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Fórum de Ética da Católica Porto Business School debateu “Ética e Diversidade Geracional no Trabalho”

“Equipas multigeracionais melhoram a produtividade? Os 50 anos trazem novas preocupações no trabalho? Há diferenças entre gerações face à idade percecionada e idade real? O que é que cada geração valoriza mais no local de trabalho? As diferentes gerações sabem o que é o “idadismo”?”

Estas foram algumas das questões debatidas durante a Conferência Anual do Fórum de Ética da Católica Porto Business School (CPBS), realizada a 17 de outubro. Durante a sessão, Helena Gonçalves e Susana Magalhães, apresentaram os primeiros resultados do estudo anual do Fórum de Ética sobre “Ética e Diversidade Geracional no Trabalho”.

Entre os dados preliminares apresentados, as respostas recolhidas entre os participantes revelaram, por exemplo, que a maioria dos jovens adultos (18 a 24 anos) sente pressão para mostrar o que vale em virtude da sua idade (70%). Já nas pessoas com mais de 60 anos, quase metade (43%) tem trabalhado com mais empenho para superar as expectativas que as pessoas têm de si, enquanto representantes de uma dada geração.

Helena Gonçalves, coordenadora Fórum de Ética e uma das coordenadoras do estudo, ressalvou que “O estado da arte desta temática mostra-nos que não é incomum existirem estereótipos, preconceitos e discriminação em relação a pessoas com maior idade, mas também em relação aos mais jovens”.

Por sua vez, Susana Magalhães, também coordenadora do estudo, relembrou “Este é um tema que tem especial relevo na sociedade, tendo em conta, por exemplo, o aumento da idade de reforma e que estamos em plena «Década do Envelhecimento Saudável»”.

A sessão contou ainda com a intervenção de Piet Naudé, Professor de Ética e ex-Director da Stellenbosch Business School sobre "Key ethical considerations to optimise the institutional value of generational diversity" e de Luísa Lopes, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, da Faculdade de Medicina de Lisboa, sobre “A diversidade geracional na perspetiva da longevidade e envelhecimento saudável - factos científicos e contributos dos estudos em neurociências”.

Alberto Castro, professor catedrático convidado da CPBS e Diretor não executivo do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada, moderou a mesa redonda dedicada ao tema “Ética e Diversidade Geracional no Trabalho: Perspetivas em Diálogo”, onde participaram Ana Damião, Compliance Manager na Delta Cafés, Adelaide Martins, Assessora do Conselho de Administração da Ascendi, Marisa Garrido, vogal do Conselho Diretivo do IAPMEI e Eduardo Paz Ferreira, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e autor de "Devo Fechar a Porta? - Tempos de Idadismo e Outros Ismos".

A sessão contou ainda com a abertura de Rui Soucasaux Sousa, Diretor da Católica Porto Business School e o encerramento de Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa.

A Conferência Anual foi uma das iniciativas do Fórum de Ética da Católica Porto Business School para assinalar o Global Ethics Day, celebrado este ano a 18 de outubro.

O Fórum de Ética da Católica Porto Business School é um espaço de encontro e reflexão sobre ética organizacional que tem como objetivo promover a ética empresarial através da troca de experiências, da reflexão conjunta e da criação e partilha de conhecimento e que tem como empresas patrocinadoras o Grupo Ageas, a Bial, a Critical Software, a EDP, a Lipor e o Grupo Super Bock.

 

19-10-2023

Católica integra primeiro Laboratório Sino-Português de Ciências Marinhas e Ambientais

O primeiro Laboratório Conjunto Sino-Português de Ciências Marinhas e Ambientais resulta de um acordo de cooperação China-Portugal nas áreas das ciências marinhas e ambientais entre o Institute of Science and Environment of the University of Saint Joseph (ISE-USJ), o Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa (CBQF-UCP), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Institute of Oceanology, Chinese Academy of Sciences (IOCAS). Um projeto financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China (MOST), cuja cerimónia de lançamento se realizou a 11 de outubro, no campus da Ilha Verde da Universidade de São José, em Macau.

