
Artigo de Opinião por Alberto Castro, docente da Católica Porto Business School
Quando The Economist, uma revista insuspeita, escolhe para palavra do ano “caquistocracia”, isto é, o governo dos piores, razão deve ter. A redação admite que a lista dos primeiros nomeados, por Donald Trump, para o governo e outros altos cargos, influenciou a decisão. Tudo não passaria de uma curiosidade não fora tratar-se da democracia, e economia, mais importantes do mundo: colocar a dirigi-la cidadãos pouco escrupulosos e ainda menos qualificados, não é um bom augúrio. A mistura tende a tornar-se explosiva quando se lhe soma um tecnolibertário, todo-poderoso e sem pudor, e o histórico do primeiro mandato de Trump. “Might is right” é o lema. Para já, a julgar pelas sondagens, os americanos aprovam a aposta. 2025 promete…
Na verdade, sobram mais perguntas que respostas. Cumprirá Trump a ameaça protecionista? Ou prevalecerá a lógica que sujeita aos interesses comerciais a política externa? Neste caso, o que tem a Europa para oferecer? A proverbial habilidade negocial de António Costa talvez nos venha a ser muito útil. A questão geopolítica central será, porém, a relação EUA-China. Como atuarão os americanos perante a postura militar chinesa, mais agressiva que aquando do primeiro mandato de Trump? Manterá este a ameaça de impor uma taxa de 60% nas importações da China, avançando para o desemparelhamento das duas economias e os riscos inerentes? Ou, como algumas declarações recentes parecem sugerir, a sua costela mercantil prevalecerá, mesmo que à custa dos tradicionais aliados? Ou…
