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"A humildade sem coragem pode ser perigosa, e vice-versa"

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"A humildade sem coragem pode ser perigosa, e vice-versa"
Domingo, 13 de Outubro de 2024 in Jornal Económico Online

Artigo de Opinião por Arménio Rego, Docente e Diretor do LEAD.Lab, Católica Porto Business School.

Quando avaliamos lideranças, requer-se-nos humildade para sermos cautos nas interpretações, mas também coragem para sermos firmes e implacáveis na defesa de valores humanos fundamentais.

A humildade engloba a noção apurada das forças e fraquezas próprias, o reconhecimento das qualidades dos contributos dos outros, e o desejo contínuo de aprender. Promove o exercício eficaz, responsável e sustentável de funções de liderança. Encoraja a escuta ativa e a decisão ponderada. Motiva para a recolha de dados, informação e contributos de outras pessoas, assim ajudando a compreender a complexidade das situações e a tomar decisões mais eficazes. Estimula o desejo de extrair lições de erros e fracassos. É um poderoso antídoto contra a arrogância e a soberba.

Todavia, a este lado brilhante acresce um menos luzidio. Cientes da incerteza, da ambiguidade, da complexidade e da falibilidade que caraterizam a vida e a tomada de decisão, líderes humildes podem ficar paralisado/as pela dúvida, pela longa ponderação das várias facetas de um problema, e pela auscultação de uma miríade de pontos de vista.

Mais grave, sobretudo num tempo de falsidades disseminadas despudorada e perversamente, é o risco de líderes humildes darem crédito a “pós-verdades” e a teses que, embora politicamente corretas ou atraentes, são infundadas – ou de serem tolerantes e empático/as com práticas e narrativas que, pejadas de ódio e desumanidade, são envoltas numa pretensa superioridade moral.

Esta complexidade é profundamente desafiante para quem estuda a liderança, quem seleciona líderes, quem vota, e quem tem de ajuizar sobre líderes. Há situações em que a autoconfiança e a capacidade de arriscar devem suplantar a humildade. Em que é necessário decidir contra tudo e todos. Persistir contra conselhos e recomendações. Ter coragem moral para ir contra a corrente e interesses, sejam eles próprios ou de aliados. Em que é moralmente imperioso “abraçar” a tese do adversário e ser justo.

Veja o artigo completo aqui.
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