X

Novidades

Escola das Artes inaugura ciclo de aulas abertas com o curador brasileiro Luiz Camillo Osório

A Escola das Artes está a organizar mais um ciclo de aulas abertas. A primeira sessão decorre já a 17 de fevereiro, às 18h30. O convidado é o conceituado curador brasileiro, Luiz Camillo Osório, que falará sobre “Da virada antropológica nos anos 1970 à arte indígena contemporânea no Brasil”.

“Todos os anos a Escola das Artes debruça-se sobre os temas de maior relevância em torno das práticas artísticas contemporâneas. Nestas sessões públicas abertas à comunidade, os nossos alunos entram em contacto com artistas, curadores e pensadores que estão na vanguarda das suas respetivas áreas. Esta é uma dimensão fundamental para que no seu desenvolvimento artístico e profissional possam ganhar consciência sobre as discussões que marcam o meio artístico. Os nossos alunos crescem em diálogo com o meio artístico e preparados para criar trabalho de grande relevância.”, afirma o professor Daniel Ribas, coordenador do mestrado em Cinema da Escola das Artes.

Luiz Camillo Osório, o primeiro convidado deste ciclo de aulas abertas, tem um vasto currículo na área da Estética e da Filosofia da Arte. Além de ser diretor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio e de se dedicar à pesquisa académica, também é crítico e um dos mais importantes curadores brasileiros. No âmbito da curadoria, desempenhou funções no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Pavilhão brasileiro, na Bienal de Veneza de 2015. Também, já assinou a coluna de crítica de arte nos Jornais O Globo e Jornal do Brasil. A Aula Aberta de Luiz Camillo Osório tratará de uma transição antropológica da arte brasileira nos anos 1970 e, de seguida, abordará a produção indígena contemporânea, ao longo do século XXI.

O programa das Aulas Abertas 2022 da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto integra artistas, investigadores e ativistas de áreas e contextos distintos. Os encontros têm como objetivo contribuir para os debates contemporâneos que circundam as práticas artísticas e o pensamento crítico.

Entre fevereiro e maio, estão já confirmadas as aulas abertas com Ulrich Baer (10 de março), Manthia Diawara (17 de março), Ângela Ferreira (21 de abril), Rosangela Rennó (28 de abril), Filipa Lowndes Vicente (12 de maio), Jessica Sarah Rinland (19 de maio) e Marinho de Pina (26 de maio).

As Aulas Abertas são de entrada gratuita e realizar-se-ão no Auditório Ilídio Pinho todas as quintas-feiras (18h30), entre fevereiro e maio de 2022.

10-02-2022

Inês Nogueira: “Olho para o Futuro com confiança.”

Nasceu no Porto e é licenciada em Ciências da Nutrição pela Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto. É criativa e gosta de pôr a mão na massa, especialmente se for num laboratório. Atualmente, é estudante do Mestrado em Biotecnologia e Inovação da ESB e trabalha numa empresa da Indústria Alimentar, onde exerce funções nas áreas da Inovação e Desenvolvimento, Segurança Alimentar e Nutrição. Assume que foi através do voluntariado que realizou com a CAtólica SOlidária que aprendeu a importância de “escutar” e de “honrar os compromissos”. Com 23 anos e com dois prémios num concurso de inovação alimentar, assume que olha para “o futuro com confiança”.

 

Quais são os lugares do campus da Católica no Porto onde se sente, especialmente, em casa?

Na salinha da CASO - CAtólica SOlidária e no KitchenLab, onde se pode experimentar e criar produtos novos. É nestes locais que surgem as minhas melhores memórias.

 

Quando é que surge a área das Ciências da Nutrição?
 
Eu sabia que o meu futuro profissional seria na área das ciências. Há uma altura em que me começo a interessar pela área da saúde e há um dia em que uma amiga me diz que eu dava uma boa nutricionista e eu respondo “nunca tinha pensado nisso”. Depois deste dia, a Nutrição passou a ser o meu objetivo! Ingressei na Católica porque percebi que a formação que ofereciam era muito abrangente. A licenciatura da Escola Superior de Biotecnologia proporciona um plano de estudos que dá resposta a diferentes abordagens na área da Nutrição. Porque a Nutrição não se resume apenas à parte clínica, mas também à segurança alimentar, à investigação, à inovação. No meu caso em particular, era a área da segurança alimentar e da inovação de alimentos que mais me interessava.

