
Artigo de opinião de Sofia Salgado, docente da Católica Porto Business School e membro do EQUIS Board da EFMD.
Em 2020, em pleno confinamento a propósito da pandemia, escrevi que ainda que se fechassem as portas, era importante abrirem-se janelas. Quando o escrevi, parecia-me evidente que ao estarmos a viver algo sem precedentes na história recente, certamente existiriam impactos no mundo, como o víamos e como o vivíamos. Falo de alterações ao nível dos negócios, e consequentemente das empresas e certamente com impacto na economia e na sociedade. Estava longe de antever os diferentes acontecimentos que se seguiram e já demais identificados e explicados, nomeadamente: os conflitos geopolíticos, as disrupções nas cadeias logísticas, e a subida dos preços dos bens e serviços. Estes acontecimentos surgem a par de uma adoção acelerada de novas tecnologias, em particular da digitalização, das ferramentas de comunicação à distância e da inteligência artificial generativa. Não estou a dizer nada de novo. Mas quem tem estado a observar “pelas janelas de atenção” abertas em 2020, não tem dúvidas das grandes alterações que se verificaram desde então. Refiro-me a alterações nos formatos de trabalhos nas organizações, nas estratégias de negócio com impacto na escolha das cadeias de abastecimento e nas geografias de atividade, a alterações nos formatos de interação social e a alterações nas necessidades de aprendizagem. A vivência destes eventos também nos mudou. E até comentamos as mudanças na capacidade de atenção ou o potencial nas comunicações à distância para chegar onde era difícil até então, ou até o tanto que temos disponível atualmente e tão rapidamente através das tecnologias de informação.
Aqui chego ao meu ponto de alerta. Perante a evidência de cinco anos de transformação em tantos níveis da nossa vida pessoal, social e profissional, como estamos a olhar e a trabalhar a educação?
