
Artigo de Opinião por Ana Madsen, Professora Auxiliar Convidada, Católica Porto Business School.
Em 1997, Sousa Franco, ministro das Finanças de António Guterres, chegou à arrepiante constatação: "O Estado não sabe o que tem, quanto tem, nem quanto deve".
Comecei a minha vida profissional como consultora na Deloitte e, na primeira semana, fui enviada para um cliente (a Opel) com a seguinte missão: contar carros. Durante semanas registei, num documento Excel do meu PC, a matrícula, o modelo, a cor e a cilindrada de todos os carros estacionados no parque de estacionamento da Opel. Logo ali tive oportunidade de perceber um dos fundamentos da gestão: como pudemos gerir seja o que for se não sabemos o que temos?
No longínquo ano de 1997, Sousa Franco, ministro das Finanças de António Guterres, chegou à arrepiante constatação: “O Estado não sabe o que tem, quanto tem, nem quanto deve“. Estamos em 2025 e continuamos arrepiados.
Embora exista em Portugal uma Direção Geral do Património, não existe um inventário atualizado dos imóveis e demais recursos propriedade do Estado (nem sequer se conhece um inventário da frota automóvel). Os agentes do Estado entretêm-se a discutir o sexo dos anjos, a falar de malas no aeroporto, dos desvios no FCP (que são casos de polícia) e assim conseguem habilmente desviar-se das suas responsabilidades. Eu continuo à espera do dia em que alguém decida que chegou a hora de inventariar e valorizar o património do Estado! Dizem que os portugueses são de brandos costumes, mas isto já é abuso!