 

O que é que a marcou mais ao longo da licenciatura em Ciências da Nutrição?

Sem dúvida que o plano de estudos variado e muito completo foi uma mais-valia. Deu-me bases muito boas. A par disso, destaco também a grande parte prática. É essencial termos boas bases teóricas, mas a parte prática permite-nos ir ao encontro das evidências. A faculdade tem uns laboratórios excecionais com tudo ao nosso dispor. Era tudo convidativo! Para além disto, senti sempre uma proximidade muito grande. A Católica no Porto é muito grande, mas realmente isso não se sente. E não se sente porque há uma proximidade muito grande entre todos. Não se sente uma separação entre os professores e os alunos, porque estão sempre disponíveis para conversar e para ajudar. Eu posso estar a estudar na biblioteca e de repente surge-me uma dúvida e posso dirigir-me ao gabinete desse professor para me esclarecer a questão.

 

Durante toda a sua licenciatura participou em atividades regulares de voluntariado com a CAtólica SOlidária (CASO). Como é que surgiu essa oportunidade?

Descobri a CASO logo na primeira semana de aulas do meu primeiro ano de licenciatura. Sempre fiz voluntariado através dos escuteiros e pensei que talvez fizesse sentido também fazer voluntariado através da faculdade. Porque não? Quando nos pediram que escrevêssemos num papel em que área é que gostaríamos de trabalhar como voluntários escrevi que tanto fazia. Acabei por ser alocada à área dos idosos que era onde havia mais vagas por preencher. Nunca tinha feito voluntariado com idosos e confesso que no primeiro dia de voluntariado no centro de dia estava nervosa… 
Estava nervosa porque fazer voluntariado com idosos não é como fazer com crianças em que elas vêm ter connosco. Neste caso quem tinha de ir ter com eles era eu. Estava nervosa com o tipo de realidade que ia encontrar e precisei de ganhar alguma confiança.

 

Que retorno é que se traz do voluntariado?

Recebe-se muita coisa, mas principalmente amizade. Fiz muitos amigos, tenho muitos amigos de noventa anos. O que é que a idade importa? Recebi muito amor, muito carinho e senti que estava realmente a contribuir para a felicidade de alguém.

 

“Honrar o meu compromisso sempre foi muito importante e é uma das aprendizagens que eu levo para a vida.”

 

De que forma é que o fazer voluntariado a ajudou no seu crescimento pessoal e profissional?

A palavra de ordem no voluntariado é o compromisso. Nós temos que nos comprometer com aquelas pessoas, quer sejam idosos, crianças, pessoas com deficiência, prisioneiros, não interessa. Honrar o meu compromisso sempre foi muito importante e é uma das aprendizagens que eu levo para a vida. Aprendi a nunca deixar ninguém na mão, porque se eu me comprometo tenho que cumprir. Outra coisa que aprendi foi a saber ouvir. Ao trabalhar com idosos acabei por ouvir muitas histórias. Aprendi a escutar os outros.

 

Ao longo do seu percurso académico também se envolveu em concursos ligados à área da Inovação Alimentar…

Sim, a oportunidade de participar no Innovation Track surgiu precisamente na altura em que eu me questionei sobre se a Inovação era um bom percurso para mim. Acabei por participar com uma equipa em duas edições do concurso e em ambas ganhamos o Prémio. Na primeira edição, concorremos com um snack salgado feito com farinha de tremoço. Ficou super bom! Já na segunda edição ganhamos com um produto de uma gama mais gourmet que consistia numa espécie de “pringle” feita com farinha de bolota e aromatizada com algumas ervas. Ambos os produtos foram snacks salgados, mas direcionados para nichos diferentes.

