X

Maria Barros: “O Direito tem o lado humanista que eu procurava.”

Maria Barros é estudante do 4º ano da licenciatura de Direito da Faculdade de Direito – Escola do Porto da Universidade Católica Portuguesa. Participou em programas internacionais como o Erasmus em Madrid e esteve envolvida em vários projetos de voluntariado e inclusão social. O Direito não foi uma escolha imediata, mas depressa se tornou um caminho claro, sobretudo pelo seu lado humanista e pelo potencial de transformar vidas. Nesta entrevista, fala-nos do que a motiva no Direito, das experiências que marcaram o seu percurso académico e da importância do voluntariado na sua vida.

 

É estudante do 4º ano de Direito. Porquê a escolha deste curso?

A minha escolha pelo curso de Direito não foi imediata. Comecei a considerar o Direito porque percebi, após alguma pesquisa e reflexão, que era uma opção abrangente, com várias saídas profissionais. Rapidamente percebi também que o Direito tem o lado humanista que eu procurava.

 

É esse lado humanista que mais a fascina no Direito?

Precisamente. Interessa-me, sobretudo, a forma como o Direito pode ser uma ferramenta de proteção dos direitos humanos e de promoção da dignidade das pessoas, tanto a nível nacional como internacional.

 

Quais são os seus planos para o futuro?

O meu objetivo para um futuro próximo é fazer um mestrado em Direito Internacional e Direito Europeu. Gostava também de ter a oportunidade de estagiar numa ONG ou numa organização internacional, como o ACNUR ou a União Europeia, ou até em instituições ligadas à diplomacia, como o Ministério dos Negócios Estrangeiros. Interessa-me, acima de tudo, a interseção entre o Direito, os direitos humanos e as relações internacionais. É nessa área que me imagino a trabalhar, contribuindo para projetos com impacto real.

 

Como descreve o ambiente vivido na Universidade Católica?

A Católica é uma ótima universidade para estudar. Não só pelo ensino de excelência, que justifica o prestígio da instituição, mas também pelo bom ambiente que se sente no dia a dia. Além disso, a Universidade proporciona-nos a oportunidade de integrar várias organizações e viver experiências que tornam a licenciatura muito mais completa.

 

“A sociedade percebe que o impacto da ação social não se vê apenas nas vidas que são ajudadas, mas também, e talvez sobretudo, nas vidas de quem ajuda.”

 

No 3.º ano participou no programa Erasmus, em Madrid. Que recordações guarda dessa experiência?

Foi uma experiência muito marcante. Estive quatro meses a viver e a estudar em Madrid. A Universidad Carlos III, onde estudei, é atualmente uma das melhores faculdades de Direito da cidade, e eu tive oportunidade de o comprovar. Quanto à cidade, Madrid surpreendeu-me do início ao fim da estadia. É uma cidade vibrante, cheia de coisas para fazer e visitar, com um ambiente fantástico tanto de dia como de noite. Conheci pessoas incríveis, algumas das quais continuam a fazer parte da minha vida. Tive momentos inesquecíveis e cresci muito como pessoa.

 

Ao longo do seu percurso académico tem estado envolvida em várias iniciativas de voluntariado. Que importância tem o voluntariado na sua vida?

O voluntariado sempre esteve presente na minha vida, mas desde que entrei para a Universidade tornou-se muito mais consistente. No primeiro ano comecei na CASO, a fazer voluntariado no Centro Social da Foz, onde apoiava nas aulas de música para pessoas mais velhas. Mais tarde, passei para a Somos Nós, uma associação que trabalha com pessoas com deficiências cognitivas e de desenvolvimento, e desde então nunca mais saí. Para mim são já uma família — sempre que lá vou, sinto-me recebida como em mais nenhum lugar. No verão de 2023, participei, através do projeto FLY, num programa de voluntariado em Bilbao, na Fundación Fidias. Apoiei as atividades de férias de verão das crianças da comunidade, através das artes e do desporto. Foi uma experiência intensa, mas que me deu muitas ferramentas para a vida. O voluntariado é, sem dúvida, indispensável para mim.

 

De que forma é que a CASO tem marcado a sua formação?

A CASO foi muito importante na minha integração na faculdade. Permitiu-me conhecer várias pessoas e foi uma verdadeira alavanca para o voluntariado universitário. Tenho a certeza de que, sem a CASO, não teria vivido metade das experiências que tive. Acredito que, cada vez mais, a sociedade percebe que o impacto da ação social não se vê apenas nas vidas que são ajudadas, mas também, e talvez sobretudo, nas vidas de quem ajuda. É exatamente isso que sinto sempre que faço voluntariado.

 

“A universidade é uma fase determinante no nosso desenvolvimento.”

 

Integra o projeto Peer2Peer. Em que consiste e qual é o seu papel?

O Peer2Peer é um projeto de preparação para o mercado de trabalho dirigido a estudantes universitários e a pessoas com deficiência. Funciona em pares — um aluno e um candidato — e inclui workshops, em grupo, e sessões one-to-one. O objetivo é disponibilizar ferramentas para um maior autoconhecimento e para a preparação para o mercado de trabalho, tanto para os alunos como para as pessoas com deficiência. Queremos motivar, abrir portas e contribuir para uma sociedade mais inclusiva, ao mesmo tempo que sensibilizamos as gerações mais novas para esta realidade. Participei na primeira edição do projeto e, este ano, voltei a integrar a equipa, agora com o dobro da responsabilidade, no papel de project manager da edição de Direito. Recomendo vivamente! Se ainda não ouviram falar do Peer2Peer: venham experimentar!

 

Que papel acredita que os jovens universitários devem ter na construção de uma sociedade mais justa e solidária?

A universidade é uma fase determinante no nosso desenvolvimento. É um tempo de aprendizagens e de primeiros contactos com a vida adulta. Por isso, é fundamental envolvermo-nos na sociedade, para ganharmos uma visão completa do mundo que nos rodeia. Temos de aprender a canalizar a nossa energia em prol do bem comum. Nós somos os “líderes do futuro” e é essencial que esses líderes saibam reconhecer injustiças, perceber que nem todos têm as mesmas oportunidades ou condições de partida, e, a partir daí, serem solidários com quem os rodeia. O objetivo deve ser sempre deixar o mundo um pouco melhor do que aquele que encontrámos.

 

“Tento aproveitar ao máximo cada momento para cada tarefa.”

 

Entre aulas, CASO, Peer2Peer e outros projetos, como consegue gerir o seu tempo?

Acredito que, quando se tem vontade, tudo se consegue - é uma questão de saber gerir bem o tempo. Tento aproveitar ao máximo cada momento para cada tarefa. Durante oito anos fui atleta federada de voleibol, com treinos quase diários e jogos aos fins de semana, e isso obrigou-me a aprender a organizar a minha vida. Claro que abdiquei de algumas coisas, mas percebi que era possível manter o essencial da vida académica e social e, ao mesmo tempo, dedicar-me ao que mais gostava. Quando entrei para a faculdade, deixei o voleibol, mas senti necessidade de me manter ativa. Foi então que canalizei essa energia para os projetos em que hoje participo.

 

 

02-10-2025