
Artigo de Opinião por Arménio Rego, Docente da Católica Porto Business School.
As vítimas inocentes da crueldade humana. As tragédias migratórias vividas por quem procura uma vida melhor. Os refugiados. A xenofobia e o racismo. Os despedimentos selvagens. As lideranças tóxicas. As discriminações de toda a ordem. A amargura de quem nasce em meio familiar problemático e não dispõe de meios para investir na educação nem vislumbra forma de encontrar vida digna. A pobreza herdada. O trabalhador cuja remuneração não lhe permite abandonar a pobreza. Apesar de toda a evidência, muitos de nós acreditam piamente que o mundo é justo – que recebemos o que merecemos, e que merecemos o que recebemos.
“A crença num mundo justo” é, em medida considerável, uma ilusão, ou uma falácia, amplamente estudada ao longo de dezenas de anos por investigadores das áreas da psicologia, da justiça social, e das organizações. Os resultados mostram que a crença exerce um efeito poderoso na forma como encaramos as justiças e as injustiças, as nossas e as dos outros, em múltiplos domínios da vida. A pesquisa mostra também que a crença num mundo justo é, em grande medida, imune aos factos e que apenas circunstâncias dramáticas e duradouras (e.g., desemprego de longa duração; uma guerra) conduzem ao seu desmoronamento.