 

O Mestrado em Biotecnologia e Inovação que frequenta atualmente vem também dar resposta a este seu interesse pela Inovação?

Depois de terminar a licenciatura, eu sabia que queria fazer o mestrado. Andei a explorar as várias ofertas de mestrado e todas as que encontrei eram demasiado direcionadas para a área da restauração, da saúde pública ou mesmo da nutrição clínica e eu sabia que não era por aí que eu queria ir. Só a Católica é que oferecia formação ao nível do mestrado nas áreas da Inovação e, por isso, acabei por permanecer nesta minha casa. Na altura estava indecisa entre Segurança Alimentar ou Inovação e uma docente acabou por me dizer para eu decidir com o coração. Assim foi: estou no segundo ano do Mestrado em Biotecnologia e Inovação na Escola Superior de Biotecnologia.

 

“Tenho muita sorte porque realmente sinto que estou a trabalhar no meu emprego de sonho.”

 

A par do Mestrado também já está a trabalhar numa indústria alimentar. Como é que é o seu dia-a-dia?

Estou a trabalhar numa conserveira gourmet, em contexto de laboratório. Faço as tarefas do departamento de segurança alimentar e realizo todos os testes de laboratório. Em paralelo, também, estou responsável pelo Departamento de Inovação e Desenvolvimento. Sempre que alguém tem alguma ideia para um produto é minha responsabilidade torná-la realidade para ver se funciona. Para além disto, sou também responsável pela parte da nutrição, elaboro as tabelas e alegações nutricionais. Tenho muita sorte porque realmente sinto que estou a trabalhar no meu emprego de sonho.

 

Que conselho daria a um estudante que está prestes a decidir o seu caminho universitário?

É verdadeiramente importante que as pessoas decidam em consciência e só o poderão fazer se experimentarem. Existem muitas atividades que ajudam neste processo de decisão. Por exemplo, a Escola Superior de Biotecnologia tem a Semana Aberta e a Teen Academy. Às vezes precisamos de ser desafiados para encontrarmos caminhos e respostas. No meu caso tive uma amiga que me pôs a pensar na possibilidade da Nutrição. É importante também ouvirmos as experiências de antigos alunos, é importante explorarmos percursos e saídas profissionais.

 

“Quem dá tudo de si acaba por encontrar um local para trabalhar que o vá valorizar.”

 

Como é que olha para o Futuro?

Eu olho com confiança. É importante sermos capazes de nos ouvir e de termos confiança própria para não nos deixarmos contagiar por algum negativismo exagerado. Olhar para o Futuro com confiança implica termos personalidade própria, implica termos opinião, implica esforçarmo-nos e darmos o nosso melhor. Por exemplo, todos sabemos que não há emprego: são muitas as áreas, quase todas, que sofrem deste mal, mas eu acredito que quem dá tudo de si acaba por encontrar um local para trabalhar que o vá valorizar.

 

03-02-2022

Encontro de Networking de Alumni de Portugal em São Paulo

A Universities Portugal tem o gosto de convidar os antigos estudantes das universidades portuguesas para um encontro de networking a realizar no dia 11 de março de 2022, pelas 17h00, na residência oficial do Cônsul Geral de Portugal em São Paulo.

Para receber o convite para esta sessão, pf envie email para alumniporto@ucp.pt até dia 17 de fevereiro.

02-02-2022

Falecimento do Professor Costa Lima

A Universidade Católica Portuguesa no Porto e a Escola Superior de Biotecnologia manifestam o seu profundo pesar pelo falecimento do Professor José Luís Costa Lima. Foi uma figura marcante para toda a comunidade da Universidade Católica Portuguesa, onde foi docente durante décadas. marcando várias gerações de alunos de Biotecnologia.

A presidente da Universidade Católica Portuguesa no Porto, Isabel Braga da Cruz manifesta “o profundo pesar de toda a comunidade académica” e destaca as “várias gerações de alunos, em particular da Escola Superior de Biotecnologia para quem o Professor Costa Lima era uma referência”.

Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia, refere que “O nosso percurso, pessoal e profissional, é enriquecido por tantos encontros ao longo da vida. O nosso querido Professor Costa Lima foi daqueles professores que nos marcou dentro e fora desta Universidade. Lembro com particular carinho as palavras amigas e o sorriso franco. Foi uma grande referência para a ESB não só enquanto professor dedicado e amigo, mas também como companheiro de tantos outros desafios. Para mim, e para toda a família de alumni da ESB, é uma perda e ao mesmo tempo inspiração que perdura“.

Até sempre Professor!

As cerimónias fúnebres terão lugar no dia 2 de fevereiro, às 14h30, na Igreja de Cedofeita.

01-02-2022

Exposição de Igor Jesus na EA mostra iconografia do invisível


 
“Banho Maria” é o nome da mais recente exposição do artista português Igor Jesus, que conta com curadoria de Nuno Crespo, diretor da Escola das Artes. A exposição que pretende mostrar ao público uma espécie de iconografia do invisível ou uma “destilaria de imagens” estará patente na sala de exposições da Escola das Artes da Universidade Católica no Porto a partir do dia 17 de fevereiro.

O termo “Banho-maria” serve para descrever procedimentos que vão desde a química, processos industriais, farmácia, cosmética até à culinária.  Independentemente do âmbito da sua aplicação, banho-maria designa o processo de aquecer lentamente uma substância líquida ou sólida que está dentro de um recipiente e que é colocado dentro do interior de outro fechado onde se liberta vapor de água. O vapor que aumenta a temperatura das diferentes substâncias com a especificidade de ser um processo muito preciso e exigente do ponto de vista do controlo dos diferentes elementos manipulados foi precisamente o que levou à inspiração do nome para esta exposição.
 
Para o artista português Igor Jesus “não interessa entrar no campo da alquimia, mas sim captar a possibilidade de transformação alquímica, surpreendente e muito radical”. Essa mesma transformação serve como metáfora para se aproximar de um processo muito elaborado de relacionar e transformar imagens em sons, em escultura e em espaço.
 
O curador Nuno Crespo explica que “a exposição Banho Maria permitirá uma experiência imersiva que pretende levar o público para zonas de experiência em que todas as forças humanas são ativadas - sensibilidade, imaginação, entendimento e razão para fazer justiça a Kant e à matriz descritiva das forças que compõem a inteligência humana”.
 
Nesta exposição, o artista apropria-se do livro de imagens de H. Baraduc com o título: The human soul. Its movements, its lights and the iconography of the fluidic invisible (1896). Isto porque Igor Jesus se apresenta como alguém dedicado a identificar o que acontece nas zonas habitualmente inacessíveis ao olhar humano e onde só chegamos através de certos dispositivos como, por exemplo, uma câmara fotográfica.


Exposição
Banho Maria
Igor Jesus
17 FEV – 14 ABR 2022
Abertura: 17 de fevereiro · 19H30

 

 

01-02-2022

Universidade Católica lança Plano para a Igualdade de Género

O Plano para a Igualdade de Género reforça o compromisso da UCP com a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.

Elaborado com base num diagnóstico relativo ao desempenho da UCP em matéria de igualdade de género, o plano visa incrementar a consciencialização e implementação do tema entre o corpo docente e de investigadores, os estudantes, os alumni e os colaboradores.

O plano foca-se em seis áreas: Cultura Institucional de Igualdade de Género; Equilíbrio de Género nas Lideranças e Órgãos de Governo; Igualdade de Género no Recrutamento e Progressão; Reconhecimento da Dimensão de Género na Investigação e Ensino; Equilíbrio de Género na Conciliação entre Vida Profissional, Familiar e Pessoal; e Promoção de uma Cultura de Inclusão e de Cuidado; com um total de 20 objetivos estabelecidos.

