
Artigo de Opinião por Camilo Verde, Docente da Católica Porto Business School.
Nos atuais desafios da gestão de pessoas, tem-se consolidado a importância do engajamento (em inglês engagement) dos colaboradores com o trabalho e a organização. As investigações neste domínio evidenciam associações positivas entre o engajamento no trabalho e algumas dimensões fundamentais para o bom funcionamento das organizações: produtividade; turnover; segurança e bem-estar; qualidade dos produtos; satisfação de clientes; rentabilidade e resultados nos planos económico-financeiro. O engajamento é definido como um estado mental positivo relacionado com o trabalho que se carateriza pela presença de três dimensões: dedicação: trabalho percecionado como significativo, entusiasmante, e fonte de orgulho; vigor: mobilização de elevados níveis de energia e resiliência no trabalho; absorção: grande concentração no trabalho, perdendo-se a noção do tempo despendido. O engajamento é a forma como as pessoas gostam e acreditam no que fazem e se sentem valorizadas por isso e traduz-se no seu envolvimento e entusiasmo com o trabalho.
A consultora Gallup publica anualmente um relatório denominado State of The Global Workplace (se tiver interesse, pode conhecer em www.gallup.com/workplace/349484/state-of-the-global-workplace.aspx) que avalia os níveis de engajamento no trabalho à escala mundial através de dados recolhidos em mais de 160 países. Relativamente ao último relatório publicado no ano corrente apresentam-se os valores sobre o engajamento dos trabalhadores, a nível global, relativos ao ano de 2023, de acordo com as categorias utilizadas, destacando-se os seguintes aspetos: apenas 23% estão engajados e a prosperar no trabalho (thriving at work): motivados e envolvidos com o seu trabalho e com a sua organização, trabalham com entusiamo, estão empenhados no sucesso da empresa, com a qual têm uma forte ligação; 62% estão não engajados e em demissão silenciosa (quiet quitting): descomprometidos com o trabalho e com a organização. Dedicam-se ao desempenho das suas atividades sem envolvimento: disponibilizam o seu tempo, mas sem paixão nem energia; 15% estão ativamente desengajados e em demissão ruidosa (loud quitting): sentem-se infelizes e ressentidos e podem constituir um obstáculo ou minar o bom clima de trabalho na empresa.
