Artigo de Opinião por Patricia Moreira, Docente da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto.
Património é conhecimento vivo, dele temos construção de identidade, de sistemas de conhecimento e de resiliência humana.
Nos dias que correm, enquanto somos frequentemente bombardeados com notícias de tantas crises emergentes, é fácil classificar a preocupação com a preservação do património como um luxo. Afastado para as margens das prioridades globais, o património é por vezes visto como um cartão de visita impulsionador do turismo e pouco mais. No entanto, esta é uma visão extremamente limitada do seu papel. Património é conhecimento vivo, dele temos construção de identidade, de sistemas de conhecimento e de resiliência humana.
É também bastante comum a ideia de que os conservadores-restauradores que trabalham para a preservação do património são apenas pessoas muito habilidosas. Habilidosos artistas do fazer novo do velho, de criar o engano subtil que oculta um rasgão numa tela, de astuciosamente colar membros amputados em esculturas ou de montar puzzles de pequeníssimos pedaços de cerâmica.