Conforme se pode ler neste documento, é de destacar que “na UCP, a promoção da representação de mulheres em cargos de liderança tem ocorrido de forma destacada e evidente. Contando com duas Reitoras na sua história, apresenta em 2022 a mais paritária equipa de gestão das universidades portuguesas, com 45% de representação feminina. Todavia, uma política de igualdade implica a adoção de mecanismos de avaliação e análise, a promoção de princípios e normas regulamentares de fomento da paridade, a formação e educação para uma cultura do reconhecimento e da igualdade entre mulheres e homens, e o mainstreaming da igualdade de género nas atividades de investigação e ensino”.

 

Consulte aqui o Plano para a Igualdade de Género da UCP »»

01-02-2022

Research Grant - Project RE-EAT ROCHA PEAR

27-01-2022

Pedro Melo: “Quem não escolhe pela essência nunca conseguirá ser feliz.”

Enfermeiro, docente do Instituto de Ciências da Saúde da Católica no Porto, ator, locutor, apresentador e escritor. Um profissional de mão cheia, literalmente. Nasceu em Lisboa, viveu no Seixal, mas o Porto é a sua casa. Aos 41 anos e inquieto por natureza, acredita que “nada é coincidência” quando somos levados por “escolhas inspiradas na nossa essência”. Onde é que o poderemos encontrar? No campus da Católica ou num fim de tarde pela Ribeira do Porto. Nesta entrevista, Pedro Melo fala-nos do seu percurso, do seu interesse pela área da saúde comunitária e daquilo que o move e que o faz querer estar sempre a criar.

 

O que é que um ator e um enfermeiro têm em comum?

É uma excelente pergunta porque, realmente, têm muito em comum.  A primeira coisa que têm em comum é a necessidade de conhecer muito bem as pessoas. Para um ator poder levar para a personagem o melhor de si tem de conhecer a essência das emoções, dos sentimentos, a forma como o corpo transmite essas emoções e com o enfermeiro é igual. Temos de usar o mesmo conhecimento das pessoas para interagir com elas e para as ajudar.  

Podemos dizer que são duas áreas diferentes que têm um mesmo objetivo?

Sim, com o mesmo propósito. No limite é procurar o amor, não é? Quer como enfermeiro, quer como ator, o que nós procuramos é ir ao mais profundo do ser humano e isso talvez seja a grande missão das duas áreas.

 

Queria ser ator, mas acabou por equacionar, também, a área da saúde ….

Desde o Ensino Básico que a minha professora dizia que eu ia ser alguém ligado à comunicação. Quando aprendi a ler e a escrever comecei logo a escrever histórias e quando havia festas de família eu era sempre o bobo da corte. Mais tarde, por via de algumas complicações de saúde da minha mãe, comecei a pensar que talvez, também, fosse boa ideia seguir uma área onde pudesse ajudar pessoas que estivessem doentes. Durante muitos anos vivi confuso.

 

O que é que aconteceu quando se aproximou o momento de decidir que caminho ia seguir?

Com 17 anos fui fazer um casting para uma série da RTP que se chamava “Riscos”, costumo dizer que foram os primeiros Morangos com Açúcar. Acabei por ficar com um papel e quando soube da notícia foi um dos momentos mais fantásticos que já vivi. Claro que depois lembrei-me que tinha de contar à minha família e aí ficou um sabor um bocadinho mais amargo. A verdade é que, paralelamente a isto, acabei por concorrer a Enfermagem e estava pronto para conciliar o curso com as gravações. Por lapso, foi um erro do universo, estou certo, em vez de concorrer para as Escolas de Enfermagem de Lisboa e de Faro, que era onde iam decorrer as gravações da série, selecionei o Porto. Eu já me estava a candidatar à segunda fase, porque na primeira fase tinha estado ocupado com os castings. Eu soube numa sexta-feira que na segunda-feira seguinte tinha que estar no Porto para começar as aulas. Foi o fim de semana mais difícil da minha vida. E já se percebeu qual foi a minha decisão porque estou aqui hoje, não é? Mas depois percebi que podia continuar a fazer formação na área da representação e, hoje, também trabalho numa companhia de teatro. No fundo, acabo por conciliar as minhas duas paixões.

 

“Apaixonei-me pela Católica e já nunca mais saí.”

