
José Azeredo Lopes, docente da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica.
Acabou o tempo sem nuvens. Sempre nos habituámos a encarar as eleições livres e justas, onde quer que tivessem lugar, como um momento de grande festa. Mais do que em qualquer outra situação, a expressão da vontade popular através do voto sacraliza, simbolicamente, a forma democrática assim como o direito de autodeterminação do povo que assim diz ao que vem e aquilo que pretende.
Hoje, no entanto, os atos eleitorais passaram a ser um susto permanente. Deixaram, em não poucos casos, de ser uma opção sobre propostas alternativas de sociedade, para se assumirem como escolhas mais fundas e radicais que, em situações limite, podem contender com a própria sobrevivência daquilo que costuma caracterizar, como base, as democracias.
