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"A Economia de uma Nação Rebelde"

Síntese do debate na Católica Porto Business School

O livro “Portugal - A Economia de uma Nação Rebelde” da autoria de Félix Ribeiro, foi o pretexto para um debate sobre a economia portuguesa organizado pela Católica Porto Business School. Para além do autor participaram Daniel Bessa, Elisa Ferreira e Miguel Cadilhe tendo como moderador Alberto Castro. O debate reviu um País que não tem de ser nem bom nem mau aluno da Europa (até porque o atual professor, a Alemanha, em termos de liderança, tem deixado a desejar). Pelo contrário, o País tem de se assumir como um par entre pares na União Europeia de que faz parte, zelar pelos seus interesses (pois ninguém o fará por si), preparar-se para uma possível implosão do euro e da própria União Europeia, procurar novas parcerias estratégicas no mundo que se traduzam em crescimento económico, por via do investimento estrangeiro e da inovação.

Felix Ribeiro defendeu que o Estado português (com os seus problemas) não é o principal responsável pela crise do crescimento económico do País. A globalização e a entrada da China na OMC, a integração económica e monetária na União Europeia e, em particular, uma zona euro mal construída e gerida (uma espécie de planador ou avião sem motor) conduziram o país a um perfil de menor abertura ao comércio mundial, próprio de uma economia grande e desenvolvida o que, numa pequena economia como a sua, gerou a crise de crescimento vivida. Segundo Félix Ribeiro, o País tem de equacionar novas parcerias estratégicas no mundo (ou recuperar antigas), virando-se mais para o atlântico (mundo anglo-saxónico) e também para a CPLP e para novos parceiros na Ásia para além da China (o Japão e a Índia, entre outros), de forma a atrair investimento e estrangeiro e inovação. Se entregar à Europa o seu destino, Portugal não deixará de ser um país periférico. O autor não defende a saída de Portugal do euro e da União Europeia mas considera que a postura no “barco europeu” deve ser a de “estar junto aos salva vidas com uns very lights”, pois da maneira que o mesmo está a ser conduzido pela Alemanha (gestão da crise da zona euro, da crise na Ucrânia, etc.) é muito capaz de “ir contra um iceberg e afundar”.

Elisa Ferreira defendeu uma postura mais ativa de Portugal na Europa e, entre outros, o tentar com os nossos parceiros “colocar o motor no planador Euro”, mesmo que “em pleno voo e debaixo do fogo da artilharia dos mercados”. Daniel Bessa alinhou mais com a postura que apelidou de “mais rafeira” de Félix Ribeiro, “de estar junto aos salva vidas do barco com os very lights”, preparado para o pior mas a pensar no melhor (como crescer, inovar, atrair investimento estrangeiro), e não perder tempo com coisas que, num certo sentido, nos ultrapassam. Miguel Cadilhe chamou a atenção para que os custos de uma saída descontrolada do euro podem ser superiores aos benefícios mas não descartou a necessidade de se pensarem outros cenários como o de uma desconstrução ordenada do espaço do Euro.

O EVENTO NOS MEDIA:

http://www.publico.pt/politica/noticia/o-barco-da-europa-aproximase-de-um-iceberg-e-portugal-tem-de-procurar-um-escaler-1636177

http://www.pt.cision.com/cp2013/ClippingDetails.aspx?id=a425eff5-3f12-436a-b813-d33224d98338&analises=1

16-05-2014