 

Vem para a Católica no Porto quando decide fazer o seu doutoramento …

Na altura fui pesquisar sobre onde é que eu podia realmente aprofundar a investigação na área da Enfermagem e a Católica acabou por ser a minha escolha. Apaixonei-me e já nunca mais saí.

 

A Enfermagem da Católica no Porto aparece entre as melhores a nível mundial, segundo o U-Multirank 2021. O que é que o ICS-Porto faz de diferente?

Temos muitas coisas diferentes que nos deixam muito orgulhosos. A primeira é a proximidade com os estudantes. Nós conhecemos, realmente, cada estudante. Cada um tem um nome, uma história e objetivos específicos. Nós professores acompanhamos cada estudante de uma forma muito personalizada e isso faz a diferença na forma como ele constrói a sua aprendizagem e o seu processo. Para além disto, o ICS tem os três ciclos de estudo: licenciatura, mestrado e doutoramento. Os nossos estudantes podem fazer aqui um caminho muito consistente. Por fim, temos um dos melhores centros de investigação em enfermagem do país, o que nos permite aplicar a nossa investigação no ensino. A distinção do U-Multirank não nos surpreende, porque trabalhamos muito para esse resultado, mas deixa-nos profundamente orgulhosos.

 

Como é que se ensina essa proximidade aos estudantes?

Transmite-se pelo exemplo. Os nossos alunos veem a forma como nós somos e como estamos com eles. Tentamos influenciar positivamente pelo exemplo. É o tal sentido de comunidade que tentamos transmitir. Quando dentro da comunidade há um perfil e um padrão, as pessoas acabam por se influenciar e por se deixar contagiar. Este contágio pelo exemplo acaba por ser a melhor forma de ensinar a proximidade.

 

“Em tudo aquilo que faço a minha missão é, através da comunicação, dar poder às pessoas para que consigam tomar decisões em vários níveis.”

 

No seu percurso dar aulas foi um feliz acaso?

Foi, talvez, um acaso, mas diria que não uma coincidência. Como fui sempre ligado à comunicação, dar aulas é uma forma de comunicar. Acabo por dizer que de alguma forma estou sempre ligado a um palco, seja a um palco de um anfiteatro para dar uma aula, seja no teatro, seja no programa de rádio onde sou locutor. Em tudo aquilo que faço a minha missão é, através da comunicação, dar poder às pessoas para que consigam tomar decisões em vários níveis.

 

Enquanto professor, para além dos domínios técnicos, o que é que tenta transmitir essencialmente aos seus estudantes?

Eu tento acima de tudo demonstrar-lhes o poder que têm as palavras e que tudo é intencionalmente resultado de uma opção. Nós podemos escolher usar palavras que destroem ou palavras que constroem e acho que as pessoas têm pouca consciência disso. Julgo que, desde a infância mais precoce, devíamos estimular mais as crianças a ler e a perceber o impacto que as palavras têm. Na profissão de Enfermagem e nas relações humanas a comunicação é a ferramenta mais importante.

 

“Este ano usei uma música dos Amor Electro que se chama “Procura por mim” e que fala especificamente da necessidade de procurarmos por nós. Temos de nos encontrar.”

 

Como é que se desafia as novas gerações a serem mais inquietas e menos conformadas?

Eu nas aulas de Criatividade e Inovação desafio os meus alunos a pensarem diferente. Costumo fazer um exercício logo na primeira aula que consiste em desligar os telemóveis para que se concentrem totalmente e de olhos fechados na música que vão ouvir. Este ano usei uma música dos Amor Electro que se chama “Procura por mim” e que fala especificamente da necessidade de procurarmos por nós. Temos de nos encontrar. Eu sinto que as pessoas se estão a perder de si próprias, cada vez com menos pensamento próprio, com pouca autonomia, com pouca capacidade de discernimento e sem sentido de comunidade. Enquanto professor, tenho o desafio de contribuir neste sentido para a transformação dos meus alunos.

