Inês Santoalha Carneiro é licenciada em Gestão pela Católica Porto Business School e co-fundadora da Mariaida Home. Sobre o seu percurso académico na Católica, afirma que foi um tempo de “conhecimento, descobertas e um trabalho intenso”. Dicas para se começar a empreender? “O mais importante é ser-se persistente, saber ouvir, saber adaptar-se e não ter medo de errar”. Projetos para o futuro? “Apostar em projetos ligados à inovação e sustentabilidade.”
É licenciada em Gestão pela Católica Porto Business School. O que é que mais a marcou durante o seu percurso académico?
Guardo muito boas memórias do meu percurso na Católica. Foi uma fase de crescimento, de muitas descobertas e trabalho intenso, mas também de amizades que perduram até hoje. Lembro-me bem do ambiente exigente, mas sempre com um grande apoio por parte dos professores, que nos desafiavam a pensar de forma diferente e a sair da nossa zona de conforto. Ainda hoje digo que a Católica não foi só exigente a nível académico, puxou-me também a nível pessoal.
Quais as principais competências adquiridas que têm sido fundamentais para o seu percurso profissional?
Além da base sólida em termos técnicos, diria que o que mais ficou foi a capacidade de pensar de forma crítica, de trabalhar em equipa e com diferentes personalidades (que é essencial no mundo do trabalho) e de comunicar com impacto, eu nunca fui uma pessoa de gostar muito de falar em público e ajudaram-me muito nesse sentido. Também aprendi a lidar com pressão e a manter o foco, o que é essencial no dia a dia de trabalho. A Católica ensinou-me a ter ambição, mas com responsabilidade.
É co-fundadora da Mariaida Home, um negócio da área do têxtil e da decoração. Porquê criar o seu próprio negócio e seguir o caminho do empreendedorismo?
Ter algo meu foi sempre um objetivo que tive, mesmo que de forma ainda um pouco vaga no início. Com o tempo, esse desejo e essa vontade foram crescendo, sobretudo quando entrei no mundo do trabalho e comecei a perceber melhor o que realmente queria. Foi aí que essa vontade se intensificou e se tornou o caminho natural a seguir para mim. A Mariaida Home começou quase como uma brincadeira entre mim, a minha irmã, que também tirou o curso de Gestão na Católica, e uma prima. Foi algo que foi crescendo naturalmente e, quando demos por ela, já estávamos a ter resultados muito bons e percebemos que havia ali um potencial real. Foi nessa altura que decidimos dedicar-nos a este projeto a tempo inteiro, focando-nos a 100% para fazer crescer a marca e a empresa, pois para além da marca Mariaida Home, produzimos para outros clientes de Private Label. Queríamos criar algo especial para o dia a dia das pessoas, que fosse além dos produtos comuns para casa. Decidimos focar-nos numa marca de produtos de qualidade para um público médio-alto, que valoriza design, funcionalidade e durabilidade. O nome é uma homenagem à nossa avó Aida, que simboliza para nós o padrão elevado que queremos manter em tudo o que fazemos.
“Guardo muito boas memórias do meu percurso na Católica.”
Quais os desafios que enfrentou ao lançar um projeto próprio?
No começo, não havia praticamente espaço para a vida social, trabalhava desde cedo até altas horas para dar conta de tudo, eramos apenas só nós e fazíamos tudo, desde tirar faturas, registar e embalar encomendas, ir a fornecedores, desenhar novas coleções, arranjar novos clientes, etc. Foi um período intenso, cheio de esforço e aprendizagem constante, mas, hoje, felizmente, já temos uma equipa com mais de 10 pessoas, já estamos estruturados e cada um desempenha a sua função. No início tivemos que ser multi-task literalmente. Os obstáculos eram imensos, um dos maiores foi conseguir fornecedores que aceitassem produzir pequenas quantidades, já que éramos uma marca nova e pequena, sem nome no mercado. Felizmente, hoje a situação mudou completamente, as quantidades já são grandes e são os próprios fornecedores que procuram trabalhar connosco. Para ultrapassar esses desafios, tive de ser muito persistente, manter a organização e contar sempre com o apoio das minhas sócias. Aos poucos, fomos conquistando o nosso espaço e ganhando confiança no mercado.
De que forma é que a formação em Gestão lhe deu uma base sólida para empreender com confiança?
A formação em Gestão deu-me uma base muito importante para perceber como funcionam os diferentes aspetos de um negócio, desde as finanças à gestão de equipas e estratégia. Isso ajudou-me a tomar decisões mais informadas e a enfrentar os desafios do empreendedorismo com mais segurança. Foi uma base sólida que me acompanhou desde o início e que continua a ser essencial no dia a dia.
Qual é o segredo para ser um bom empreendedor?
Para mim, o segredo para um bom empreendedor está na persistência e no trabalho duro. Não desistir é fundamental, mas, acima de tudo, é um caminho para quem é forte e resiliente. Empreender exige essa força para continuar, mesmo quando as coisas se complicam. Além disso, é essencial ter organização para gerir bem o tempo e os recursos, estar sempre aberto a aprender e a adaptar-se, e contar com uma boa rede de apoio pois ninguém consegue fazer tudo sozinho.
O que distingue a marca no mercado?
A resposta do público tem sido muito positiva e isso reflete-se diretamente no crescimento da marca. A empresa está a crescer exponencialmente e consequentemente a marca Mariaida Home também. Estamos a intensificar a nossa presença em mercados com maior poder de compra, como Espanha, Reino Unido, Itália, França, EUA e México. Desde que começámos, em 2023, a nossa faturação anual cresceu mais de 290% até 2024. Com o ritmo atual, prevemos fechar 2025 com cerca de 1,2 milhões de euros, o que representa um crescimento de mais de 380% face ao nosso primeiro ano. O que distingue a Mariaida é a combinação entre qualidade, design cuidado e atenção aos detalhes. Apostamos em produtos de qualidade pensados para um público exigente, que valoriza funcionalidade, estética e bom gosto. O nosso tipo de cliente gosta de uma atenção e cuidado especial e nós conseguimos manter uma relação próxima com os nossos clientes, o que também nos diferencia no mercado.
“Empreender dá trabalho, mas também pode ser muito gratificante.”
Planos para o futuro?
Neste momento, o nosso foco está em continuar a crescer de forma sustentada, consolidar a presença da Mariaida Home nos mercados internacionais através da presença em feiras para angariar mais clientes e reforçar a nossa posição no segmento médio-alto. Estamos a trabalhar na expansão da nossa gama de produtos, com especial atenção à linha de mobiliário e, também, a explorar novas colaborações que façam sentido com o nosso posicionamento. No futuro, gostava de apostar em projetos ligados à sustentabilidade e inovação, como o desenvolvimento de coleções com materiais mais amigos do ambiente. Também vejo potencial em criar experiências que envolvam diretamente o cliente, como workshops ou eventos relacionados com design e lifestyle.
Que conselhos deixaria a um estudante de Gestão da Católica que sonha criar o seu próprio negócio?
Inicialmente diria para aproveitar tudo o que se aprende na Católica e aplicá-lo de forma prática. Se tem essa vontade, diria para começar o quanto antes, mesmo que seja em pequena escala ou como projeto paralelo. Não há um momento perfeito e, muitas vezes, aprende-se mais a fazer do que a planear. O mais importante é ser-se persistente, saber ouvir, saber adaptar-se e não ter medo de errar. E se correr mal, não faz mal, a experiência é conhecimento. Empreender dá trabalho, mas também pode ser muito gratificante.
