos.

 

“Os estágios obrigam-nos a pensar, a refletir e a agir de forma mais autónoma.”

 

Que estágio e experiências mais a marcaram?

O estágio de Saúde Mental marcou-me muito. Foi um contexto onde aprendi sobre a importância de estar presente, de ouvir e de compreender o outro sem julgamento. É uma área que me mostrou o impacto enorme que a enfermagem pode ter a nível humano e na desconstrução dos estigmas associados às doenças mentais.
A enfermagem vai muito além da técnica. Cada utente é diferente e exige uma abordagem própria. Os estágios obrigam-nos a pensar, a refletir e a agir de forma mais autónoma. Aprendi também a lidar melhor com a pressão, com o imprevisto e com a gestão de prioridades, algo que só a prática nos consegue ensinar.

 

Quais são os aspetos mais desafiantes da formação em Enfermagem?

É emocionalmente muito exigente. Nem sempre é fácil lidar com o sofrimento, com a doença, com a vulnerabilidade das pessoas e, em alguns contextos, até com a morte.
O nível de responsabilidade que sentimos enquanto estudantes é grande, porque, apesar de ainda estarmos a aprender, já estamos inseridos em contextos reais de cuidados e sentimos esse peso de estarmos a intervir diretamente na saúde de alguém.

 

De onde surgiu a vontade de criar conteúdos para as redes sociais e como consegue conciliá-los com o curso de Enfermagem?

Surgiu da vontade de mostrar a realidade do curso de uma forma mais transparente e genuína. Quis criar um espaço onde pudesse partilhar experiências reais, aprendizagens, desafios e até apoiar ou orientar pessoas que estejam a pensar seguir enfermagem. Comecei a levar a criação de conteúdos mais a sério este ano, mas continua a ser algo que faço sobretudo por gosto. Nem sempre é fácil conciliar com a enfermagem, porque o tempo é limitado. Há muito mais trabalho do que pode parecer, desde pensar nos conteúdos, gravar e depois editar. É essencial haver uma boa gestão de tempo e também alguma flexibilidade para conseguir equilibrar as duas coisas.

 

“Cada utente é diferente e exige uma abordagem própria.”

 

Há alguma área de Enfermagem que a fascine especialmente?

A área da cirurgia sempre me despertou um interesse muito especial. Quando fiz o estágio em cirurgia, tive a oportunidade de ir ao bloco operatório durante dois dias e assistir a três cirurgias. Foi uma experiência verdadeiramente fascinante, mas ainda não tomei uma decisão definitiva. Na cirurgia não há tanto contacto com o utente e eu gosto muito da relação de proximidade, da comunicação e do acompanhamento da pessoa ao longo dos cuidados.

 

Que planos tem para o futuro?

Os meus planos para o futuro passam por terminar a licenciatura com uma boa base de conhecimentos, competências e segurança enquanto futura profissional de enfermagem. Quero entrar no mercado de trabalho e começar a ganhar experiência prática. Depois gostava de continuar a evoluir e a investir numa especialização na área com a qual mais me identificar.

 

Que conselho daria a um jovem com interesse em seguir enfermagem?

Diria para vir com a mente aberta e com a consciência de que é um curso muito exigente, tanto a nível académico como emocional, mas extremamente enriquecedor. É importante estar preparado para desafios e para fases em que parece tudo mais difícil, mas também para um crescimento enorme. A enfermagem transforma-nos muito ao longo do percurso. Diria também para aproveitar ao máximo todas as oportunidades de estágio, porque são eles que nos colocam verdadeiramente em contacto com a realidade da profissão. E, acima de tudo, nunca esquecer o lado humano da enfermagem, porque é isso que realmente faz a diferença. Mais do que técnica, é uma profissão de cuidado e de empatia.

 

18-06-2026