 

O voluntariado também pode ter um papel fundamental nessa transformação …

Sim, e é uma componente importantíssima que tem também múltiplas facetas. O voluntariado não tem sempre de estar associado ao trabalho social com pessoas carenciadas. Por exemplo, para além do voluntariado que faço com os sem-abrigo da cidade, através do projeto Ronda da Caridade, também trabalho como voluntário enquanto locutor na Rádio Metropolitana do Porto, com o programa Saúd’Arte, e enquanto apresentador do programa “Saúde em Direto”, na Agência de Informação Norte. Aqui está um exemplo de como também podemos ser voluntários no exercício da cidadania. A sociedade está muito distraída e é essencial que se incuta o desejo de ajudar desde pequenos. O meu filho tem agora 14 anos e sinto que começa a sentir-se curioso e provocado em, também, começar a ajudar. Talvez porque acompanhe de perto aquilo que faço. Uma vez mais, o exemplo é a melhor forma de ensinar.

 

“Dentro da saúde pública e da saúde comunitária a área que me interessa é a do empoderamento comunitário.”

 

Uma das suas subáreas de investigação é a Saúde Comunitária. Este assunto desperta em si tanto interesse porquê?

Mais uma vez, é a forma como a comunicação influencia as pessoas em massa a tomarem decisões. A questão da pandemia foi um bom exemplo da forma como é tão importante comunicar adequadamente para que as pessoas adiram às medidas de proteção. Dentro da saúde pública e da saúde comunitária a área que me interessa é a do empoderamento comunitário. Tem tudo a ver com estratégias de marketing e de comunicação para que se promova a adesão das pessoas a comportamentos saudáveis.

 

Os enfermeiros foram sempre muito falados durante estes tempos de pandemia. Acha que a sua missão sai reforçada e valorizada?

Não tenho nenhum problema em afirmar que foram os enfermeiros que ajudaram a salvar a nossa economia, porque esta, também, só se aguenta devido à taxa de vacinação que hoje temos. Foram muitos os colegas que trabalharam horas seguidas, todos os dias, sem parar. Falamos muito da atual vacina, mas não nos podemos esquecer que o programa de vacinação em Portugal é o melhor do mundo desde os anos 60 e os enfermeiros sempre estiveram lá para dar resposta.

Veio para o Porto quando veio estudar Enfermagem. Como é que foi mudar-se sozinho para uma nova cidade?

Foi muito difícil, porque foi a primeira vez que estive realmente longe da família toda e totalmente sozinho, mas eu diria que foi o grande momento em que eu cresci e em que me tornei eu próprio. Para além disso, o Porto é uma cidade tão apaixonante que nos acolhe de uma forma tão profunda que eu nunca mais consegui sair daqui. O Porto é a minha casa.

 

Qual é o lugar mais especial da cidade para si?

O Porto é uma cidade cheia de lugares especiais, mas eu sou completamente obcecado pelos jardins do Palácio de Cristal, é um espaço mágico que nos permite ter uma visão diferente da cidade, porque nos permite olhar sobre o rio. Também gosto muito da zona da Ribeira, não da zona mais comercial, mas daqueles espaços mais escondidos, onde se misturam as sombras. O fim de tarde nessa zona com aqueles candeeiros laranja e com aquelas sombras é maravilhoso.

 

“A vida vai-nos levando pelas escolhas que vamos fazendo inspirados pela nossa essência.”

 

Se em adolescente lhe tivessem dito que aos 41 anos iria ser enfermeiro, professor, ator, locutor, escritor … teria acreditado?

Se calhar não teria acreditado que seria tudo ao mesmo tempo, mas teria acreditado que iria fazer caminho para o ser. Não concretamente a parte do ser Enfermeiro, porque acabou por surgir e por ser uma grande descoberta, mas, sem dúvida, que teria esta ligação à área da comunicação. Acredito que nada é coincidência. A vida vai-nos levando pelas escolhas que vamos fazendo inspirados pela nossa essência. Quem não escolhe pela essência nunca conseguirá ser feliz.

 

Se pudesse recomendar uma peça de teatro, qual escolheria?

