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"Falar por aqueles que não têm voz": Richard Zimler destaca o direito à existência nos ISP Dialogues

A 13 de dezembro, Richard Zimler fechou o ciclo dos ISP Dialogues do Semestre de Outono 23/24 com a conferência “Speaking for the Silenced”. Conhecido internacionalmente pelas suas obras literárias, o escritor norte-americano (e português) revelou a importância de contar as histórias daqueles que foram esquecidos em épocas passadas e daqueles que precisam que alguém fale por eles, por não lhes ser dada voz.

“Todos têm o direito a existir”. Esta foi a premissa do laureado com a Medalha de Honra da cidade do Porto, que destacou o seu compromisso em trazer à luz as emoções humanas, esquecidas e ocultadas nas narrativas oficiais. “Há pessoas que não têm quem lhes conte a sua história; penso que é uma obrigação falar pelas pessoas que não conhecemos e tratá-las com respeito”.

Foi precisamente a ausência histórica e o desconhecimento sobre os “marginalizados” que compeliu o escritor a investigar sobre a vida, as emoções e as formas de viver dos judeus em Lisboa nos séculos XIV-XV, o que “mudou completamente a minha vida”, salientou. As suas obras revelam precisamente esta abordagem, o que o levou ao grande sucesso literário.

Para terminar Richard Zimler deixou uma mensagem importante nos ISP Dialogues, incentivando os presentes a questionar, a explorador e, acima de tudo, a contar as histórias daqueles cujas vozes são suprimidas pelos diferentes poderes, entres os quais, o político e económico. “Sei que as coisas estão a mudar (…) mas este silenciamento ainda acontece nos dias de hoje”. Esta foi, afinal, uma conferência em defesa da tolerância, com uma leitura de direitos humanos que pressupõe a liberdade e a aceitação do outro.

Refira-se que os ISP Dialogues regressarão no semestre Primavera 23/24 com novos convidados e outros temas interessantes no âmbito do direito internacional e das relações internacionais.

15-12-2023

Escola de Enfermagem do Porto da Católica distinguida pela Ordem dos Enfermeiros

A Escola de Enfermagem (Porto), Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem (FCSE) da Universidade Católica Portuguesa (UCP), foi reconhecida com o Prémio de Excelência pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, na 4ª edição da Gala Valoriza de 2023. Para além deste reconhecimento, que foi atribuído a todas as Escolas de Enfermagem do Norte, a Escola de Enfermagem (Porto), da FCSE da Católica, viu também reconhecida a sua Investigação, tendo sido distinguidos dois trabalhos com o primeiro e o terceiro prémios. 
 
“Peúgas com capacidade de libertação de antisséticos: um desenvolvimento técnico transdisciplinar para a prevenção e tratamento da onicomicose” é o título do trabalho que venceu o primeiro prémio e que é da autoria dos investigadores da FCSE Vasco Neves, Paulo Alves e Carla Pais-Vieira, juntamente com Demétrio Matos e Gaspar Sousa, também membros da equipa de investigação. O terceiro lugar foi para Cláudia Veiga e Teresa Amaral, também investigadoras, com o trabalho intitulado “As vivências do familiar cuidador da pessoa idosa dependente após o internamento em cuidados intensivos”. 
 
O Prémio Excelência reconhece o esforço relevante e o empenho contínuo das Escolas de Enfermagem na formação e no ensino. “Este reconhecimento sublinha a qualidade da educação fornecida pela Universidade Católica e o seu papel crucial na preparação de enfermeiros para o mercado de trabalho”, afirma Paulo Alves, diretor da Escola de Enfermagem do Porto da FCSE. 
 
Durante a gala, vários enfermeiros foram condecorados pelas suas contribuições significativas e dedicação ao campo da saúde. O evento, que decorreu a 9 de dezembro, destacou a importância do trabalho árduo e do compromisso desses profissionais, especialmente considerando os desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos.
 
14-12-2023

João Pinto é o novo dean da Católica Porto Business School

João Pinto assume o cargo de diretor da Católica Porto Business School (CPBS), tendo a nova direção tomado posse a 13 de dezembro. O novo dean é Professor de Finanças na CPBS, Membro da Comissão Executiva da Católica Porto e Co-líder do INSURE.Hub. É, também, consultor do Banco Europeu de Investimento e do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento nas áreas de inovação financeira, avaliação de projetos de investimento e finanças sustentáveis. Já passou por cargos de gestão em empresas públicas e privadas em diferentes setores de atividade.

