Resultado de uma residência artística desenvolvida na Escola das Artes desde janeiro de 2019, Jonathan Uliel Saldanha apresentará, no dia 9 de abril, a performance “Scotoma Cintiliante”, no Auditório Ilídio Pinho, e a exposição “Dismorfia”, na Sala de Exposições da Escola das Artes.
SCOTOMA CINTILANTE
A performance Scotoma Cintilante – que integra as celebrações dos 40 anos da Universidade Católica Portuguesa no Porto e, ainda, a programação da bienal BoCA (Biennial of Contemporary Arts) – parte de uma mundivisão onde a relação tátil com a matéria inanimada é a fonte primordial da construção do som. Este concerto-performance inscreve-se entre matéria e anima, pré-linguagem e superfície, operando a interceção de quatro eixos distintos: o aparelho vocal humano; a mediação de uma linguagem háptica (relativa ao tacto); a refração como mecanismo tático de mutação e “re-materialização” do tempo; e a camuflagem da palavra pela voz. Entre a dismorfia, a refração vocal e uma Via Sacra.
Assim, este concerto-performance inscreve-se entre matéria e anima, pré-linguagem e superfície, o devir de um objecto e uma Via Sacra. Operando a interceção do aparelho vocal humano com o tacto, numa refração da voz pela dismorfia.
A estreia da performance Scotoma Cintilante será feita no Auditório Ilídio Pinho em duas zonas contíguas, uma zona háptica onde a performance se desenrola e uma zona ressonante onde a performance é difundida.
Depois do concerto-performance, o artista inaugura na Sala de Exposições da Escola das Artes, a exposição “Dismorfia” – um trabalho que traduz os três meses da residência artística na Escola das Artes da Católica no Porto.
Esta exposição documenta igualmente o trabalho que o artista veio a desenvolver com vários professores da Escola das Artes, nomeadamente Pedro Monteiro (Música), Ricardo Megre (Animação), Carlos Lobo (Fotografia), André Perrota (Multimédia).
JONATHAN ULIEL SALDANHA
Jonathan Uliel Saldanha é um construtor sónico e cénico que trabalha na intereceção do som, do gesto, do palco e do filme. É fundador do coletivo SOOPA, co-fundador da editora SILORUMOR, uma das partes do duo FUJAKO e diretor dos HHY & The Macumbas. Em novembro estreou a peça SØMA na Culturgest Lisboa, e em 2017 as instalações de vídeo e som AFASIA TÁTICA, na Culturgest Porto, e ANOXIA, na Bienal Ano Zero em Coimbra. Co-criador das peças de palco BOCA MURALHA, SHARK, REI TRILOGY e encenador das peças JUNGLE MACHINE, KHORUS ANIMA, O POÇO e OXIDATION MACHINE apresentadas em espaços como o Museu de Serralves, o Accès(s) Festival, o Teatro Municipal Rivoli e o Palais de Tokyo, Paris.
O Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Escola das Artes, Universidade Católica Portuguesa, organiza o simpósio Música Analítica 2019: Simpósio Internacional em Análise e Teoria da Música, a ocorrer no Campus da Foz, Porto, de 21–23 de Março, 2019.
O simpósio promove a noção de música como análise e análise como música—uma glosa da expressão “música analítica”—argumentando que os nossos modos discursivos de análise não estão fora da música, nem são apenas um complemento enriquecedor que lhe adicionamos, mas antes são integrais à forma como experienciamos, concebemos, e exprimimos a música. Em suma, a análise (implícita ou explícita) está implicada no modo em que enquadramos, processamos, e construímos o tempo e som (incluindo aspectos como o gesto ou a experiência comunal) em/como música.
A temática do simpósio é abrangente e inclusiva, esperando receber propostas com uma variedade de perspectivas sobre análise e teoria musical (especulativa, prática, histórica), ou que possam estabelecer intersecções com disciplinas como história, composição, teoria crítica, etnomusicologia, performance, artes sonoras, matemática, ciências cognitivas e tecnologias. Além disso, são particularmente encorajadas abordagens pedagógicas que explorem as implicações metodológicas e sociais da análise musical.
