É estudante da licenciatura em Ciências e Sociedade. Porquê a escolha desta licenciatura?
O que me atraiu na licenciatura em Ciências e Sociedade foi a possibilidade de compreender como a ciência se relaciona com a sociedade, a tecnologia, a ética, o ambiente e a tomada de decisão. Pareceu-me um curso muito diversificado face aos existentes no mercado, permitindo desenvolver uma visão abrangente, multidisciplinar e completa dos problemas atuais da sociedade e do mundo e preparar-me para encontrar soluções que tenham impacto na vida das pessoas.
Está, atualmente, no 3º e último ano da licenciatura. O que é que tem sido mais surpreendente ao longo deste percurso?
A diversidade das unidades curriculares e a forma como estão interligadas. No início pareceu estranho estudar biologia, programação, psicologia, direito e filosofia, tudo integrado no mesmo curso, mas rapidamente percebi que cada área acrescenta uma perspetiva diferente para analisar um mesmo problema. Também me surpreendeu a proximidade entre professores e alunos, o que tornou a adaptação e a aprendizagem muito mais fácil. De igual forma, tem sido muito enriquecedor ter, em cada uma das disciplinas, colegas de diversos cursos.
“A interdisciplinaridade é o que melhor define esta licenciatura. O curso prepara profissionais capazes de compreender problemas complexos através de diferentes perspetivas”
Como é estudar simultaneamente áreas tão diferentes?
É desafiante, mas muito enriquecedor. Obriga-me a sair constantemente da minha zona de conforto e a desenvolver diferentes formas de pensar. Num dia estou envolvido a resolver problemas científicos, noutro a discutir questões éticas ou a analisar comportamentos humanos. Essa variedade ajudou-me a ganhar capacidade de adaptação, pensamento crítico e uma visão muito mais abrangente da realidade.
O que é que se aprende com a diversidade?
Aprende-se que nenhum problema importante pode ser resolvido apenas por uma só área de conhecimento.
A interdisciplinaridade é mais essencial que nunca?
Sim! E a interdisciplinaridade é o que melhor define esta licenciatura. Em vez de formar especialistas numa única área, desde o primeiro dia, este curso prepara profissionais capazes de compreender problemas complexos através de diferentes perspetivas. Isso torna-nos mais preparados para trabalhar em equipas multidisciplinares, comunicar com profissionais de várias áreas e adaptar-nos a diferentes desafios ao longo da carreira.
“Gostava de contribuir para o desenvolvimento de soluções que reduzam o impacto ambiental e promovam uma utilização mais eficiente dos recursos”
O curso tem, também, uma grande componente prática. Há algum projeto que o tenha marcado de forma particular?
Destaco a unidade curricular de Microbiologia Ambiental, pelo projeto que desenvolvi ao longo do semestre com um colega. Foi um dos momentos que mais me marcou no curso, porque foi a primeira vez que desenvolvi um projeto praticamente de raiz e numa área completamente nova para mim. As professoras estavam sempre disponíveis para orientar e esclarecer dúvidas, mas todo o trabalho de pesquisa, planeamento, desenvolvimento e apresentação foi feito por nós.
Essa autonomia obrigou-nos a pensar de forma crítica, a procurar informação científica, a tomar decisões e a resolver problemas ao longo do projeto. Foi um desafio, mas também uma experiência muito gratificante. No final, senti que tinha aprendido muito mais do que apenas os conteúdos da disciplina, porque desenvolvi competências de organização, trabalho em equipa e investigação que sei que serão úteis no futuro.
É piloto profissional. Como é que concilia os estudos com o automobilismo de competição?
Sou piloto e participo no Campeonato Caterham Motorsport Iberia, uma experiência que exige muito trabalho e dedicação dentro e fora da pista. Conciliar uma época de competição com a universidade obriga-me a desenvolver uma boa capacidade de organização, disciplina e gestão do tempo. Há fins de semana em que estou a competir noutro país e, ao mesmo tempo, tenho de garantir que acompanho as aulas, entrego trabalhos e mantenho o ritmo académico.
O que é que se aprende com o automobilismo e com o desporto de competição?
Mais do que um desporto, o automobilismo tem sido uma escola de crescimento pessoal. Ensinou-me a lidar com a pressão, a aprender com os erros, a trabalhar em equipa e a procurar constantemente evoluir. Sinto que estas competências acabam por se refletir também no meu percurso académico e na forma como encaro os desafios do dia a dia.
Qual é a sua principal área de interesse?
Tenho um interesse especial pelas áreas da sustentabilidade e acredito que esse é um dos maiores desafios da atualidade. Gostava de contribuir para o desenvolvimento de soluções que reduzam o impacto ambiental e promovam uma utilização mais eficiente dos recursos, tornando as atividades humanas mais sustentáveis. Dentro da sustentabilidade, tenho um interesse particular pela economia circular e pela forma como é possível reaproveitar recursos, reduzir desperdícios e criar sistemas mais eficientes. Também gostava de contribuir para o combate às alterações climáticas, através do desenvolvimento e implementação de soluções ligadas às energias renováveis, à eficiência energética ou a outras tecnologias que permitam diminuir as emissões e tornar a sociedade mais sustentável. Acredito que a ciência e a inovação têm um papel fundamental nestes desafios e gostaria de poder fazer parte dessa mudança no futuro.
Planos para o futuro?
Pretendo continuar a desenvolver a minha carreira no automobilismo e o meu objetivo é chegar ao mais alto nível possível da competição automóvel. Ao mesmo tempo, quero estar ligado às áreas da ciência e da inovação, aplicando os conhecimentos adquiridos na universidade em projetos relacionados com sustentabilidade, tecnologia e engenharia. Acredito que é possível conciliar estas duas paixões!