Na cerimónia de tomada de posse da nova direção da Católica Porto Business School, a Reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Isabel Capeloa Gil, destacou “a afirmação da CPBS no exigente panorama das Escolas de Negócios em Portugal como uma Escola focada no impacto. Aqui sempre quisemos ser mais e a direção que agora toma posse está á altura dessa ambição alimentando uma proposta diferenciadora.”

A nova direção da Católica Porto Business School liderada por João Pinto é ainda constituída por Paulo Alves que assume o cargo de vice-diretor e por quatro diretores adjuntos: Ana Lourenço, Conceição Silva, Helena Correia e Alexandra Leitão.

No seu discurso de tomada de posse, o novo dean assume que “existem desafios que se avizinham e se adivinham, dos quais não nos podemos alhear associados à sustentabilidade, ao financiamento da ciência e à retenção de talentos. Para além disso, sabemos que a sociedade portuguesa tem vindo a ser confrontada com desafios de natalidade com reflexos duradouros e que a concorrência é forte, não só a nível nacional, mas também a internacional, palco onde a Escola tem de continuar a crescer para se afirmar como uma das melhores business schools da Europa”. Adicionalmente, “os desafios que o mercado de trabalho nos impõe são cada vez mais exigentes”.

João Pinto afirma ainda que “existem oportunidades na perspetiva do desenvolvimento de uma Escola que assuma no seu core os propósitos que têm vindo a ser proclamados pelo Papa Francisco, tais como a importância da territorialidade, a investigação ao serviço da melhoria da economia e o centro na pessoa humana”. Uma Escola que procure ter impacto na sociedade “através das 3 áreas fundamentais de atuação: Ensino, Investigação e Inovação, e Serviço e Responsabilidade Social. O Novo Dean preconiza “uma Escola que vá mais além: que faça inovação com impacto, que desenvolva uma mentalidade global, que promova uma estreita ligação à prática e que reforce a sua orientação para os temas da Ética, Responsabilidade Social e Sustentabilidade”.

14-12-2023

Universidade Católica Portuguesa é membro da Transform4Europe

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) é membro da Aliança Universitária Europeia Transform4Europe (T4EU) desde 1 de novembro de 2023. Segundo a Reitora da UCP, Isabel Capeloa Gil, esta aliança “junta 10 universidades de referência com o objetivo de promover o desenvolvimento da sociedade, com um foco na capacitação dos jovens e do talento europeu”. Veja abaixo a mensagem completa da Reitora da UCP.

Agradecimento: Fundação Ilídio Pinho pela cedência das obras de arte.

A Aliança T4EU tem como objetivo transformar, de forma criativa e inovadora, as áreas de estudo, a investigação, a vida comunitária e a formação de uma nova geração de jovens europeus que trabalharão num espírito de cooperação. Estrutura a sua ação em torno das grandes transformações societais que exigem o desenvolvimento de novas competências académicas, empresariais, digitais e interculturais, através da criação de um ecossistema inter-regional europeu e global.

 

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14-12-2023

Artigo de investigadores da FEP reflete sobre meritocracia nas escolas


Um artigo de revisão da literatura (scoping review), publicado por investigadores da Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), sublinha a importância de se repensar o modo como se implementa a meritocracia nas escolas portuguesas.

Os autores concluíram que as formas de excelência e de distinção escolar, atualmente utilizadas pelas instituições do ensino básico e secundário, poderão legitimar e incrementar as desigualdades sociais, dado que os alunos não partem todos de uma igualdade de base.

Há um conjunto de fatores externos que influenciam as notas obtidas nas provas de avaliação a que os alunos são submetidos. Esses fatores são, por exemplo, a proveniência de famílias com vantagem económica, o que facilita o acesso à “indústria das explicações”, e outros mecanismos, como a organização das turmas, a afetação de professores, e os modos de trabalho pedagógico, os quais influenciam os resultados escolares. Estas variáveis independentes colocam os jovens de contextos culturais e economicamente mais desfavorecidos numa situação de desvantagem.

