
Artigo de Opinião por Maria da Conceição A. Silva, Docente da Católica Porto Business School.
Para obter evidências, precisamos de uma abordagem científica na análise de dados e na tomada de decisões, utilizando tanto o raciocínio dedutivo (partindo de uma hipótese e testando a mesma) quanto o indutivo (fazendo análises exploratórias de dados que podem servir de base a teorias).
Daniel Kahneman tem uma frase onde diz que “há uma grande limitação da nossa mente: a nossa excessiva confiança naquilo que julgamos saber e a nossa aparente incapacidade para compreender a extensão da nossa ignorância e a incerteza do mundo em que vivemos”. Na verdade, a nossa ignorância é maior do que normalmente supomos, pois tem três componentes: o que sabemos que desconhecemos, o que nem sabemos que desconhecemos e o que pensamos que sabemos.
Esta última ignorância está, na verdade, por trás dos nossos enviesamentos cognitivos, que Daniel Kahneman e o seu colega Amos Tversky tanto retratam. Hans Rosling, fundador do Gapminder Project, traz-nos uma réstia de esperança neste mundo de ignorância e enviesamentos, advogando a utilização de dados para melhorar a percepção do mundo que nos rodeia. Tal como Hans Rosling, gosto de pensar que a utilização de dados pode ajudar-nos a tomar decisões e a formar opiniões. É importante aumentarmos a nossa literacia na análise de dados, pois esta pode ajudar-nos a compreender melhor o mundo em que vivemos e a sermos menos suscetíveis a acreditar nas histórias que nos vão contando. Alex Edmans explica a diferença entre histórias, factos, dados e evidências.
Uma história, ainda que verdadeira, não é um facto. Um facto é uma história verdadeira, e dados são coleções de factos. Mas o que nos interessa é basear decisões e opiniões em evidências e não necessariamente em dados ou em factos!