Manuela Pintado, diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa (CBQF/ESB/UCP) no Porto e coordenadora do projeto em Portugal, explica que “se espera que a investigação conjunta contribua para melhorar a saúde dos ecossistemas marinhos e apoiar a economia azul do futuro na China e em Portugal.” O Laboratório Conjunto Sino-Português de Ciências Marinhas e Ambientais desenvolve-se em quatro eixos principais de investigação: Alterações nos ecossistemas, incluindo a acidificação dos oceanos e os processos biogeoquímicos globais; Catástrofes ecológicas, nomeadamente a proliferação de algas nocivas; Desenvolvimento da maricultura, incluindo a otimização de práticas sustentáveis para a aquicultura; e Utilização de bio recursos, designadamente a identificação de novas moléculas de organismos marinhos com potenciais benefícios para os seres humanos.

O projeto pretende também estabelecer um sistema estável de visitas e intercâmbios científicos mútuos, formação, desenvolvimento de investigação, partilha de instalações e equipamentos de investigação e organização de eventos científicos e de inovação, promovendo a consolidação de uma plataforma abrangente sino-portuguesa de ciência e tecnologia marinha e ambiental. “Prevê-se que o laboratório promova inovação na cooperação científica e tecnológica marinha e ambiental entre a China e Portugal e apoie a futura cooperação China-Europa nestas áreas,” refere Manuela Pintado, acrescentando “o projeto não só tem um valor científico importante, como também traz benefícios diplomáticos, socioeconómicos e ambientais significativos.

 

Fomentar a cooperação científica entre Portugal e a China, através de Macau

O Laboratório Conjunto Sino-Português de Ciências Marinhas e Ambientais tem como objetivos gerais fomentar a cooperação científica entre Portugal e a China, através de Macau, nos domínios das ciências marinhas e ambientais, promovendo o desenvolvimento de uma economia azul sustentável para o futuro. Resultado de um protocolo de acordo assinado entre o ISE-USJ, o CBQF-UCP, o IPMA e o IOCAS para o desenvolvimento da cooperação nas áreas das ciências marinhas e ambientais.

O Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa detém capacidades excecionais na investigação e desenvolvimento de biotecnologia marinha, com incidência na valorização dos recursos biológicos marinhos e no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a utilização de produtos marinhos,” reitera Manuela Pintado.

O IPMA é o único laboratório em Portugal dedicado à investigação em ciências e tecnologias marinhas e atmosféricas, com extensas instalações para a investigação marinha em Portugal Continental, Açores e Madeira. O ISE centra-se no estudo da fisiologia e do comportamento dos organismos marinhos num cenário de alterações globais e de pressões antropogénicas e na conservação dos ecossistemas costeiros. Com um historial de cooperação a longo prazo com equipas de investigação da China Continental e de Portugal, o ISE está familiarizado com os sistemas de investigação científica e de gestão de ambas as partes e está em condições de explorar plenamente o papel de Macau como ponte para a cooperação sino-portuguesa.

A cerimónia de lançamento do projeto foi presidida por representantes das quatro instituições parceiras, incluindo Stephen Morgan (Reitor do USJ), Isabel Capeloa Gil (Reitora da UCP), Fan WANG (Diretor do IOCAS), David Gonçalves (Presidente do ISE-USJ), Narcisa Bandarra (representante do IPMA), Manuela Pintado (Diretora do CBQF-UCP) e Rencheng YU (coordenador do projeto, do IOCAS). O evento contou também com a presença de convidados como Yanwei Li, Libin Zhang, Delin Duan, Liqin Duan e Huixia Geng (professores do IOCAS), professor Filipe Porteiro (Universidade dos Açores - UAc), Keith Morrison, Zhang Shuguang e Teresa Loong (os vice-reitores do USJ), Thomas Lei e Karen Tagulao do ISE, colaboradores, estudantes e investigadores do USJ. A cerimónia de arranque teve lugar na manhã de 11 de outubro no Auditório Don Bosco do campus da Ilha Verde da Universidade de São José.

