
Artigo de Opinião por Susana Costa e Silva, Docente na Católica Porto Business School.
O conceito da Base da Pirâmide (BoP) foi popularizado por Prahalad na obra "A Fortuna na Base da Pirâmide”, onde defende que o crescimento das empresas pode fazer-se através do serviço a estas populações mais carenciadas, se souberem mobilizar de forma eficiente a inovação e se se focarem no vasto mercado inexplorado e em crescimento deste segmento. O termo foi usado por referência às populações pobres do mundo, que ganham menos de 2000 dólares por ano e estão localizadas na camada inferior da pirâmide, localizando-se sobretudo na América Latina, Sul da Ásia, Leste Asiático, Pacífico e África. Para além dos rendimentos muito baixos, este mercado é também caracterizado por acesso limitado a serviços essenciais e, frequentemente, por condições de vida rurais ou semi-urbanas. Os trabalhadores BoP enfrentam múltiplas barreiras que impedem o acesso a empregos de qualidade, e que incluem educação ou competências limitadas, falta de registo formal de trabalho, discriminação e estigma, bem como barreiras legais ou administrativas ao emprego. Essas barreiras são mais prevalentes para trabalhadores informais, que possuem rendimentos incertos e voláteis, não gozam de direitos e proteção laboral e, muitas vezes, não têm acesso a benefícios sociais e redes de segurança oferecidas pelos estados. Não há dúvidas que é necessário quebrar este ciclo vicioso, mas é importante perceber como e qual o papel das empresas em desfazer este ciclo.
De acordo com um estudo publicado em setembro de 2023 pela IFC (InternationalFinanceCorporation), parceira do Banco Mundial, estima-se que 4,5 bilhões de pessoas em países em desenvolvimento vivam na base BoP, sobrevivendo com esparsos rendimentos e sem acesso a bens, serviços e oportunidades económicas. E apesar do progresso significativo no combate à pobreza nas últimas décadas, a desigualdade de rendimentos continua a ser um desafio importante, agravado pela covid-19, que criou problemas económicos significativos para famílias de baixos rendimentos em todo o mundo. Como resultado, 90 milhões de pessoas a mais ficaram abaixo do limiar de pobreza em 2022. Os mercados de trabalho enfrentaram ruturas que afetaram significativamente os meios de subsistência destes trabalhadores, especialmente no setor informal, onde se incluem 58% das mulheres que trabalham. É, por isso, urgente quebrar este ciclo!
