
Artigo de opinião por Conceição Soares, docente da católica Porto Business School.
Após a Declaração de Bolonha, a formação superior que temos parece responder mais aos desafios económicos e políticos do que aos culturais. Será que a alternativa da universidade é a redução do ensino e do saber a critérios de eficácia? Longe vão os tempos em que a universidade vivia das questiones, questões estas que ajudavam a descortinar o mistério da realidade, principalmente o da existência humana. As questões e os debates consistiam na busca de sentido para uma realidade que nos excede, interpela e atrai. Hoje nada resta daquilo que foi a origem da universidade.
Quando, no século XVIII, W. Humboldt faz uma reforma da universidade, na qual a universidade de Berlim em 1809 serviu de modelo, procura inspiração nas universidades medievais. Aquilo que propunha era o facto de as universidades não deixarem nunca de assentar em valores e de serem comunidades intelectuais vivas orientadas para a procura crítica da verdade, mediante o encontro dos saberes e em diálogo entre eles.