O Laboratório Conjunto Sino-Português de Ciências Marinhas e Ambientais é financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China (MOST) para que o IOCAS, a unidade líder do projeto e atualmente uma das maiores e mais abrangentes instituições de investigação oceanográfica na China, reúna os pontos fortes da China e de Portugal no domínio das ciências marinhas para realizar investigação em cooperação.

18-10-2023

Outubro Rosa: UCP unida na luta contra o cancro da mama

A Universidade Católica Portuguesa associa-se à iniciativa Outubro Rosa, com o objetivo de sensibilizar a sua comunidade académica para a prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama. Numa campanha de âmbito nacional, a UCP realiza várias atividades de sensibilização e de angariação de fundos para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a partir de 18 de outubro.

Durante o mês de outubro, a UCP disponibiliza informação nos seus quatro campi sobre os fatores de risco associados ao cancro da mama e recomendações para a prevenção e o diagnóstico precoce desta doença. Simultaneamente, organiza uma angariação de fundos a nível nacional, podendo a comunidade participar através de donativos a entregar nas caixas identificadas localizadas nos bares, refeitórios, livrarias e papelarias.

Criado nos Estados Unidos da América, nos anos 90, o movimento “Outubro Rosa” (Pink October) tem como objetivo inspirar a mudança e mobilizar a sociedade para a luta contra o cancro da mama. Por isso, a cor rosa é utilizada para sensibilizar para a prevenção e diagnóstico precoce, apoiar a investigação nesta área e homenagear as mulheres com cancro da mama.

O cancro da mama é um relevante problema de saúde pública, sendo o cancro mais prevalente em Portugal e no mundo. Embora a maioria dos casos ocorra em mulheres com mais de 50 anos, cerca de 1 em 100 afeta homens. Vários fatores de risco, como idade, histórico familiar, alterações genéticas, excesso de peso, tabagismo, consumo de álcool, início precoce da menstruação e menopausa tardia, estão associados ao desenvolvimento do cancro da mama. O diagnóstico precoce é crucial, uma vez que oferece uma taxa de cura superior a 90% e melhora a qualidade de vida.

 

Mais informação aqui

18-10-2023

From sugarcane to skin: lignin as a cosmetic ingredient

17-10-2023

Universidade Católica participa na Assembleia Estratégica anual Transform4Europe pelo 2.º ano consecutivo

De 4 a 6 de outubro de 2023, a Universidade Católica Portuguesa (UCP) participou pelo 2.º ano consecutivo na Assembleia Estratégica anual da Aliança Universitária Transform4Europe (T4Europe), da qual a UCP é membro desde 2022, e que decorreu na Saarland University, em Saarbrücken, Alemanha.

Isabel Vasconcelos e Peter Hanenberg, Vice-Reitores da UCP, Francisco Mendes-Palma, Diretor de Global Engagement, Maria Lopes Cardoso, Diretora de Parcerias, Alumni e Empregabilidade do Centro Regional do Porto, João Cortez, Diretor do Research and Innovation Office, Ana Fabíola Maurício, Diretora Executiva da CADOS, Cláudia Catanho, Gestora de Ciência, e Beatriz Bernardes, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina, compuseram a delegação da Católica neste encontro.

Esta foi a 2.ª vez que a UCP participou na Assembleia, tendo já marcado presença no ano de 2022, com uma delegação acompanhada por duas estudantes da Católica que participaram na reunião do Students’ Council.

Na edição deste ano, celebraram-se os resultados dos primeiros três anos da Aliança e o início de um novo ciclo. A par da conferência inaugural subordinada ao tema “Valores partilhados para um futuro partilhado”, o encontro ficou marcado pelo debate, entre peritos europeus, de elementos da identidade europeia, bem como pela discussão dos temas centrais da Aliança em diferentes workshops, e ainda o Science Slam.

Já no dia 5 e 6 de outubro, as reuniões dos órgãos institucionais da Aliança e dos diferentes grupos de peritos permitiram debater questões estratégicas, desenvolver novas ideias e reforçar a rede T4Europe.