Refletindo o âmbito do encontro, o simpósio contará com os seguintes oradores principais:
Richard Cohn (Yale University)
Judit Frigyesi (Bar-Ilan University)
Sílvio Ferraz (Universidade de São Paulo)
John Rink (University of Cambridge)
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Organização Organizing Committee
José Oliveira Martins (CITAR-EA/Universidade Católica Portuguesa)
Sofia Serra (CITAR-EA/Universidade Católica Portuguesa)
Daniel Moreira (CITAR, ESMAE/Instituto Politécnico do Porto)
Paulo Perfeito (CITAR, ESMAE/Instituto Politécnico do Porto)
Telmo Marques (CITAR, ESMAE/Instituto Politécnico do Porto)
Termina com "Mudar de Vida" de Paulo Rocha, o ciclo de cinema português "Brandos Costumes, Velhos Costumes" no Cineclube EA. Leia aqui a folha de sala, e confira também a programação do próximo ciclo no site do cineclube.
02.11.2021 18:30 Edifício das Artes / Arts Building
de Paulo Rocha
Portugal, 1966, 103'
Sinopse
Fortemente influenciado pela nouvelle vague, Paulo Rocha explora os temas de redenção e o efeito sócio-cultural da emigração em Portugal nos anos 60. Mudar de Vida segue Adelino no seu regresso a casa. Após servir o serviço militar obrigatório em África, este regressa para encontrar um Portugal diferente daquele que ele tinha deixado para trás.
Folha de sala
“O Meu País é o que o Mar Não Quer”
por Vasco Vasconcelos (mestrando em cinema)
De um grupo de novos realizadores portugueses que no final dos anos 50 e início dos anos 60 se espalharam pela Europa e aí tiveram contacto com a vanguarda cinematográfica, talvez nenhum outro tenha um papel tão decisivo no cinema feito em Portugal como Paulo Rocha. Em conjunto com mais dois ou três filmes de outros realizadores, Os Verdes Anos – primeira obra de Rocha – e Mudar de Vida são o molde do “novo cinema português”. Mas enquanto o primeiro era carregado de urgência e uma espécie de manifesto de uma geração com pressa de introduzir uma nova sensibilidade, Mudar de Vida é um caso particular de austeridade e delicadeza, fruto de uma visão mais íntima e da vontade de retratar um lugar e um modo de vida enraizados na memória do realizador. Ainda que muito distintos, os dois filmes começam com uma chegada para não mais deixarem de sugerir uma partida. Talvez aí esteja já um indício daquilo que João Bénard da Costa considerava ser o tema de fundo do cinema português: um país que é ao mesmo tempo um profundo amor e uma profunda maldição.
Se, em Os Verdes Anos, um jovem abandona a sua terra à procura de uma vida melhor na capital, em Mudar de Vida, Adelino volta a casa depois de perder a juventude numa guerra além-mar. Regressado de África, encontra uma vila que quase não reconhece e uma vida que lhe trocou as voltas. Júlia fartou-se de esperar por ele, de anos sem uma letra. No Furadouro, a paisagem alterou-se e as estruturas ficaram expostas: uma comunidade desmembra-se e desespera perante o mar esfomeado, que não distingue entre a casa grande e os pequenos palheiros que mal se equilibram nas dunas. Um poço escorchado parece uma chaminé, mesas e cadeiras são arrastadas pelas ondas. A vida leva ainda outras coisas: os velhotes, as companhas, até os costumes leva. Sobrevivem alguns no filme: festas em honra da Senhora da Saúde; o Bendito, cantado em alto-mar pelos pescadores; bailes na noite de São João – Ora aperta, amor, aperta, aperta a minha cintura. Este nosso bem-querer só tem fim na sepultura. Danças macabras em que cada um faz o que pode e o que todos fazem é comer-se uns aos outros. O filme vai perdendo os vestígios neo-realistas e prossegue sob o signo de Mizoguchi, cerzido pelas subtis linhas de guitarra e flauta de Carlos Paredes e pelos irrepreensíveis diálogos, escritos e reescritos por António Reis em cima de cada cena – “cada dia mais magro, sempre em suores frios, à procura da vírgula, da pausa, da assonância secreta e expressiva”, como dele se lembra Paulo Rocha. Entre águas, Adelino vagueia só. Voluntário à força, querem que troque o mar pela ria, a areia pelo sal, as redes pelos círculos, trapézios e quadrados. Vão-se os precários palheiros, os vagalhões que balançam os barcos, os bois que lavram o oceano. Vêm as águas paradas e os pântanos, os moliceiros a rasgar a neblina, as correrias pela mata. Pescador de água doce, Adelino encontra Albertina, rebelde e esquiva, pássaro de arribação. Segredam tristezas, moem águas passadas, fazem contas ao que há a perder e a ganhar. Afinal, ias daqui para algum lado?
