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"Bons líderes empresariais fazem bons líderes políticos"

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"Bons líderes empresariais fazem bons líderes políticos"
Quarta-feira, 20 de Novembro de 2024 in Líder Online

Arménio Rego, coordenador do LEAD.Lab, Católica Porto Business School

A gestão da “coisa pública” requer capacidade para alcançar compromissos. Essa competência emerge de dois desafios. Primeiro: são múltiplos os legítimos interesses presentes numa sociedade livre e plural. Segundo: mesmo quando prosseguem um mesmo objetivo, diferentes atores políticos perfilham políticas muito diferenciadas. Políticos com alma autocrática têm dificuldade em respeitar essa complexidade. Propõem soluções perentórias e simples para problemas complexos. Arrogam-se o papel de arautos da “seriedade” enquanto criticam os “outros” políticos que pugnam por compromissos e estão dispostos a mudar de posição quando necessário.

É verdade que alguns políticos atuam de modo gelatinoso e como cataventos oportunistas. Mas importa reconhecer que bons e bem-intencionados políticos, dotados de caráter, dialogam com adversários, respeitam os interesses minoritários, fazem cedências e pugnam por compromissos. Essa flexibilidade não os torna menos honestos. Numa democracia saudável, a ação dos líderes políticos está regulada pela Constituição e a separação de poderes. Políticos com desejos “fazedores” podem ver os seus intuitos, mesmo os mais virtuosos, limitados por esse quadro regulador. Daí pode decorrer a lentidão na tomada de decisão, e algumas medidas com potencial benéfico podem ter de ser abandonadas ou alteradas. Mas esses são os custos de viver numa democracia constitucional liberal – que cuida do interesse geral, incluindo o das minorias.

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