
Artigo de Opinião por Alberto Castro, docente da Católica Porto Business School.
A campanha eleitoral foi enfadonha. Como se o apagão tivesse contaminado as direções de campanha, nem uma centelha se viu! Prisioneiros de uma guerra de egos, PS e AD não foram capazes de se libertar da dinâmica suicidária que apenas aproveitou a quem promove o discurso de que “são todos iguais”. Pior, as suas propostas foram resvalando para o populismo e a demagogia de quem oferece tudo a todos, um terreno em que o Chega tem uma indiscutível vantagem competitiva. Quando se julgava que estaria ferido e debilitado pelos sucessivos escândalos, o partido de Ventura foi subindo nas sondagens, à medida que a campanha ia acontecendo. Não podia deixar de ser assim: o Chega é o partido cuja postura reflete o essencial da cultura portuguesa, desde o “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço” até ao sebastianismo salvífico, passando por encontrar um bode expiatório, pois “a culpa é sempre de outros”. Pouco importa que as suas propostas (?) atirassem o país, de novo, para o abismo das contas públicas descontroladas. Tal como nos EUA, em França, na Alemanha, em Itália os eleitores querem mudança. O caso mais paradigmático é o do Reino Unido: não obstante o Brexit ter vindo a ser um falhanço, o partido de Farage foi o grande vencedor das eleições locais, com base num discurso que atribui a culpa do insucesso aos dois partidos do sistema…
