
O mercado imobiliário em Portugal não pára de quebrar recordes – o preço mediano das casas atingiu os 3.107 euros por metro quadrado em junho de 2026, acumulando cinco meses consecutivos de máximos históricos. Nunca se venderam casas tão caras. E, no entanto, num mundo onde tudo é supostamente digital, rápido e transparente, parece que recuámos ao passado quando o assunto é… saber quanto custa o imóvel.
Basta abrir o Facebook ou o Instagram e depararmo-nos com o fenómeno mais bizarro e sintomático da atualidade imobiliária: um anúncio com uma fotografia genérica (muitas vezes produzida por inteligência artificial) e, na caixa de comentários, um autêntico “chorrilho” de utilizadores a perguntar, em loop: “Qual é o preço?”, “Qual o valor?”. É uma pergunta simples, direta e a variável mais importante para 99,9% dos compradores. E, ainda assim, o vendedor ou a agência insiste em não a colocar. Porquê? Para gerar interação? Para criar uma falsa sensação de “exclusividade”? É estranho, é contraproducente e, acima de tudo, é profundamente ineficaz. Ao ocultar o preço, a imobiliária está a forçar o utilizador a mendigar por uma informação que devia ser de acesso público e imediato. O comprador não quer jogar ao jogo do “adivinha quanto custa”. Ele quer, num primeiro olhar, perceber se aquele imóvel cabe no seu orçamento. Se não couber, adeus, poupa-se tempo a ambos. Se couber, avança para a próxima fase.
