
José Azeredo Lopes, docente da Escola do Porto da Faculdade de Direito.
Os tempos do tempo longo. Se dúvidas pudessem ainda subsistir, estão dissipadas: a guerra na Ucrânia pode durar anos (Secretário-Geral da NATO), ou durar o tempo que quiser, porque cá estaremos (Estados Unidos) e, apesar do efeito de cansaço que começa a sentir-se, a Ucrânia vai precisar de apoio durante anos, e é nosso dever assegurar que a Ucrânia "tenha a resiliência estratégica para sobreviver" (Boris Johnson). O sinal, repetido uma e outra vez ao longo da semana, não podia ser mais claro. Vai ser um conflito de resistência, de braços de ferro sucessivos, de paciência e determinação.
Mais do que confirmado: a guerra vai muito para além dos dois contendores e não depende de nenhum deles, tomado isoladamente. A Rússia, mantendo-se o apoio dos aliados da Ucrânia, não conseguirá dar a estocada final e não se lhe veem por enquanto portas de saída airosas. A Ucrânia, ela, só poderá continuar a lutar mantendo-se, em linha constante e não interrompida, o apoio financeiro e militar dado pelos seus aliados. É bom que se tenha presente este dado, até para cuidarmos do que se vai passando no interior dos apoiantes da Ucrânia. Mudam-se os ventos dentro, podem mudar os ventos fora.
