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Rita Alves: “A Enfermagem é um privilégio”

Rita Alves tem 27 anos, é natural de Paços de Ferreira e estudante do Mestrado em Enfermagem da Escola do Porto, da Universidade Católica. Atualmente, trabalha no Hospital de São João, no serviço de Pediatria, que confessa ser “fascinante”. Para si, a Enfermagem é um “privilégio”, porque permite “trabalhar com a cabeça e com o coração”. Já trabalhou em Odemira, Cascais e Lisboa, mas confessa que é no Norte que se sente verdadeiramente em casa.

 

O que é que a fascina na Enfermagem?

A Enfermagem distingue-se de qualquer outra profissão porque tem o privilégio de trabalhar com a cabeça e com o coração. Nós só conseguimos ser, verdadeiramente, bons profissionais quando a farda que usamos nos faz sentido. É esta entrega que nos faz cuidar do outro. António Damásio tem uma frase que se relaciona com esta entrega e com a qual muito me identifico. Diz assim: “Não somos máquinas de pensar que sentem, mas sim máquinas de sentir que pensam!”

 

“Os valores da Católica estão refletidos na forma como se ensina e se educa.”

 

É licenciada em Enfermagem pela Escola Superior de Enfermagem do Porto. Em 2018, quando termina o curso, ingressa no mercado de trabalho.

Quando terminei a licenciatura, soube que queria ir trabalhar antes de fazer um mestrado. Queria arranjar trabalho, preferencialmente, no Norte, mas acabei por rumar ao Alentejo. Fiquei colocada numa Unidade de Cuidados Continuados, em Odemira. Eu nunca tinha ido sequer ao Alentejo (risos), mudar-me para lá foi uma aventura. Estive lá cinco meses e depois fui para o Hospital de Cascais, onde estive, meio ano, num serviço de Medicina Interna. Gostei muito mais deste serviço e foi nesta altura que os desafios da Enfermagem começaram a corresponder muito mais àquilo que eu procurava. Posteriormente, acabou por surgir outra oportunidade, desta vez no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, onde estive no Bloco Operatório Central mais de um ano.

 

Até que conseguiu regressar ao Norte …

Sim, era o que eu mais queria, embora reconheça que a diversidade de experiências que tive no Sul tenha sido determinante para o meu desenvolvimento profissional. Mas, claro, que não escondo a felicidade de poder estar mais perto da família (risos). É engraçado, porque fui chamada para o Hospital de São João, porque em 2018, quando andava à procura de trabalho, tinha enviado a minha candidatura para um concurso público que na altura tinha aberto. Passados dois anos contactam-me. Nada acontece por acaso!

 

“No Norte somos implacáveis naquilo que fazemos.”

 

É quando regressa ao Porto que decide fazer o mestrado. Porquê escolher o Mestrado em Enfermagem da Universidade Católica no Porto?

Em primeiro lugar, não são todas as universidades que permitem tirar a especialidade e o mestrado em simultâneo. O mestrado da Católica congrega essas duas funções, o que representa uma mais valia significativa. Para além disto, conheço muitas pessoas que frequentaram a Católica no Porto e que gostaram imenso. O mestrado que frequento está na sua 15ª edição, o que significa que a Católica forma enfermeiros especialistas há 15 anos. É inegável o seu valor.

 

Porque é que o Norte é especial?

Porque, para além de ter cá a minha família (risos), somos implacáveis naquilo que fazemos. Não nos conformamos, não desanimamos, somos exigentes.

 

O que é que mais a tem marcado ao longo do seu percurso na Católica?

A proximidade com os professores e o grande esforço que fazem por se adaptarem à loucura do nosso dia-a-dia por turnos, porque somos praticamente todos trabalhadores estudantes. É frequente haver alguém que não pode por causa do seu turno no hospital e há sempre uma resposta positiva e compreensiva. Tem-me marcado, também, o facto da Católica se pautar por determinados valores com os quais tanto me identifico e esses valores estão refletidos na forma como se ensina e se educa e, também, na forma como as pessoas se relacionam umas com as outras. Tenho feito um percurso muito positivo e muito construtivo na Católica. Sinto-me desafiada e valorizada.

