
Susana Costa e Silva, docente da Católica Porto Business School.
A indústria conhecida como fast fashion é normalmente caracterizada pela existência de produtos de baixa qualidade, com colecções lançadas de forma frequente acompanhando as últimas tendências da moda, com design apelativo e cujo o preço é relativamente baixo. A maior crítica endereçada a esta indústria, e que tem começado a ser considerada com veemência por parte dos produtores, tem a ver com as preocupações ambientais. De acordo com a Greenpeace, a produção de uma t-shirt é responsável pelo consumo de 2700 litros de água, podendo a produção de uns jeans chegar a gastar 10 mil litros. Num ranking de países com roupas por usar nos guarda-roupas, segundo a Vogue, Portugal está no 11.º lugar, com uma cultura de tratar roupas usadas como lixo. Aparentemente, Portugal lança para o lixo todos os anos mais de 200 mil toneladas de produtos têxteis.
Face a estas preocupações, muitos consumidores vêm procurando soluções baseadas na economia circular, onde se insere o mercado dos produtos de moda de 2.ª mão. Este mercado era, até há relativamente pouco tempo, realizado unicamente no âmbito de feiras locais como o flea martket e as suas vendas eram sobretudo realizadas consumidor-a-consumidor, quer no mercado físico quer no mercado online. No online, tínhamos ainda os receios acrescidos da ausência de toque, da fraude associada aos meios de pagamento, envio sem o respectivo recebimento (e vice-versa), do risco associado a receber um produto em piores condições do que o indicado, num tamanho ou cor diferentes, etc. Mas também havia o risco associado à devolução, ou outras condições relacionadas com a logística e distribuição. Porém, apesar dos riscos associados a esta forma de comércio, nomeadamente através dos canais digitais, parece não restar dúvida de que a tendência da compra de produtos em 2.ª mão veio para ficar, com o aparecimento de plataformas que surgiram neste mercado, intermediando a relação directa entre compradores e vendedores.