Esta assembleia anual constitui uma plataforma de intercâmbio e discussão entre todos os grupos envolvidos na Aliança Universitária Transform4Europe – estudantes, docentes, staff e parceiros externos.

16-10-2023

António Ramalho destaca a importância das soft skills durante a sessão oficial de abertura dos mestrados da CPBS

No âmbito do “All Aboard 23/24”, o programa de acolhimento aos novos alunos de mestrado, realizou-se esta quinta-feira, dia 12 de outubro, a Sessão Oficial de Abertura com um convidado especial: António Ramalho, antigo aluno da Universidade Católica Portuguesa, ex-CEO do Novo Banco e de outras grandes empresas portuguesas e atual Senior Advisor e Industry Fellow da Católica Porto Business School (CPBS).

A abertura da sessão ficou a cargo de Gonçalo Faria, Diretor Adjunto para os Mestrados, Formação Executiva e Engagement da CPBS que, entre outros pontos, relembrou a aposta permanente da escola num ensino de qualidade e de proximidade às empresas e organizações. E que esta mesma aposta, para além da elevadíssima empregabilidade dos alunos que concluem os seus estudos na escola, tem sido reconhecida também por entidades externas: “Os mestrados desempenham um papel muito importante naquilo que é a estratégia formativa da escola e a prova disso é o número de alunos matriculados que tivemos este ano bem como três dos nossos mestrados estarem agora cotados entre os melhores do mundo."

António Ramalho, na conversa com os alunos, foi destancando diversos pontos. E reforçou a importância das soft skills: “Sucesso, sim ou não? Sim, mas se compreenderem que soft skills necessitam para fazerem o vosso trabalho e para chegar mais longe. As ferramentas teóricas que aprendem não são tudo.”

A capacidade de tomada de decisão foi uma das soft skills mais destacadas ao longo do seu discurso, referindo mesmo que: “A tomada de decisão é uma soft skill crucial, ser capaz de tomar a decisão certa no momento certo, especialmente em tempos de crise”, relembrando ainda que  saber gerir tem tudo a ver com não ter medo de decidir e saber resolver dilemas.

António Ramalho encerrou o seu discurso motivando os alunos a tirar o máximo proveito da aprendizagem que a Católica Porto Business School oferece: “Daqui a 10 ou 20 anos alguns de vocês estarão no topo. A minha geração, por exemplo, não foi capaz de decidir onde construir um aeroporto, nem de resolver os problemas da Segurança Social. Mas é para isto que aqui na CPBS vos estamos a formar. Para terem capacidade de tomarem as grandes decisões, as que fazem a diferença.”

A sessão contou com a presença dos alunos dos mestrados da Católica Porto Business School em Auditoria e Fiscalidade, Business Economics, Finance, Gestão de Recursos Humanos, Gestão e Marketing.

Recentemente, três destes mestrados - Gestão, Finanças e Marketing – entraram para o QS Business Master’s Rankings, um dos rankings mundiais mais influentes e que distinguem os melhores programas de mestrado do mundo. Na avaliação dos três cursos, a escola distinguiu-se em indicadores como a diversidade de estudantes e docentes, o impacto da investigação desenvolvida e o nível salarial atingido pelos graduados em início de carreira.

16-10-2023

Faculdade de Educação e Psicologia assinala Dia Mundial da Saúde Mental no campus Porto da Católica

Consciencializar para a importância da saúde mental foi o grande objetivo que motivou a celebração do Dia Mundial da Saúde Mental pela Faculdade de Educação e Psicologia (FEP) e pela Clínica Universitária de Psicologia (CUP) com uma atividade para toda a comunidade da UCP Porto.

Afonso Pinheiro, membro da organização da iniciativa e estudante do 2.º ano do Mestrado em Psicologia e estagiário na CUP, explica que “para esta iniciativa, preparámos uma caixa com vários papéis e, em cada um, colocámos uma mensagem relacionada com saúde mental e bem-estar. Convidámos as pessoas a tirar um papel e a partilhar a mensagem com outras, caso se identificassem”.

