
Artigo de Opinião por Leonardo Costa, docente na Católica Porto Business School.
Ameaçada pelas guerras de Putin e de Trump, a Europa enfrenta duas opções: i) ceder à TINA e aos caprichos dos oligarcas ou assumir o seu destino coletivo e afirmar-se como referência de liberdade e de “humanidade da humanidade”.
TINA – There Is No Alternative (não há alternativa) - foi o lema da Senhora Thatcher, nos anos 1980, para implementar no Reino Unido o seu projeto neoliberal conservador. O lema continua a moldar os discursos de líderes e instituições no plano internacional. Serviu para justificar a resposta europeia à crise das dívidas soberanas em 2010, está na base da atuação do Banco Central Europeu (BCE) da Senhora Lagarde e, mais recentemente, esteve subjacente à mensagem do secretário-geral da NATO, o Senhor Rutte, dirigida ao presidente americano, a propósito do acordo sobre os gastos com a defesa da Aliança.
Existem sempre alternativas - sobretudo quando há transparência, sentido de bem comum, vontade política, imaginação e liderança. O que a TINA procura é impedir que essas alternativas se revelem, por ameaçarem os interesses protegidos pelo discurso da inevitabilidade. A resposta europeia à crise das dívidas soberanas de 2010 - prosseguir com políticas de consolidação orçamental num contexto de falta de procura, armadilha da liquidez e riscos de deflação - foi apresentada como inevitável. Todavia, existiam alternativas, como demonstrou, tardiamente e em contramão, o Senhor Draghi, quando assumiu a presidência do BCE.
