
Artigo de Opinião por Alberto Castro, Docente da Católica Porto Business School.
Após a sua eleição, Donald Trump anunciou que nomearia Elon Musk para coordenar um novo departamento para a eficiência governamental ou, na sua linguagem mais direta, para cortar custos do governo federal. Não foi surpresa: Musk já se tinha “batido” ao cargo ao anunciar, num comício, que se propunha reduzir, em cerca de 2 biliões de dólares, o total de cerca de 6 biliões de despesa federal. Perante estes números, uma de duas: ou a administração americana é um poço de desperdício ou a coisa não vai ser bonita de se ver.
Entretanto, pus-me a pensar o que aconteceria, por cá, se o Governo lançasse um repto semelhante a um painel de empresários: afinal, há tanta reclamação que talvez fosse uma boa ocasião para os desafiar a sugerir o que fazer, em concreto. Não temos, para o bem e para o mal, nenhum Musk, mas talvez se arranjasse um nome mais consensual, essencial para a eficácia do exercício (se não fosse meu amigo, sugeriria o de Luís Portela). O caderno de encargos não deveria ser focado no corte de custos, mas numa reestruturação da orgânica de funcionamento que ambicionasse a cortes de custos, mas também a ganhos de eficácia que poderia passar, mesmo, pela criação de novos serviços. Ao contrário da cultura americana, haveria compensações para eventuais cessações de contratos ou deslocações. Em comum com o que Musk propõe, a transparência no funcionamento desse painel seria total.