Com o mote “Tira um papel e leva-o contigo! Reflete sobre a mensagem: Cuida da tua saúde mental!”, a atividade decorreu no átrio principal do campus da Católica no Porto e vem demonstrar a importância crescente que este tema tem vindo a assumir na FEP e na CUP.

“Ao assinalarmos este momento, permitimos que as pessoas reflitam sobre o tema. É necessário lembrar que os nossos problemas não nos definem. Temos todo um potencial para alcançar independentemente dos problemas que nos surgem”, acrescenta Maria Costa, estudante do 2.º ano do Mestrado em Psicologia e estagiária na UCP, também envolvida na implementação da atividade.

O Dia Mundial da Saúde Mental assinala-se, anualmente, a 10 de outubro. Este ano de 2023, o tema é “A saúde mental é um direito humano universal” (“Mental health is a universal human right”). Esta data foi criada em 1992 pela Federação Mundial da Saúde Mental (World Federation for Mental Health) com o objetivo de combater o preconceito, o estigma e de promover o conhecimento público sobre saúde mental.

13-10-2023

Carlos Lobo: “A Arte é o espelho da alma”

Carlos Lobo é docente da Escola das Artes, fotógrafo e músico. Nasceu em Guimarães, em 1974, e recorda uma infância muito rica em memórias felizes e histórias de cowboys. Começou por estudar Línguas e só mais tarde é que descobre a Fotografia. Uma Pentax K1000 foi a sua primeira “máquina de guerra”. Atualmente, é o coordenador do Mestrado em Fotografia, curso pensado “não apenas no lado mais técnico, mas, também, na dimensão mais conceptual da Fotografia”. Enquanto professor, o que mais o marca é a possibilidade de “acompanhar o percurso dos seus alunos” e saber que “contribuiu para que descobrissem a sua paixão”.

 

O que é que o move?

Gosto muito da vida, tenho uma paixão grande por viver. Somos uns afortunados por estar aqui e por podermos respirar. Todos os dias é uma espécie de um dia a menos…

 

O que é que a Fotografia representa na sua vida?

A Fotografia, para mim, é uma forma de olhar o mundo. É uma forma de dar atenção às pequenas coisas. A vida é feita destas pequenas coisas e a Fotografia permite-nos olhar com mais atenção para o que nos rodeia. Se calhar, vai chegar uma altura em que já não vou precisar de fotografar, porque as memórias me vão bastar, mas, para já, a Fotografia continua a ser a forma que tenho de fixar essas imagens.

 

Quais são as suas principais memórias de infância?

Sou uma criança nascida em Guimarães, em 1974. Felizmente, não havia a tecnologia que há hoje. Tive uma infância marcada por brincar na rua, muitas corridas e muitos momentos em casa dos meus avós paternos. O meu avô tinha uma padaria que, na altura, nos parecia gigantesca, era um verdadeiro forte para brincadeiras de cowboys e índios. Foi uma infância muito rica. 

 

Só sai de Guimarães quando vai para a Universidade …

Sim, vou para Aveiro para estudar Letras. Quando terminei o curso, iniciei a minha atividade como professor de inglês. Depois de três anos, decido que quero mudar. Sentia que queria algo diferente e, como já tinha uma paixão grande por Fotografia, optei por investir nesta área e fui fazer uma nova licenciatura.

 

Como é que surge o seu gosto pela Fotografia?

Surge por causa de uma ligação à música. Sempre gostei imenso de música, nomeadamente a chamada música alternativa. Muitas dessas bandas estão associadas, também, a um determinado tipo de imagem, a um determinado tipo de movimentos artísticos. Tudo estava ligado. O gosto pela música era, também, um gosto estético pelo look das bandas e pela capa dos discos.

 

Qual foi a sua primeira máquina fotográfica?

A primeira máquina que tive foi uma Pentax K1000, um clássico, uma verdadeira máquina de guerra. Mas já foi uma aquisição tardia, porque só comecei a interessar-me mais seriamente por Fotografia quando comecei o curso.

