
Artigo de Opinião por Arménio Rego, docente da Católica Porto Business School.
Antes de falecer, Pedro Queiróz Pereira afirmou perante o Ministério Público: «Ricardo Salgado tem características boas e más. Entre as boas: é uma pessoa extraordinariamente trabalhadora; entre as más, é um ambicioso desmedido, capaz de matar o pai e a mãe, e um mentiroso compulsivo. Defino-o como uma pessoa que diz determinadas coisas e que quer convencer o interlocutor de que 2 + 2 são 5».
A extraordinária capacidade de trabalho não é, por certo, a única virtude de Ricardo Salgado. Mas nenhuma das suas qualidades oculta o lado mais sombrio que, alegadamente, carateriza o seu perfil e a sua atuação na liderança do BES. O caso ilustra bem como devemos ser cautos quando avaliamos e escolhemos líderes. Com alguma frequência, subestimamos o lado sinistro dos mesmos para nos focarmos nas suas múltiplas forças e virtudes. Por vezes, essa é a forma mais ou menos inconsciente de nos livrarmos do peso na consciência: colocados perante evidência que nos revela a perversidade de um líder pelo qual estamos enamorados, enfatizamos o seu lado brilhante e assim racionalizamos o nosso apego a esse líder.
