
Artigo de Opinião por João Pinto, diretor da Católica Porto Business School, e António Vasconcelos, da Planetiers New Generation.
O mundo enfrenta problemas interligados como alterações climáticas, poluição, perda de biodiversidade, secas, incêndios, intolerância e pobreza. A pandemia Covid-19 e as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente vieram expor fragilidades sistémicas, interrompendo cadeias de abastecimento e retraindo fontes de matérias-primas, o que revela a vulnerabilidade do nosso sistema económico. Nesse contexto de crises, a dependência excessiva de combustíveis fósseis e de produção externa agrava a escassez, a inflação e a desordem social. Torna-se urgente construir sistemas mais resilientes, focados em recursos locais, e redesenhar a economia de modo sustentável.
A União Europeia tem dado passos importantes ao impor regulamentos para reduzir impactos negativos, desde logo os derivados das emissões de gases de efeito de estufa e do uso dominante de combustíveis fósseis, mas isso não é suficiente. A sustentabilidade tem sido abordada de forma fragmentada, com foco em "fazer menos mal". O que sugere dar pequenos passos. Num momento em que cientistas nos mostram, de forma robusta, que seis dos nove sistemas planetários se encontram fora de limites seguros para a humanidade, o momento exige ir claramente mais longe: restaurar o equilíbrio natural do planeta com pensamento fortemente sustentável (“não fazer qualquer mal”) e perspetivar a reversão da situação, apostar em ser regenerativo. O desafio é criar uma economia global, mais inclusiva e estável, que prospere dentro dos limites sociais e ambientais.