“Com este artigo de revisão, confirmamos que o mérito é uma construção social onde intervêm múltiplas variáveis, não sendo, pois, resultado de um esforço meramente individual”, referem José Matias Alves e Cristina Palmeirão, docentes na FEP, e coautores do trabalho.

Este paper é “uma chamada de atenção para a injustiça praticada pela instituição escolar que constrói um paradigma de excelência baseado em pressupostos falsos. E ao fazê-lo perpetua as formas subtis de discriminação e exclusão escolar”, afirmam.

 

Necessidade de sistemas educativos mais humanos, justos e inclusivos

Tendo em conta o problema da justiça e da equidade inerente à lógica da meritocracia nas escolas, os autores sustentam a necessidade de se “repensar as políticas educacionais, ao nível macro, meso e micro, de forma a promover uma justiça escolar mais eficaz, tendo em conta as características individuais dos alunos e os contextos de cada escola”.

Os investigadores defendem também que “as práticas de meritocracia não têm de se constituir como um entrave à obtenção de escolas mais justas e equitativas. Apenas se torna imprescindível repensar de que forma se implementa a meritocracia nas escolas, tendo em conta a heterogeneidade dos alunos, o ritmo de trabalho e a desigualdade inicial”.

“A igualdade de oportunidades (de acesso, frequência e sucesso, etc.) e o usufruto de bens educacionais é um imperativo básico que todas as escolas devem prosseguir, promovendo as capacidades e as competências de cada um, preparando-os, deste modo, para o ingresso no mercado de trabalho e para a prática de uma cidadania ativa.”, afirmam.

Tal só será possível quando se concretizar a personalização do ensino, através do reconhecimento das diferenças pessoais, sociais e culturais dos alunos, e indo ao encontro dessas necessidades com estratégias pedagógicas diferenciadas.

O artigo “Meritocracia, Excelência e Exclusão Escolar: Uma Scoping Review” é assinado por Marylin Regal Ferreira, José Matias Alves e Cristina Palmeirão, da Universidade Católica Portuguesa.

14-12-2023

Programa de acolhimento a refugiados e “Cadeiras ODS” da UCP reconhecidos pela ONU

A Universidade Católica Portuguesa (UCP) foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) pelas suas práticas exemplares nas “Cadeiras ODS” e no acolhimento de estudantes em situação de emergência humanitária.

A iniciativa pioneira "Cadeiras ODS" da UCP foi publicada no site da UN Academic Impact, como um bom exemplo da ação que as universidades podem tomar, no compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Lançado em 2022 no Plano de Desenvolvimento Estratégico para 2025, o projeto tem como objetivo integrar disciplinas dedicadas aos ODS nos currículos de licenciatura e mestrado, promovendo uma educação alinhada com a sustentabilidade.

“Integrar os ODS nos currículos e oferecer cursos interdisciplinares” permite aos estudantes “adquirir conhecimentos fundamentais para impulsionar a mudança alinhada com os princípios do desenvolvimento sustentável”, salienta a Secretária-Geral Adjunta das Nações Unidas, Amina J. Mohammed, sobre a importância do papel das instituições de ensino superior neste compromisso.

Para a Reitora da UCP, Isabel Capeloa Gil, a iniciativa agora reconhecida ilustra "a missão da universidade e reforça o compromisso com a Agenda 2030. A inovação e a responsabilidade social estão ao serviço da comunidade num projeto que reúne o conhecimento de várias faculdades e académicos".

Desde o lançamento da iniciativa, em 2022, mais de 150 estudantes de todo o país participaram nas Cadeiras ODS da UCP.

“Das fronteiras às salas de aula”

O programa de acolhimento de estudantes em situação de emergência humanitária também foi reconhecido pela ONU. Vai ser partilhado no Global Refugee Forum, evento promovido pela UN Refugee Agency, em Genebra, entre 13 e 15 de dezembro, e está disponível no Global Compact on Refugees da UNHCR.

O programa de bolsas para refugiados é um esforço alinhado com os ODS, tendo como objetivo primordial promover a inclusão e integração de refugiados, fortalecendo o compromisso da universidade com a diversidade e a responsabilidade social.