26.10.2021 18:30 Edifício das Artes / Arts Building
No dia 26 de outubro, às 18h30, no Auditório Ilídio Pinho, o Cineclube da Escola das Artes apresenta o filme “Recordações da Casa Amarela” de João César Monteiro (Portugal, 1989, 122’).
08.11.2021 13:15 Edifício Central / Central Building
O Ciclo Alta Inspiração regressa ao programa anual de atividades da UDIP, como um espaço mensal de inspiração, reflexão e introspeção aberto a toda a comunidade.
Acontece uma vez por mês e em cada sessão o orador é convidado a dar um testemunho pessoal e único sobre o percurso de vida pessoal/profissional à luz da fé católica.
A 1ª sessão da 2ª temporada irá abordar o tema “1º contágio de esperança”, contando com o Prof. António Sarmento, Infeciologista do Hospital de S. João e primeiro vacinado em Portugal contra a COVID 19.
Realiza-se no próximo dia 8 de novembro, às 13h15, no Auditório Carvalho Guerra. Aparece!
No próximo dia 15 de outubro decorre a 7.ª edição do International Student Meeting. Entre as 16h00 e as 18h00, o evento irá acontecer simultaneamente nos 4 campi da universidade.
O evento que procura celebrar as diversas nacionalidades que compõem a Universidade Católica Portuguesa e dar a conhecer as 4 cidades onde esta está inserida, – Lisboa, Braga, Porto e Viseu – destina-se aos alunos internacionais, de mobilidade e regulares, recém-chegados à universidade.
Este ano o programa será dinamizado pelo Centro Regional do Porto (CRP).
Os alunos são convidados a reunir presencialmente no seu próprio campus e a conhecer os seus colegas de outros campi através de transmissão ao vivo.
O programa inclui uma sessão de boas-vindas, um vídeo de sightseeing da cidade do Porto, um quiz e uma atuação da tuna do CRP, seguida de um momento de convívio informal.
Complete a sua inscrição junto do International Office da sua Faculdade, até ao próximo dia 11 de outubro. A lotação é limitada, pelo que deve inscrever-se o mais cedo possível.
15 out. | 18h30 | Terra de Todos, Terra de Alguns (2018) no Auditório Ilídio Pinho
Em tempos incertos, nos quais a participação cívica pode ser a única solução para um mundo em reconstrução, é urgente refletir sobre os vários desafios sociais, culturais, ambientais, políticos e económicos que caracterizam a atual arquitetura do mundo.
Assim, de forma a criar o tempo e o espaço onde a comunidade possa abraçar diferentes e novas perspetivas sobre a cooperação internacional, pela primeira vez no contexto Pós-Graduação em Gestão de Projetos de Cooperação para o Desenvolvimento, promovida pela Área Transversal de Economia Social (ATES) da Católica no Porto, está a ser organizado, por um grupo de professores e de alumni do programa, um Ciclo de Cinema Documental, de entrada gratuita, que irá ter lugar no campus Foz, Auditório Ilídio Pinho, em outubro de 2021.
O cinema afirma-se como um espaço privilegiado para potenciar o debate e a inquietação, tão necessário à transformação.
22 out. | 18h30 | O Silêncio dos Outros (2018) no Auditório Ilídio Pinho
Em tempos incertos, nos quais a participação cívica pode ser a única solução para um mundo em reconstrução, é urgente refletir sobre os vários desafios sociais, culturais, ambientais, políticos e económicos que caracterizam a atual arquitetura do mundo.
Assim, de forma a criar o tempo e o espaço onde a comunidade possa abraçar diferentes e novas perspetivas sobre a cooperação internacional, pela primeira vez no contexto Pós-Graduação em Gestão de Projetos de Cooperação para o Desenvolvimento, promovida pela Área Transversal de Economia Social (ATES) da Católica no Porto, está a ser organizado, por um grupo de professores e de alumni do programa, um Ciclo de Cinema Documental, de entrada gratuita, que irá ter lugar no campus Foz, Auditório Ilídio Pinho, em outubro de 2021.
O cinema afirma-se como um espaço privilegiado para potenciar o debate e a inquietação, tão necessário à transformação.