 

“Basta a nossa presença para confortar e para cuidar dos outros.”

 

Porquê escolher a especialidade em Saúde Infantil e Pediátrica?

Até vir trabalhar para o Hospital de São João nunca tinha trabalhado com crianças. Quando fui colocada neste serviço senti-me meio deslocada e com muito medo do desconhecido. Mas não é que acabei por nunca mais sair daqui? Não sei se fui eu que gostei da Pediatria ou se foi a Pediatria a gostar de mim (risos). A Pediatria é fascinante.

 

E desafiante?

Muito! A Pediatria tem muito que se lhe diga. Em tempos, sem conhecimento algum de causa, cheguei a julgar que trabalhar com crianças era fácil. Bastava fazer umas brincadeiras e administrar a medicação. Não podia estar mais enganada. É muito complexo! O nosso cuidado não é em exclusivo com a criança que precisa de cuidados, mas há, também, uma família que é preciso ter em conta. Temos de saber acolher, apoiar, trazer tranquilidade. As crianças dão-nos grandes lições de vida! Já não me imagino a trabalhar sem ser em Pediatria.

 

Há algum episódio que a tenha marcado de forma especial durante o seu percurso profissional?

Há algum tempo passou pelo meu serviço um recém-nascido com poucos meses, sendo que só um ou dois meses foram passados em casa. A situação era mesmo muito crítica. Há um dia em que decido ir visitar essa criança e a sua mãe que estava com ele ao lado. Quando lá cheguei a única coisa que fui capaz de fazer foi abraçar a mãe. O bebé acabou por falecer uns dias depois. Passado algum tempo, a mãe da criança pediu para falar comigo. Veio agradecer-me aquele abraço e o ter estado presente. Segundo as suas palavras, “vim agradecer-lhe por ter estado presente naquele momento de dor.” Nunca me vou esquecer disto. É a prova de que, às vezes, basta o nosso silêncio e a nossa presença para confortar e para cuidar dos outros.

 

“Move-me a vontade de querer fazer mais e melhor.”

 

O que é que gosta de fazer nos tempos livres?

Passar tempo com a minha família é sempre um tempo ganho! Para além disso, gosto de caminhar! Caminhar sem destino, pela natureza, em liberdade. Sou muito ligada à terra. Há quem precise de ir ver o mar para tomar algumas decisões, eu preciso de ir à terra. É lá que estão as minhas raízes e é lá que recarrego energias e que me encontro comigo mesma.

 

O que é que a move?

Move-me a vontade de querer fazer mais e melhor. Move-me o cuidar. Quero que a minha família se orgulhe de mim e quero ser capaz de ser significativa só com a minha presença, tal como o consegui quando, com um simples abraço, cuidei daquela mãe.

 

19-01-2023

Nota de pesar pelo falecimento do Padre Arlindo de Magalhães Ribeiro da Cunha (1944-2023)

Foi com profundo pesar que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa recebeu a triste notícia do falecimento do Doutor Arlindo de Magalhães, professor de Teologia Pastoral, História e Teologia das Religiões, bem como de diversos Seminários Temáticos, entre 1997 e 2014. Colaborou também com o Centro de Estudos de História Religiosa. Era presbítero da Diocese do Porto e presidia à Comunidade Cristã da Serra do Pilar. 

O seu corpo estará em câmara-ardente a partir das 11h00 de 19 de Janeiro (quinta-feira), na Igreja do Mosteiro da Serra do Pilar. 

As exéquias serão celebradas às 10h00 de 20 de Janeiro (sexta-feira), na Igreja do Mosteiro da Serra do Pilar.

Nesta hora de dor e esperança pascal, a comunidade académica associa-se à família, aos amigos e à comunidade que serviu durante mais de cinquenta anos.  

19-01-2023

FLY 2023: um voo com destino ao voluntariado e à solidariedade

O  FLY , programa europeu de voluntariado e aprendizagem-serviço, arranca com nova edição para o verão de 2023. Este programa tem como propósito primordial reforçar o compromisso das universidades parceiras com o desenvolvimento sustentável e sensibilizar as comunidades universitárias para os problemas decorrentes da desigualdade e da injustiça. As inscrições para o programa estão a decorrer e para ajudar a esclarecer todas as dúvidas a Universidade Católica no Porto, através da CAtólica SOlidária (CASO), está a organizar duas sessões de apresentação, que irão decorrer a 15 e 16 de fevereiro.