Para Inês Espada Vieira, responsável pelo programa, “mais do que um reconhecimento para o trabalho desenvolvido na UCP, esta partilha é um estímulo para continuar a atuar com os nossos estudantes refugiados na construção de um presente de esperança e paz para todos”.

14-12-2023

Alterações climáticas: “é uma altura relevante para falarmos disto e a Universidade Católica não pode deixar de fazer parte da conversa”

Entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro, no campus Porto da Universidade Católica Portuguesa, realizou-se um ciclo de eventos de sensibilização para a Agenda 2030 e para os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que culminou com um painel-debate sobre as alterações climáticas, no Auditório Carvalho Guerra.

Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa, abriu o painel-debate sobre as alterações climáticas reafirmando que esta “é uma altura relevante para estarmos a falar disto e a Católica não pode deixar de fazer parte da conversa.” O painel, moderado por Margarida Silva, docente da Escola Superior de Biotecnologia (ESB), foi composto por Filipa Pires de Almeira (Center for Responsible Business and Leadership - Católica Lisboa), Leonardo Costa (docente da Católica Porto Business School), Maria Luíz Paz (finalista da licenciatura de Microbiologia da ESB) e Pedro Macedo (Centro do Clima da Póvoa de Varzim & Global Change and Sustainability Institute). Focado nas razões profundas da incapacidade internacional de resolver as alterações climáticas nas últimas cinco décadas, o painel-debate abordou questões sociais, ecológicas e económicas que tanto são causa, como efeito, segundo os participantes. Nesse sentido, Pedro Macedo assinalou a urgência de agir: “temos de pensar se vamos ser otimistas, ou se vamos escolher ter algum realismo. Vamos entrar em pontos sem retorno, em termos climáticos.

O painel terminou com um momento de reflexão sobre o campus do Porto da Universidade Católica, onde a assistência foi convidada a escolher um dos ODS da área do Ambiente e a identificar a maior prioridade para a Católica no Porto melhorar nessa área.

 

No início de dezembro, falamos sobre Ambiente no campus Porto

A Sociedade de Debates da Católica Porto organizou uma sessão de debates sobre alterações climáticas onde foram muitos os alunos que participaram.  Um dia depois, as atenções estiveram voltadas para uma Oficina de Expressão Artística «Tecendo Consciência Ambiental», em linha com a investigação interdisciplinar ‘Correlatos neurais do comportamento do consumidor’, do Human Neurobehavioral Laboratory – HNL. “O nosso desafio foi o de demonstrar que nada é simplesmente descartável ou facilmente substituível. Para nós, a filosofia de não descartar sem reutilizar de alguma forma que crie valor, vai além de um mero compromisso. É uma verdadeira celebração da essência do têxtil,” explicou Patrícia Oliveira-Silva, diretora do HNL, membro da direção da Faculdade de Educação e Psicologia, do projeto be@t - Bioeconomy at Textiles, e coordenadora da comissão organizadora da oficina, que teve como propósito fomentar, em simultâneo, a criatividade e a consciência ambiental dos estudantes da Universidade Católica Portuguesa.

A 4 de dezembro, da parte da manhã, o átrio do edifício central recebeu o momento “Experimente o Mural do Clima e o Kahoot do Futuro, sozinh@ ou em conjunto com colegas e amigos”.

A 5 de dezembro, Dia Mundial do Solo e Dia Mundial do Voluntariado, foram várias as iniciativas. A manhã começou com uma ação de voluntariado por um campus mais sustentável. Docentes, colaborares e alunos participaram ativamente na eliminação de plantas exóticas invasoras do campus e plantaram arbustos e árvores nativas para promover a biodiversidade local. Assim, “contribuíram para o ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre”, referiu Conceição Almeida, membro do GEA e do projeto 100 mil árvores. No início da tarde realizaram-se as Olimpíadas da Sustentabilidade.  O dia terminou com o Painel-debate «Alterações climáticas: entre o colapso e a impotência», os Grupos de trabalho «Ideias para adiar o fim do mundo» e com a exibição do filme «Taming the Garden» de Salomé Jashi, uma iniciativa do Cineclube EA.

Estas iniciativas enquadraram-se no ciclo de eventos de sensibilização para os ODS organizado ao longo de 2023 pela Universidade Católica Portuguesa nos diferentes campus.

