
Arménio Rego, docente da Católica Porto Business School.
Existe, em cada ser humano, um anjo e um demónio. Na vida económica, a personalidade destas duas criaturas pode adquirir particular vigor. Não será a digitalização da economia a mudar esta natureza das coisas. Portanto, convém não romancear esse novo fenómeno, designadamente o da gig economy.
Várias plataformas digitais propalam uma narrativa cor-de-rosa que descreve os trabalhadores como empreendedores capazes de concretizar sonhos fora do jugo do chefe. À luz dessa narrativa, as plataformas limitam-se a conectar clientes e prestadores de serviços – para benefício mútuo. Alega a história assim contada que estes prestadores não são empregados – são, antes, empreendedores independentes.
