
Artigo de Opinião por Vânia Sousa Lima, docente da Faculdade de Educação e Psicologia - Universidade Católica Portuguesa.
O processo de co-construção da saúde mental, de carácter colaborativo e assente no diálogo, exige o envolvimento e participação activa de todos, na que é uma responsabilidade por todos partilhada.
A definição por parte da Organização das Nações Unidas do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento (que se celebra anualmente desde 2003 a 21 de Maio na sequência da Declaração Universal de Diversidade Cultural da UNESCO de 2001 declara o primado pelo respeito pelo pluralismo cultural nas suas múltiplas expressões, visando a cooperação entre grupos e sociedades, a partilha de conhecimento entre culturas e o diálogo intercultural entre povos. Identificada como património comum da humanidade, a diversidade cultural assume-se como potenciadora de desenvolvimento global, garantida que esteja a assumpção de não primazia de um dado povo, grupo ou sociedade e dos seus valores, crenças ou normas sobre outro, no cumprimento do estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Sendo a experiência humana transversal e universalmente influenciada por factores culturais, integradas que estão as pessoas num determinado contexto interpessoal, social, político e económico (níveis cujos elementos reciprocamente interagem), são inequívocas as implicações de tais factores no modo como a saúde mental é conceptualizada, na definição de prioridades por parte dos diferentes agentes por ela responsáveis, nos padrões de procura de cuidados neste domínio e na forma como a relação terapêutica é estabelecida.
