
Artigo de Opinião por Arménio Rego e Camilo Valverde, docentes da Católica Porto Business School.
A inteligência artificial e a sua aplicação a múltiplos domínios da vida serão uma tendência inelutável. A aplicação à Gestão de Pessoas não é excepção. Mas será inteligente não sucumbir à visão romântica da IA, sob pena de o romance se traduzir em pesadelo.
Há quase um século, Keynes previa que os humanos trabalhariam apenas 15 horas por semana. «Três horas de trabalho por dia… são mais que suficientes para satisfazer o velho Adão que existe em cada um de nós», escreveu.
Identificar tendências no mercado de trabalho é, pois, um exercício de adivinhação atrevido. Porém, a inteligência artificial (IA) e a sua aplicação a múltiplos domínios da vida serão uma tendência inelutável. A aplicação à Gestão de Pessoas não é excepção.
A IA já é aplicada na análise de currículos, de conteúdos de entrevistas e de outro material emergente de processos de candidatura; na medição de perfis de personalidade; na análise de postos de trabalho e correspondentes requisitos de competências; e em processos de gestão do desempenho. Os desenvolvimentos continuarão. Mas importa ser prudente. A IA não é imune a enviesamentos e “decisões” discriminatórias. Produz “alucinações”. Os dados em que se baseiam os algoritmos podem ser insuficientes para representar a realidade – ou podem reflectir uma realidade diferente daquela a que o algoritmo é aplicado.
