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Raquel Matos apresenta a comunicação na conferência anual da “Law and Society Association”, em Washington

Raquel Matos, investigadora do CEDH e professora da FEP-UCP, apresenta a comunicação "Paradoxes of Social Rehabilitation: Impact of Gender, Nationality and Citizenship in the Carceral Pathways of Foreign National Women in Portugal and Spain" na conferência anual da “Law and Society Association”, em Washington (EUA), no dia 31 de maio de 2019. Este trabalho é apresentado em coautoria com a investigadora Ana Ballesteros Pena, das Universidades da Corunha e de Toronto. 
 

 

18-06-2019

Católica no Porto e Município de Santa Maria da Feira lançam Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Economia Social

A Universidade Católica do Portuguesa, Centro Regional do Porto, estabeleceu recentemente um protocolo com o Município de Santa Maria da Feira, em parceria com a Indaqua, Indústria e Gestão de Águas, S.A, visando a colaboração em termos de formação e qualificação dos profissionais e dirigentes das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho.

Em causa está uma Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Economia Social, que integra quatro módulos (Sustentabilidade das Organizações; Gestão Estratégica de Pessoas; Contabilidade, Fiscalidade e Enquadramento Jurídico; Auditoria e Trabalho de Projeto) e 19 unidades curriculares, num total de 270 horas de formação.

A Pós Graduação é promovida pela ATES (Área Transversal de Economia Social da Universidade Católica portuguesa) que investe em formações focadas na pessoa e nas necessidades das organizações de economia social, com o objetivo de fortalecer competências.

A Cerimónia teve lugar na VI Edição do evento Mosaico Social, contando com os representantes da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, da Católica no Porto e da Indaqua que assinaram o protocolo com vista numa forte capacitação das instituições de solidariedade social do concelho proporcionando assim, a frequência da Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Economia Social, a dirigentes, técnicos e outros colaboradores das IPSS’s.

 


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17-06-2019

Como dignificar o trabalho na era digital

Carlos Costa Gomes, docente e investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, participou no XVII Congresso Nacional – Como Dignificar o Trabalho na Era Digital - da LOC/MTC, realizado em Fátima, 9 de Junho.

O docente começou por questionar se devemos aceitar ou preferir a tecnologia (IA) face à humanidade? Na resposta a esta questão afirmou que o que nos torna humanos não é o matemático, nem mesmo o químico ou o biológico. Mas o que nos envolve. Isto é, o que passa despercebido, o indizível, autoconsciência, o efémero, e o não objetivável. Esta é a essência humana que temos que preservar, mesmo que desajeitada, complicada, lenta, arriscada ou insuficiente quando comparada com máquinas e com a IA. Podemos até tentar corrigir e reparar mas será imprudente automatizar, programar e atualizar, na medida em erradicamos, por esta via, o que faz de nós seres humanos.

O problema e o desafio principal para dignificar o trabalho humano e o homem, não é tanto a aniquilação da humanidade pela tecnologia, mas antes evitar que o ser humano começar a preferir as boas simulações fornecidas pelas máquinas em detrimento da própria realidade, com por exemplo: conversar com os nossos assistentes digitais? Comer comida impressa em 3D? Viajar por mundos virtuais? Serviços personalizados nas nossas casas inteligentes por drones? Servidos por robôs? Sistemas que a partir da realidade aumentada e virtual amplifiquem os sentidos humanos?

Seremos ainda ser humanos se começarmos a preferir (RA RV) o mundo desta forma, à semelhança das redes sociais? Será que poderemos vir a ser demitidos se recusarmos trabalhar no mundo de realidade virtual?

A filosofia argumenta que nunca podemos efetivamente captar, reter ou reproduzir o que realmente interessa. Se isto é verdade, como poderemos esperar captar algum tipo de humanidade simulada a partir de uma máquina inteligente? O negócio de substituir experiências intrinsecamente humanas por algoritmos e IA que prometem capacidades divinas, irá ser enorme, mas será isso uma mais-valia para o ser humano. Devemos entregar de mão beijada o nosso futuro àqueles que o querem transformar num sistema operativo?