 

“O mestrado foi desenhado a pensar não apenas no lado mais técnico da fotografia, mas, também, na dimensão mais conceptual.”

 

Depois de terminar a sua licenciatura vai para Inglaterra.

Vou para Inglaterra para me conseguir especializar mesmo em Fotografia, uma vez que a licenciatura tinha sido demasiado abrangente. Fui fazer o mestrado na Goldsmiths e é aí que, realmente, começo a investir na Fotografia, enquanto prática artística.

 

É coordenador do Mestrado em Fotografia da Escola das Artes. Como é que se ensina Fotografia?

Vou parafrasear o grande Henri Cartier-Bresson porque, quando lhe fizeram essa mesma pergunta, ele respondeu “Como é que se ensina o amor?”. Também acredito que, quando alguém vai ver os quadros do Rubens, aprende o que é o amor. A fotografia é, também, uma espécie de amor perante aquilo que se vê.

 

“O grande desafio é ajudar os alunos a encontrarem a sua voz.”

 

De que forma acha que o ensino da Fotografia na Escola das Artes se diferencia?

O mestrado foi desenhado a pensar não apenas no lado mais técnico da Fotografia, mas, também, na dimensão mais conceptual, na História da Fotografia, nos autores, nas fotografias desses autores. No fundo, queremos dotar os nossos alunos das ferramentas teóricas e concetuais para que saibam contribuir, com a sua visão, para a História da Fotografia.

 

Porque é que é tão importante o conhecimento da História da Fotografia?

É fundamental. Há coisas que nós achamos que não foram feitas e já foram feitas há cem anos. Por trás das fotografias existem as histórias dos seus criadores e há histórias fabulosas,
personagens incríveis, muito mais interessantes que até as próprias fotografias que fizeram.

 

O que é mais desafiante para si enquanto professor?

O grande desafio é tentar ajudar os alunos para que sigam o seu caminho. Não tenho interesse nenhum em moldar os alunos para que fotografem desta ou daquela maneira. O grande desafio é ajudá-los a encontrarem a sua voz.

 

Hoje em dia todos tiram fotografias … De que forma é que acha que, de certa forma, a fotografia se banalizou?

Não existe uma fotografia, mas, sim, muitos modos de fazer Fotografia. A Fotografia democratizou-se e, hoje em dia, pelo modo como são criadas são, acima de tudo, imagens digitais. Certamente que a maioria são imagens que não vão ter existência física, mas continuam a ser imagens e, felizmente, o impulso de criá-las continua e isso é muito positivo.

 

“Tenho a certeza de que muitos dos nossos fotógrafos seriam muito mais conhecidos se fossem americanos ou ingleses.”

 

Fotografa muito com o seu telemóvel?

As imagens que faço com o meu telemóvel são para mim imagens mais secundárias. Normalmente uso o telemóvel para registar algumas coisas para depois poder lá voltar com a minha máquina.  

 

De que forma é que concilia a dimensão académica com a dimensão artística?

Enriquecem-se mutuamente. Para ser professor tenho que pesquisar muito e vou descobrindo novos autores e diferentes discursos da Fotografia e por esse motivo tenho esta necessidade de me reinventar. A prática artística também me dá a possibilidade de mostrar aos alunos uma prática: o que é que se pode fazer, como é que se prepara uma exposição, como é que se monta o corpo de um trabalho. 

 

“Uma sociedade sem arte é uma sociedade cinzenta.”

 

O que é que tem sido mais marcante aos longo dos seus 15 anos de docência na Universidade Católica?

Aquilo que mais me marca, enquanto pessoa e enquanto docente, é ver o percurso dos meus alunos. Acabo por encontrar, felizmente, muitos deles no mercado de trabalho e até já trabalhei com alguns. É bom saber que contribuímos com alguma coisa para o sucesso dos alunos ou pelo menos saber que contribuímos para que encontrassem a sua paixão.

 

Como é que olha para o cenário da Fotografia em Portugal?

