
Artigo de Opinião por Nuno Ornelas Martins, Docente na Católica Porto Business School.
Se confrontado com a crise da habitação actual, Keynes provavelmente proporia um imposto que desincentivasse o investimento especulativo por parte de quem não pretende habitar as propriedades que adquire.
Numa altura em que os debates sobre política, sociedade e economia são cada vez mais polarizados, é interessante revisitar exemplos que procuraram pontes entre visões opostas.
John Stuart Mill fez uma tentativa nessa linha, procurando conciliar sistemas como o socialismo e o liberalismo. Para tal, Mill sugeriu que as cooperativas que surgiam poderiam prevalecer sobre as empresas capitalistas numa economia de mercado. Para tal, as cooperativas deveriam aproveitar a vantagem relativa da motivação decorrente da participação democrática na decisão e partilha de resultados.
O problema, segundo Mill, acontece quando ao admitir membros assalariados sem direitos de decisão e partilha de resultados, as cooperativas passam a ser um híbrido que nem tem as vantagens das cooperativas originais, nem as vantagens das empresas capitalistas (como mecanismos de decisão mais rápidos). Mill previu que este esquema de incentivos desadequado levasse a uma degeneração do movimento cooperativo.