Se quisermos dominar o confronto entre a robotização e a Humanidade teremos de usar as regras básicas: ser exigentes mas compreensíveis para não impedir o progresso. Por isso é preciso Ver acontecer, é necessário Julgar e é indispensável Agir e melhorar a nossa compreensão da exponencialidade da tecnologia e o que representa para o futuro da humanidade. Temos que aprender a imaginar as mudanças e depois a viver com as mudanças.

Como dignificar o trabalho na era digital? A resposta passa por nos tornar melhores gestores da humanidade. Qualquer um de nós - um trabalhador, um líder empresarial ou qualquer político na sua condição representante público -, tem de aceitar esta tarefa e agir com responsabilidade em moldar o futuro da humanidade. A tecnologia sem ética condena a sociedade; temos que agir para impedir que as tecnologias passem de bestiais a bestas, de forma a alcançar o justo meio de Aristóteles; temos que agir de forma a exigir dos que inventam e investem nas novas tecnologias ofereçam formas mais eficazes para reduzir ou limitar consequências indesejadas; temos que agir para que a tecnologia e a humanidade devam fazer parte dos planos de estudos da mesma sala de aula; para dignificar o trabalho temos que preservar uma clara distinção entre o que é real e o que é cópia ou simulação.

Qual o papel das organizações neste novo tempo? Devem avaliar e julgar se esta tecnologia vai diminuir a humanidade; avaliar e julgar se esta tecnologia irá promover a felicidade humana; avaliar o julgar os efeitos colaterais involuntários e potencialmente desastrosos; verificar e avaliar se esta tecnologia assumirá muito poder em si mesma; se esta tecnologia vai servir o homem ou vai servir-se a si mesma; avaliar a necessidade de moldar novos contratos sociais que abordem os efeitos nocivos para humanidade.

Junho 2019

17-06-2019

António Fonseca participa no Seminário Internacional de Saúde Mental e Direitos Humanos, no Brasil

António Fonseca, docente da FEP e investigador do CEDH, apresenta a conferência “Promoção da Saúde Mental em pessoas idosas através da participação Social”, neste Seminário Internacional, que se realiza nos dias 2 e 3 de agosto de 2019, em S. Luís do Maranhão, no Brasil.
 
Dirigido a profissionais e estudantes da área da saúde, educação, assistência social, justiça, utentes e familiares de contextos de intervenção em saúde mental, este seminário tem como objetivo fortalecer o cuidado em saúde mental alicerçado nos princípios da reforma psiquiátrica, visando a integração de instituições, profissionais, usuários, familiares e comunidade em geral. Apresentar e difundir práticas de cuidado em saúde mental que favoreçam o exercício de cidadania.
 
17-06-2019

Docente da Católica Porto Business School eleita representante nacional de Portugal na EMAC, a Associação Europeia de Marketing

Susana Costa e Silva, docente da Católica Porto Business School foi eleita ‘National Representative for Portugal´ na Assembleia Geral da EMAC – European Marketing Academy Conference, com um mandato de 3 anos.

O National Representative deve trabalhar no sentido de promover a academia de marketing europeia no seu país, deve providenciar ao comité executivo feedback dos membros do seu país, atuando assim como elo de ligação entre as organizações ligadas ao Marketing de caráter local e nacional e os membros desta organização. De acordo com Susana Costa e Silva, a investigação na área do marketing será, neste sentido, uma prioridade, a que se soma a formação neste domínio.

A Assembleia Geral da EMAC teve lugar no dia 29 de maio, em Hamburgo, na Alemanha.

13-06-2019

Universidade Católica e Cisco anunciam parceria para a integração de tecnologia pioneira no seu Campus do Futuro

A Universidade Católica Portuguesa assinou recentemente uma parceria com a CISCO para a integração de soluções tecnológicas inovadoras no seu Campus. Esta ampla parceria promoverá o desenvolvimento de um novo Smart Campus 4.0, pioneiro em Portugal, que inclui um centro de inovação, integrando o programa de desenvolvimento de software Cisco DevNet e o Cisco Networking Academy para formação e desenvolvimento em competências digitais.