14-12-2023

Luísa Mota Ribeiro: “Na liderança do Centro de Investigação, sinto um grande espírito de missão.”

Luísa Mota Ribeiro é docente da Faculdade de Educação e Psicologia (FEP-UCP). É, também, diretora do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) e co-coordenadora do projeto CApS, que visa a promoção da metodologia Aprendizagem-Serviço (ApS) na Universidade e noutras instituições de ensino superior. Acredita que esta metodologia “marca os estudantes de forma global.” “Conexão” é uma palavra-chave na sua missão enquanto professora e nas suas aulas promove “ambientes seguros” para se aprender. Desejo para os próximos tempos? Ver mais vezes o pôr-do-sol.

 

Quando é que descobre a Psicologia na sua vida?

Sempre estudei música: primeiro foi o piano e depois o canto. Acabei por fazer o conservatório. Em paralelo, também gostava muito da área da Biologia. Estas eram, por isso, as minhas possibilidades quando pensava no meu futuro profissional. A partir do 9.º ano, fui tendo contacto com o psicólogo da escola onde eu estudava, que curiosamente viria a reencontrar na FEP-UCP. Este primeiro contacto com a Psicologia foi muito marcante para mim e acabou por me permitir ir à descoberta desta área.

 

Escolha sobre a qual nunca se arrependeu até hoje …

Ingressei na licenciatura em 1992 e até hoje não houve um momento em que tivesse hesitado. O meu caminho é mesmo este (risos). Uma das coisas que, desde o início, mais me prendeu foi a dimensão de comunicar com as pessoas, de ajudar as pessoas, de fazer dinâmicas de grupo, refletir em conjunto, socializar, estar com outras pessoas e crescer como pessoa em grupo. Diria que foi isto e ainda é isto que me prende à Psicologia.

 

É uma profissão de relação?

Sem dúvida. Atrai-me muito a possibilidade de trabalhar com outras pessoas, podendo contribuir para o seu bem-estar, não propriamente só em alturas de crise, mas sobretudo poder contribuir para a prevenção e para promoção do bem-estar e do desenvolvimento das pessoas. É uma profissão de relação e é isso que me faz sentir, profundamente, identificada.

 

“A minha missão é garantir que o ambiente das minhas aulas é um ambiente, verdadeiramente, seguro.”

 

Como é que hoje as pessoas percecionam a Psicologia em comparação com a altura em que ingressa na sua licenciatura?

Hoje em dia é tudo muito diferente. Quando há trinta anos tomei a decisão de ir estudar Psicologia, recordo-me que houve imensa gente surpreendida: ou porque consideravam que era um curso sem saídas profissionais, ou porque não entendiam o porquê de eu não ir para medicina se tinha boas notas ou simplesmente porque não entendiam a razão da minha escolha. A perceção relativamente à Psicologia é hoje muito diferente. Hoje em dia, olhamos para o Psicólogo, enquanto profissional que trabalha em diferentes dimensões e que acaba por estar em contextos muito diversos. Já não consideramos que os Psicólogos só servem para atuar em situações de crise. A sua ação vai muito para além disso e em grande parte das situações está, precisamente, antes disso. Trabalhamos na prevenção e na promoção do bem-estar e do desenvolvimento.

 

Quando é que vem para a Universidade Católica?

Estou na Faculdade de Educação e Psicologia desde 2004, o ano em que abriu a licenciatura em Psicologia. Tive o privilégio de pertencer à equipa que, desde o início, construiu a licenciatura em Psicologia da FEP-UCP. Fui responsável, logo desde o início, por montar e lançar o serviço comunitário, programa que, ainda hoje, constitui um elemento distintivo da nossa licenciatura. Passados quase 20 anos, o serviço comunitário continua em funcionamento, inclusivamente com a adoção da metodologia aprendizagem-serviço, tendo os alunos o desafio de identificar necessidades num determinado contexto, desenhando, implementando e avaliando um projeto em conjunto com a comunidade.

 

“O serviço comunitário permite que um aluno, logo desde o primeiro ano, ponha os pés no terreno e integre contextos reais.”

 

Porque é que estudar Psicologia na Católica é diferente?

