
Artigo de Opinião por Arménio Rego, Docente da Católica Porto Business School.
O protótipo de um líder narcisista grandioso é um indivíduo caracterizado por um ego insuflado, alimentado por desejos de poder, admiração e celebridade. Este atributo da personalidade expressa-se em comportamentos dominadores, agressivos e desprovidos de empatia. Indivíduos narcisistas, sentindo-se especialmente talentosos e competentes, atribuem-se direitos e regalias que recusam aos outros. Investem na conquista de posições de poder para satisfazerem as suas necessidades de admiração e validarem a sua autoimagem de pessoas especiais. São exímios na persuasão e na manipulação.
Podem ser altamente sedutores das suas presas, abandonando-as quando estas deixam de lhes ser instrumentais. Atraem coniventes e oportunistas – de quem esperam absoluta lealdade pessoal. Encarando as discordâncias como ataques pessoais, retaliam. Rodeiam-se de sicofantas, de quem esperam entrega total e submissão a uma agenda exaustiva. Confiantes nas suas especiais capacidades e forjando as “verdades” que se coadunam mais com os seus desejos do que com a realidade, tomam decisões audaciosas. Desta ousadia podem resultar sucessos extremos que líderes “normais” não alcançam – mas podem também provir resultados desastrosos e trágicos. A investigação sugere que estes líderes, em média, não alcançam melhor desempenho para as suas organizações do que outros líderes – mas alcançam resultados mais extremos (i.e. muito melhores ou muito piores) e voláteis ao longo do tempo.