Mais informação disponível aqui

13-06-2019

ESB comemora 30º aniversário de formação em Engenharia Alimentar no país

Pioneira na implementação do curso universitário em Engenharia Alimentar em Portugal, a Universidade Católica Portuguesa aliou a abertura da Escola Superior de Biotecnologia, em 1984, à implementação da primeira licenciatura focada na formação de quadros qualificados em processos de produção e conservação de alimentos a nível industrial. Após 30 anos, a ESB juntou os pioneiros do curso num encontro sobre os “30 anos de Engenharia Alimentar em Portugal: dos pioneiros à atualidade" que permitiu debater a importância de se responder às exigências dos consumidores cada vez mais conscientes do impacto de uma alimentação saudável e sustentável. Atualmente, no novo Edifício de Biotecnologia, no campus Porto, a Escola Superior de Biotecnologia integra estes desafios na sua formação atual em Engenharia Alimentar.

O evento contou com a presença de Francisco Carvalho Guerra, um dos fundadores da Universidade Católica Portuguesa - Porto, assim como com as intervenções de Vergílio Folhadela, antigo Presidente da Associação Comercial do Porto e administrador da RAR, e de José Fernando Pinto dos Santos, professor da instituição e da INSEAD. Refira-se ainda que as celebrações desta data integram um momento de debate com engenheiros alimentares de várias gerações, com a moderação de Conceição Hogg, professora da Escola Superior de Biotecnologia.

Engenharia Alimentar: uma formação cada vez mais procurada
A formação em Engenharia Alimentar tem vindo a ganhar peso no panorama nacional e em particular na região Norte. O incremento da procura desta área de formação está correlacionado com o crescimento da indústria alimentar e de bebidas a nível nacional. A este nível, e no que toca a exportações de produtos alimentares, Portugal atingiu em 2018 o valor mais elevado de sempre, aumentando 3,1 por cento, face a 2017, num valor superior a cinco milhões de euros. A formação em Engenharia Alimentar habilita profissionais para atuarem ao nível do processo produtivo, distribuição, controlo de qualidade, inovação e investigação, capacitando os formandos para uma intervenção eficaz ao longo de toda a cadeia alimentar, com o objetivo de garantir a produção de alimentos em quantidade e qualidade.

Junho 2019

13-06-2019

Universidade Católica Portuguesa participa na NAFSA

A Universidade Católica Portuguesa participou na NAFSA (Association of International Educators), o maior encontro internacional dos responsáveis pela internacionalização das instituições de ensino superior e de investigação, que decorreu nos dias 26 a 31 de maio de 2019 em Washington D.C, sob o tema "Global Leadership, Learning, and Change”.

A presença da Universidade Católica Portuguesa neste evento vem reforçar a sua aposta na atração de estudantes norte-americanos, sendo que das 91 nacionalidades que frequentam a universidade, os estudantes americanos são já a sexta nacionalidade com maior expressão.

junho 2019

 

 

11-06-2019

Cardeal Elio Sgreccia (1928-2019): Cultor da Bioética Personalista Ontológica de Inspiração Cristã

Carlos Costa Gomes1

O Cardeal Elio Sgrccia, Presidente Emérito da Academia Pontifícia para a Vida e figura grada da Bioética, faleceu em Roma, no dia 5 de junho, com 90 anos de idade. Nasceu em 6 de junho de 1928, na cidade italiana de Nidastore di Arcevia, numa família de origem humilde, com uma vida simples e devota. Sgreccia era o mais novo dos seis irmãos.

Dadas as dificuldades, não só familiares, mas também motivadas início da 2ª Guerra Mundial, Elio Sgreccia, antes de entrar o Seminário Menor de Fossombrone, começou por trabalhar no campo, ajudando sua família, tendo iniciado os seus estudos numa escola profissional.

Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1952. A sua primeira tarefa pastoral foi a de assistente espiritual dos jovens da Ação Católica. Posteriormente, foi nomeado vice-reitor no seminário regional de Fano. Obteve a láurea em Letras Clássicas na Universidade de Bolonha e posteriormente nomeado Reitor do Pontifício Seminário de Fano. Em novembro de 1973, assume a responsabilidade pelo do serviço pastoral de professores e estudantes da Faculdade de Medicina e Cirurgia da sede romana da Universidade Católica do Sacro Cuore.

Em 1983 começou a lecionar as aulas sobre questões éticas na biomedicina na Universidade Católica. Em 1985 assume funções como diretor do Centro de Bioética e, em 1992, a direção do Instituto de Bioética, criado na Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade Católica de Sacro Cuore, em Roma. A partir dessa nomeação, torna-se um especialista em problemas éticos na área da medicina.

Nos anos 80, foi o observador da Santa Sé no Comitê de Ética do Conselho da Europa e desde 1990 a 2006 membro do Comitê Nacional Italiano de Bioética. Neste período Assumiu a função de secretário do Pontifício Conselho para a Família.

Como Vice-Presidente, e depois Presidente da Academia Pontifícia Para a Vida (1995-2008) até ao limite da idade estatutária de passar a Membro Honorário, que não permite o exercício de funções, Elio Sgreccia foi o corpo e a alma da Academia Pró Vita,

Em 6 de janeiro de 1993, foi ordenado bispo de Zama por João Paulo II e em 2010 foi nomeado Cardeal por Bento XVI, no Consistório de 20 de novembro.

Autor de uma extensa bibliografia destaca-se, entre os seus trabalhos, o "Manual de Bioética" para médicos e biólogos, traduzido para o francês, espanhol, português, inglês, russo, romeno, búlgaro, ucraniano, árabe e coreano.

Uma autoridade em Bioética
Elio Sgreccia é sem dúvida uma autoridade em Bioética. É se é reconhecido como tal, é-o porque o que escreve e ensina está baseado num espantoso acerco de conhecimentos científicos que recolhe de uma ampla e diversificada bibliografia, com a qual tem convivido ao longo de todos os seus muitos anos de ensino e da prática da Bioética, no Vaticano e no Mundo.

De acordo com Daniel Serrão, também membro Honorário da Academia Pontifícia Para a Vida, Sgreccia organizava sempre em tempo adequado a Assembleia do ano seguinte, ouvindo sugestões dos Académicos sobre temas a tratar e sobre os quais os especialistas a convidar para que a Assembleia não vivesse só dos contributos dos seus Membros

Efetivos e Correspondentes. Dos temas2 que divulgou, destacam-se:
2007 – A consciência Cristã como suporte do Direito à vida;
2006 – O embrião humano na fase de pré-implantação;
2005 – Qualidade de vida e ética da saúde;
2004 – A dignidade da procriação humana e as tecnologias reprodutivas;
2003 – Ética da investigação científica para uma visão cristã;
2002 – Natureza e dignidade da pessoa humana, fundamento do direito à vida;
2001 – A cultura da vida: fundamentos e dimensões;
2000 – Evangelium Vitae. Cinco anos de confronte com a sociedade;
1999 – A dignidade da pessoa que morre;
1998 – Genoma humano, pessoa humana e a sociedade do futuro;
1997 – Identidade e estatuto do embrião humano;
1996 – Evangelium Vitae e Direito;
1995 – A causa da Vida.

De todas estas assembleias foram publicados 13 volumes, em italiano e depois em inglês.

Da sua vasta experiência de difundir a Bioética de inspiração cristã em muitos países, particularmente na América Latina, sentiu a necessidade de recolher todo o seu imenso saber num livro que pudesse servir de manual (Manual de Bioética – Fundamentos da ética biomédica. Tradução portuguesa, 1ª Edição. Cascais: Principia, 2009), para quantos querem difundir a sua Bioética personalista ontológica.

