
Artigo de Opinião por João Pinto, dean da Católica Porto Business School.
A investigação académica demonstra que a visão de longo prazo não é apenas uma virtude moral, mas uma estratégia comprovada. E, ainda, que empresas que resistem à tentação de cortar custos de forma agressiva para satisfazer o mercado no curto prazo, conseguem criar mais valor ao longo do tempo.
A avaliação de empresas é um dos temas centrais das finanças modernas, mas também um dos mais desafiantes. Para Tim Koller, autor do livro “Valuation” e sócio da McKinsey, a essência do tema não mudou ao longo das últimas décadas e continua a centrar-se na capacidade de analisar objetivamente os fundamentos económicos de um negócio e projetar a sua criação de valor a longo prazo. O que se altera é o contexto: os ciclos económicos, as pressões de mercado e as expectativas dos investidores.
Warren Buffett, que se prepara para deixar a liderança da Berkshire Hathaway em 2025, tornou-se no exemplo de um investidor que olha para além das modas e da volatilidade do mercado acionista. O segredo está no essencial: privilegiar empresas com capacidade para gerar fluxos de caixa de forma sustentável. E o tempo tem provado que este princípio é duradouro. Durante a bolha das dotcom, em 2000, muitos acreditaram que as regras clássicas deixavam de se aplicar. O resultado foi o colapso de inúmeras empresas que confundiram crescimento em escala com criação de valor. O mesmo aconteceu em 2008 com a crise financeira internacional, em que os princípios básicos das finanças empresariais foram esquecidos por bancos e agências de rating. Hoje, perante empresas com capitalizações bolsistas superiores a um bilião de dólares (por exemplo, a NVIDIA tem uma capitalização bolsista de cerca de 4,4 biliões de dólares), a questão continua a ser a mesma: terá a empresa ou o negócio capacidade para continuar a gerar fluxos de caixa no futuro que justifiquem este valor?