Há várias peças fantásticas, mas eu agora diria que era interessantíssimo acompanharem tudo o que está a ser feito no Teatro D. Maria II. Houve uma atualização na direção do teatro que está empenhada em transformar o teatro para o tornar mais democrático, tanto é que agora estão a promover peças em vários pontos do país. Aqui no Porto, também, temos o Teatro Sá da Bandeira, que é um espaço que eu adoro e que tem peças maravilhosas e muito acessíveis. As pessoas ainda acham que frequentar cultura fica muito caro, mas não. Se tivesse de escolher uma peça de teatro específica, talvez recomendasse a “As Árvores Morrem de Pé”. Esta peça foi a última do nosso teatro, mas estará com certeza em algum ponto do país. Recomendo vivamente porque nos faz perceber, realmente, a essência dos seres humanos.

27-01-2022

Centro de Investigação da Escola das Artes coordena projeto multidisciplinar que promove a Ação Climática

Promover ações que visam reforçar a consciência dos cidadãos para o problema da Mudança Climática é o principal objetivo do HAC4CG - Heritage, Art, Creation for Climate change. Living the city: catalyzing spaces for learning, creation and action towards climate change!, um projeto coordenado pelo Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Escola das Artes da Católica no Porto.

O projeto surgiu de um desafio para a construção de projetos interdisciplinares lançado pela Católica no Porto às suas Unidades de Investigação e é financiado pela CCDR-N, através do Programa Norte 2020, “Projetos Estruturados De I&D&I” - Horizonte Europa. Teve início em maio de 2021 e termina a 30 de abril de 2023.

Alinhado com o Green Deal e dando resposta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Ação Climática, o HAC4CG enquadra-se na resposta à missão do Horizonte Europa Alterações Climáticas incluindo as Transformações Societais estando focado na cidade do Porto como caso de estudo local para uma abordagem a um problema global.

Monitorizar o património para a biodeterioração e avaliação do estado de conservação; aumentar a sensibilização do público para as alterações climáticas; desenvolver dispositivos de monitorização (sensores de temperatura de superfície, incidência de luz e humidade); estabelecer um Observatório do Património para estudar os últimos impactos da reabilitação e do desenvolvimento turístico do património cultural e da vida cívica do Porto; e Diagnosticar e fazer um levantamento das práticas atuais sobre a adaptação às alterações climáticas e Benchmarking com as melhores práticas internacionais são alguns dos principais objetivos a que o projeto se propõe dar resposta.

O HAC4CG conta com o Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) e o Centro de Estudos em Gestão e Economia (CEGE), enquanto parceiros diretos, e com o Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde (CIIS) e o Centro de Estudos e Desenvolvimento Humano (CEDH), enquanto parceiros associados. A colaboração destas várias unidades de investigação da Católica no Porto permitirá assegurar abordagens multidisciplinares e reforçar a cooperação interdisciplinar.

Eduarda Vieira, investigadora do CITAR e coordenadora do projeto, refere que a abrangência de tantas áreas do saber “possibilita a criação de sinergias interdisciplinares na Católica no Porto e o desenvolvimento de metodologias novas de abordagem aos desafios societais contemporâneos das Missões do Horizonte Europa”.

As linhas de investigação do HAC4CG
O HAC4CG estrutura-se em três linhas de investigação fundamentais em torno da Arte e do Património Cultural como recurso para a promoção de uma pedagogia ativa: envolvimento do cidadão através da Conservação da Herança Cultural na monitorização, desenvolvimento de soluções e de um observatório para os bens culturais expostos; direcionada ao envolvimento do cidadão através da criação artística- Identificação, Desenvolvimento e empoderamento para a criação de uma plataforma de criação de novas narrativas sobre a cidade do Porto; e direcionada para o Papel da Governança local, Instituições e comunidades na mitigação e adaptação à Mudança Climática serão analisadas as práticas internacionais no domínio das políticas implementadas no contexto das Alterações Climáticas, bem como o papel das comunidades na mitigação do problema.

26-01-2022

Pages