Nenhuma questão, mesmo as mais sensíveis, deixa de ser abordada frontalmente e com recurso à reflexão racional intelectual. Elio Sgreccia afirma logo no início desta obra (p. 39) “seria, a nosso ver, impróprio e inútil para a própria fé negar a legitimidade e a necessidade de uma reflexão racional e filosófica sobre a vida humana, e por isso também sobre a licitude das intervenções no homem por parte do médico e do biológico: vida humana é, acima de todo, um valor natural, racionalmente conhecido por todos os que fazem uso da razão; o valor da pessoa humana é enriquecido pela Graça, mas não deixa de ser para todos, crentes e não crentes, um valor inegável.”

Ao longo do pensamento e da reflexão bioética de Sgreccia encontramos um diálogo vivo entre a fé e a razão que torna a leitura da sua obra muita estimulante para a inteligência de quem lê. O seu ensinamento é seguro, bem fundamentado e claro, num mudo onde os valores humanos e a dignidade da pessoa parecem desvanecidos.

Elio Sgreccia, seguido por muitos cultores da bioética, entre eles os pais da Bioética em Portugal - Daniel Serrão, Walter Osswald, Jorge Biscaia, Luis Archer – apresenta-nos uma bioética personalista enriquecida pelo seu conceito de personalismo ontológico, conceito que emerge do exercício do seu pensamento crítico racional, mas sem nunca perder a abertura à transcendência.

No dizer de Daniel Serrão, que privou da amizade de Elio Sgreccia na Academia Pontifícia para a Vida, ler a sua obra é fundamental para que possamos defender a verdadeira Bioética, a bioética fundada no personalismo ontológico.

Foto: Prof. Daniel Serrão, com Papa João Paulo II e o Cardeal Elio Sgreccia.

 

1 Seguimos neste artigo notas e apontamentos de Daniel Serrão sobre Elio Sgreccia.

2 De todas estas assembleias foram publicados 13 volumes, em italiano e depois em inglês.

11-06-2019

Transplantes de órgãos: problemas e princípios bio-éticos

Carlos Costa Gomes, docente e investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica (e responsável pelo projeto de investigação “O Contributo do Pensamento bioética de Daniel Serrão no âmbito da Bioética em Portugal” – IB-UCP), participou nas V Jornadas de Enfermagem Cirúrgica do Centro Hospitalar Entre o Douro e Vouga (CHEDV) (31 de maio), com uma palestra sobre: “Transplante de órgãos – Princípios e problemas éticos”. O docente referiu que “parece evidente a licitude do transplante que é realizado e motivado por um prolongamento da vida de uma pessoa doente com uma doença grave incurável“.

Todavia a questão não é simples do ponto de vista ético e merece uma reflexão bioética aprofundada. No seguimento da reflexão apresentou (seguindo vários autores, entre eles Daniel Serrão) os princípios gerais que definem o problema ético dos transplantes, que são três: a) a defesa das vidas do dador e recetor; b) a tutela da identidade pessoal do recetor e seus descendentes; c) o consentimento informado. Outra questão relevante salientada, segundo Carlos Costa Gomes, tem a ver com a intervenção cirúrgica quando se procura o sucesso a qualquer custo independente do benefício, por vezes, a título experimentalista em detrimento da pessoa doente, que pode, em diversas situações e sem consentimento, servir de “cobaia” para o progresso das técnicas. Por isso a reflexão ética deve ser cuidadosa e cautelosa, embora aberta ao verdadeiro serviço da vida da pessoa doente. 

O Investigador e docente do Instituto de Bioética, afirmou que a transplantação não pode fazer esqauecer a sua utilidade de finalidade. Ir mais além do que for necessário e terapêutico é passar para a engenheirização da pessoa humana, é perder a consciência antropológica e da sociabilização biológica do ser humano. O ser humano, na sua origem, tem uma ligação essencial à matéria e ao espírito, sentido que não se deve perder face a uma engenharia médica que não tenha em conta contextualização antropológica. O transplante de órgão é um ato meritório conforme a lei moral e de amor ao próximo, desde que os perigos e riscos físicos e psíquicos, em que o dador incorre, forem proporcionados face ao bem dele e ao bem que se procura no destinatário.

Junho de 2019

06-06-2019

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