Temos muitos e bons fotógrafos e artistas em Portugal. Aquilo que não temos são mecanismos de promoção desses artistas. É um meio muito pequeno, onde há muito pouco investimento. Os museus têm pouca fotografia e, também, existem poucos colecionadores. Tenho a certeza de que muitos dos nossos fotógrafos seriam muito mais conhecidos se fossem americanos ou ingleses.

 

De que forma é que a Fotografia e a Arte podem mudar mentalidades e promover a transformação?

O John Lennon dizia que não acreditava em revoluções através das armas. Ele dizia que acreditava nas revoluções da mente e do espírito. A Arte pode-nos ajudar a ter mais sensibilidade e a sermos melhores pessoas. Mas, às vezes, esta afirmação também nos leva para outros opostos. O regime nazi, por exemplo, adorava Wagner e grandes compositores, tinha este grande fascínio pelo belo. Para que isto não aconteça é preciso entender bem a Arte e, quando bem entendida, é o espelho da alma. Uma sociedade sem arte é uma sociedade cinzenta.

 

A Fotografia surgiu na sua vida através da Música. A Música continua a ter importância na sua vida?

Sim, tenho uma banda e estamos a gravar o quarto disco. Chama-se Evols e este verão tocámos no Festival Paredes de Coura.

 

Fotógrafo favorito?

Tenho muitos. Gosto muito do Lee Friedlander, um fotógrafo americano que fotografou tudo o que há para fotografar. Gosto dele porque, em primeiro lugar, gostava de ter feito tudo o que ele fez e, em segundo lugar, porque me consegue surpreender com a sua simplicidade. É genial a forma como ele usa a máquina.

 

O que é uma boa fotografia?

Não há uma resposta para isso.

 

Uma boa máquina é importante?

Uma boa máquina ajuda, mas há fotógrafos fabulosos que fizeram imagens incríveis com máquinas péssimas.

 

Qual é a fotografia da sua autoria que mais gosta?

Serão sempre as fotografias dos meus filhos. Já estão cansados de ser tão fotografados (risos).

 

Dizem que os fotógrafos, geralmente, não gostam de ser fotografados. Ainda assim, já fez algum autorretrato seu?

Nunca fiz nenhum decente. O modelo não é muito bom (risos).

 

12-10-2023

LUISS Business School: uma paragem obrigatória para o MBA Executivo da CPBS


A Business School da Libera Università Internazionale degli Studi Sociali, em Roma, acolheu novamente os alunos do MBA Executivo da Católica Porto Business School (CPBS) para a edição de 2023 da MBA International Week - "Made in Italy". Com um foco em marcas de luxo, o 'case study' deste ano foi sobre a Ferragamo, uma das mais importantes empresas italianas e com um enorme reconhecimento mundial.

O evento, que integra todos os anos o programa do MBA Executivo, tem como principal objetivo juntar estudantes de diferentes nacionalidades, preparando-os para trabalhar num mercado cada vez mais globalizado. Os 40 alunos presentes tiveram assim oportunidade de desenvolver soluções e ideias sobre a marca italiana e apresentá-las ao diretor geral da Ferragamo.

Poder trabalhar uma marca de luxo como Ferragamo torna-se relevante pela própria presença internacional da marca. Fundada por Salvatore Ferragamo em Florença, em 1927, como resultado da sua experiência prévia nos Estados Unidos, a marca conta atualmente cerca de 450 localizações em todo o mundo e é especializada no design e fabrico de calçado (precisamente a área em que Salvatore Ferragamo iniciou a sua atividade) e artigos de couro.

Depois de nas seis primeiras edições terem sido trabalhadas marcas como Benetton, Prada, Yoox Net-a-Porter, Lamborghini, Scuderie del Quirinale e Valentino, os alunos da próxima edição do MBA Executivo da CPBS vão ter oportunidade de trabalhar em 2024 com outra marca de luxo, participando em atividades orientadas para a gestão, incluindo 'workshops' por convidados, trabalho em equipa e visitas de estudo.

A 19ª edição do MBA Executivo vai arrancar agora em outubro, mas as candidaturas ainda se encontram abertas. Saiba mais sobre o programa e inscreva-se aqui.

12-10-2023

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