Há várias coisas que nos distinguem. O serviço comunitário, sobre o qual já falamos, é, sem dúvida, um deles. O serviço comunitário permite que um aluno, logo desde o primeiro ano, ponha os pés no terreno e integre contextos reais. Isto tem muito valor. Outra dimensão que nos diferencia é o acompanhamento e a proximidade. Conhecemos os alunos pelo nome e isso faz toda a diferença. O nosso ensino tem uma vertente muito prática, desde logo porque a maioria dos docentes exercem ou exerceram Psicologia e, por isso, trazem muitas experiências e histórias para as aulas e para a relação com os alunos. Para além disto, temos, também, dentro de portas uma clínica de psicologia, a CUP, e também um centro de investigação, o CEDH. Fora da sala de aula, são muitas as oportunidades que os estudantes podem explorar.

 

É diretora do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH), da Faculdade de Educação e Psicologia. Como encara a responsabilidade?

Assumi recentemente a direção do CEDH. Para mim, a palavra que descreve esta nova etapa é “desafio”. Sinto um grande espírito de missão. Quero trazer para o centro de investigação este meu perfil de agregadora, quero trazer este meu lado de escuta e tentar criar conexões entre todos. O nosso Centro foca-se no desenvolvimento humano numa perspetiva multidimensional. Olhamos para o desenvolvimento humano ao longo do ciclo de vida. Temos como objetivo melhorar a cada dia a qualidade da nossa investigação para podermos ser cada vez mais uma referência nacional e internacional. 

 

Enquanto professora, o que é que mais quer transmitir aos seus alunos?

Digo muitas vezes aos meus alunos que só lhes peço uma coisa, nas aulas: só lhes peço que estejam presentes comigo naquela aula. O que mais quero é que estejam presentes verdadeiramente para que possamos partilhar juntos aquele momento. O que mais quero transmitir aos meus alunos é esta presença e esta conexão. Quero que os estudantes se sintam conectados com eles próprios, com o momento presente, com as suas necessidades, emoções e pensamentos e, muito importante, conectados com os outros e com os conteúdos que estamos a abordar. Acima de tudo, é isto que tento transmitir aos meus alunos.

 

“Somos já considerados uma referência europeia na implementação e institucionalização da metodologia Aprendizagem-Serviço.”

 

Como é que isso se ensina?

Desaprendendo. Precisamos de desaprender muitas vezes aquilo que aprendemos. Todos nós temos preconceitos, estereótipos e ideias sobre determinadas coisas. Enquanto estudantes de Psicologia e futuros profissionais, precisamos de nos questionar e de colocar em causa coisas que aprendemos anteriormente. Nas aulas, tento desafiar os meus alunos a desconstruir ideias e a encontrarem novas conceções. Isto só é possível quando os alunos compreendem que o espaço da aula é um contexto seguro. A minha missão é garantir que o ambiente das minhas aulas é um ambiente, verdadeiramente, seguro para desaprender, para questionar, para olhar para novas perspetivas.

 

O que é um ambiente seguro para aprender?

É um ambiente onde professor e alunos podem ser autênticos e onde há espaço para acolher as necessidades e as emoções de cada um dos presentes. É, acima de tudo, um lugar onde nos podemos conectar, verdadeiramente, connosco mesmos, sem medo de sermos julgados.

 

“Mais de 70% dos alunos afirmou que mudou o seu propósito de vida “moderadamente” ou “muito” com o projeto de ApS”

 

É a coordenadora nacional, em conjunto com Carmo Themudo da UDIP, do projeto de implementação da metodologia Aprendizagem-Serviço (ApS) na Universidade Católica Portuguesa.

É um projeto de cariz nacional que está a ser coordenado pela FEP e pela Unidade de Desenvolvimento Integral da Pessoa. Atualmente, a metodologia Aprendizagem-Serviço já está a ser aplicada em todos os campi da UCP. Já estão envolvidas muitas faculdades e mais de 60 docentes. A ambição é que a metodologia seja aplicada ainda em mais unidades curriculares dos ciclos de estudos da UCP. Queremos promover a Aprendizagem-Serviço na nossa Universidade, mas também noutras Universidades. Já temos vindo a ser, inclusivamente, convidados a participar em várias conferências e a dar formação a outras instituições. Somos já considerados uma considerados uma referência europeia na implementação e institucionalização desta metodologia.

