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"Eles vivem: o BCE e a ameaça de uma nova crise das dívidas soberanas"

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"Eles vivem: o BCE e a ameaça de uma nova crise das dívidas soberanas"
Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2024 in Público online

Artigo de Opinião por Leonardo Costa, docente da Católica Porto Business School.

O Banco Central Europa aconselha, e condiciona publicamente, os Estados-membros da UE a negociarem com a nova administração americana.

Eles Vivem é um filme de John Carpenter, de 1988, que faz refletir sobre os tempos atuais. A França está mergulhada numa crise política, a Europa tem uma guerra às suas portas, e a próxima administração americana não só pretende exigir um esforço maior dos países europeus no financiamento da NATO, como também os ameaça com guerras comerciais. Tudo isso ocorre num contexto de dívidas públicas, ainda marcado pela grande crise financeira de 2008, pela pandemia da covid-19 e pela guerra e turbulência geopolítica. Há uma enorme necessidade de investimento público para suportar a transição energética e tecnológica que a União Europeia precisa de realizar. O recente relatório Draghi para a Comissão Europeia contém um diagnóstico das necessidades de investimento e algumas propostas de financiamento europeu.

Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler, afirmava que mentiras muitas vezes repetidas passam por verdades. Vem isto a propósito da crise das dívidas soberanas de 2010 na UE ter sido causada pelos gastos dos governos dos países em dificuldades na época. Não foi. A grande crise financeira de 2008, com epicentro nos Estados Unidos, atingiu a banca europeia, especialmente a alemã, devido aos ativos tóxicos que esta tinha na sua posse. Após convidarem os governos dos Estados-membros da UE a suportarem as respetivas economias, as instituições europeias da época converteram esta crise numa crise de dívidas soberanas ao recusarem assumir o Banco Central Europeu (BCE) como credor de último recurso. A solução encontrada foi a austeridade dita expansionista em toda a UE, com medidas mais draconianas nos Estados-membros resgatados. Estes últimos foram forçados pela troika a resgatar a respetiva banca, como condição para o seu próprio resgate. Ainda hoje, a UE paga pela falta de investimento e atraso tecnológico decorrentes dos erros então cometidos.

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