
Artigo de opinião por Arménio Rego, docente da Católica Porto Business School.
Conhece algum projeto de grande envergadura cujo custo final seja inferior ao orçamentado? Porque são tão frequentes as derrapagens orçamentais e temporais de projetos, sobretudo as vultuosas obras públicas? A derrapagem orçamental das obras do Hospital Militar de Belém, recentemente caída na praça pública, ilustra bem o fenómeno. O clamor público, partidário, político e mediático que estes casos suscitam poderia levar-nos a supor que eles resultam de idiossincrasias lusas. Eis a realidade: há derrapagens em todo o lado. Um estudo envolvendo mais de 2 mil projetos, em mais de uma centena de países, mostrou que a derrapagem média dos custos se cifrou em cerca de 40%, e que os benefícios projetados ultrapassaram os reais em cerca de 10%-20%. As razões podem ser agrupadas em duas grandes categorias.