 

Que resultados e projetos é que resultaram da aplicação desta metodologia?

Temos muitas histórias que resultam da aplicação desta metodologia e que nos revelam o impacto que isto tem no desenvolvimento dos estudantes. É muito significativo, porque permite aos estudantes estarem em contexto real. Desde um projeto no estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo que envolveu a prática da pintura por parte dos reclusos, até ao desenvolvimento de um projeto na área do desporto com os utentes do Fórum Sócio-Ocupacional da AFUA e até, também, à criação de uma horta num jardim de infância. São muitas as histórias. Esta metodologia marca os estudantes de uma forma global. Temos feito investigação neste domínio e, no questionário que aplicamos aos estudantes, perguntamos em que medida é que sentem que o seu propósito de vida mudou com o projeto ApS. Mais de 70% dos alunos afirmou que mudou o seu propósito de vida “moderadamente” ou “muito”. É um indicador muito relevante. Os estudantes sentem esse impacto neles próprios, mas a comunidade também. Enquanto universidade católica que somos, temos esta grande ligação à comunidade. Queremos trabalhar em conjunto com a comunidade em prol do bem-estar de todos.

 

Que impacto é que este projeto tem em si?

Sinto um grande alinhamento com este projeto, porque está muito alinhado com o meu propósito de vida pessoal. Sinto-me eu própria neste trabalho. É um projeto que me acrescenta muito.

 

O que é que gosta de fazer nos tempos livres?

Gosto muito de natureza e gosto muito de passear. Praticar yoga, estar com os meus filhos, ouvir música e conviver. Há uns tempos uma colega perguntou-me quais eram as minhas aspirações e eu respondi que queria ver mais vezes o pôr do sol.

 

13-12-2023

Projetos de investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina ganham financiamento da FCT

Os investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina - Joana Cristina Barbosa, Ezequiel Cosqueta, Ricardo Garcia, Viviana Ribeiro - e João Botelho (investigador de outra instituição), viram os seus projetos individuais selecionados na 6.ª edição do Concurso ao Emprego Científico Individual, dinamizado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Um apoio que pretende aprofundar e especializar o exercício de atividades de investigação científica e de desenvolvimento tecnológico no país.

Os cinco projetos a serem desenvolvidos no CBQF inserem-se em duas áreas de investigação: da Biologia e Bioquímica Experimental e na das Ciências Animais e Veterinárias e Biotecnologia Alimentar.

No primeiro campo científico, Joana Cristina Barbosa pretende estudar as potencialidades dos probióticos (bactérias benéficas, que aumentam a defesa do organismo) intestinais na produção de agentes antimicrobianos (que inibem o desenvolvimento de microrganismos que podem ser nocivos); João Botelho, também na Biologia e Bioquímica Experimental, procura compreender e investigar a relação entre a redundância genética e a resistência ao efeito de antibióticos. No âmbito das Ciências Animais e Veterinárias e Biotecnologia Alimentar, Ezequiel Cosqueta propõe uma investigação sobre a utilização de microbots na prevenção e resolução de problemas gastrointestinais; Ricardo Garcia vai investigar sobre modelos sustentáveis de processamento de novas proteínas com potencial alimentício e nutricional; e Viviana Ribeiro pretende apurar as potencialidades da pele de coelho no tratamento de queimaduras.

Sobre os cinco projetos apoiados pela FCT, Manuela Pintado, docente, investigadora e diretora do CBQF, afirma que esta seleção “comprova e reforça o trabalho continuado de investigação científica no Centro de Biotecnologia e Química Fina.

O apoio à contratação de investigadores doutorados, proporcionado pelo Concurso ao Emprego Científico, tem como objetivo “reforçar o sistema científico e tecnológico nacional através da criação de oportunidades de emprego para investigadores doutorados, promovendo a formalização do emprego científico após o doutoramento, contribuir para a atração e fixação em território nacional de doutores qualificados e, ainda, contribuir para o rejuvenescimento das instituições científicas”, segundo o edital do concurso lançado pela FCT.

O CBQF foi fundado em 1990 e atualmente conta com mais de 245 investigadores, que têm como missão desenvolver e difundir conhecimento inovador na área da biotecnologia, de forma a contribuir para a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

13-12-2023

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