Intercultural, interdisciplinar, intensivo e interuniversitário

Coordenado pela Universidade de Comillas (Madrid), o programa FLY 2023 junta, para além da Universidade Católica Portuguesa, as Universidades de Deusto (Bilbao), ESADE (Barcelona), Loyola (Andaluzia), LUMSA (Roma, Itália) e Mateja Bela (Banská Bystrica, Eslováquia).  Cada uma das instituições envolvidas apresenta projetos de voluntariado e/ou de aprendizagem-serviço no país de origem, com a possibilidade de receber estudantes, bem como de enviar alunos para projetos de outras universidades parceiras.

“Foi uma honra poder fazer parte de algo tão bom como foi o projeto FLY na minha vida.”

Pessoas Migrantes, Pessoas em Risco de Exclusão e Cuidado de Pessoas e Comunidade são os três grandes grupos de trabalho que dividem os diferentes projetos, sendo que cada um deles foi concebido para oferecer ao voluntário uma experiência imersiva, em grupo e acompanhada, visando aproximá-lo das diferentes realidades e contextos.
O FLY promove experiências de intercâmbio e aprendizagem no terreno, permitindo que estudantes de várias universidades europeias possam participar em projetos solidários.

A experiência única de embarcar no programa FLY

Rita Reis, estudante do 2º ano do Mestrado em Direito Fiscal e participante do projeto INEA em Valladolid, afirma que "a realização do voluntariado foi uma experiência bastante gratificante a vários níveis,” permitindo promover “um maior conhecimento sobre histórias/testemunhos de pessoas naturais de todo o mundo”. Além disso, as diferentes atividades realizadas no âmbito do projeto permitiram-lhe “conhecer novas valências que não sabia que possuía”.

"Uma experiência que nos obriga a abandonar a nossa zona de conforto, da qual saímos com um sentimento de orgulho inigualável por sentirmos que fizemos a diferença”, indica Diogo Dias, estudante do Mestrado em Psicologia Clínica que integrou igualmente o Projeto INEA em Valladolid. Foram várias as atividades enriquecedoras que realizou, nomeadamente: “o trabalho no horto; dar aulas a crianças desfavorecidas; trabalhar na gestão da casa comum para famílias refugiadas; ter formações sobre a sustentabilidade do planeta e aplicar na comunidade.”

“Aconselho toda a gente a passar pelo menos 1 vez por uma experiência semelhante."

Joana Mendes, estudante do mestrado em Direito das Empresas e Negócios, fez parte do projeto Zaragoza II e partilha um pequeno testemunho:

"Parti sozinha, rumo à descoberta, sem saber ao certo o que me esperava e acabei por ser monitora, cientista, turista, montanhista e muito mais! É, sem dúvida, comovente poder vivenciar uma experiência como esta, estar perto de crianças tão fantásticas, conhecer de perto os seus testemunhos e aprender com elas tanto sobre os mais variados temas. Foi uma honra poder fazer de algo tão bom como foi o projeto FLY na minha vida."

Trata-se de uma experiência única capaz de gerar um impacto positivo junto dos estudantes. “Aprendi muito com estas pessoas e sem dúvida que saí de Espanha uma pessoa diferente da que lá chegou," salienta Raquel Marques, estudante de Direito e voluntária no projeto Arahal.

"Uma experiência que nos obriga a abandonar a nossa zona de conforto, da qual saímos com um sentimento de orgulho inigualável por sentirmos que fizemos a diferença.”

Por fim, João Souza, aluno de Psicologia, esteve em Nyumbani, onde teve a oportunidade de integrar o projeto Quénia. 

"Estive em contato com uma realidade muito distinta de tudo o que já vivi, recheado de desafios e frustrações. Ainda assim, o lado difícil dessa vivência não se compara às aprendizagens gigantes que tive em Nyumbani. Saio daqui transformado, grato e com uma enorme sensação de dever cumprido.

Através dos testemunhos daqueles que embarcaram no programa FLY é possível confirmar que no serviço voluntário aos outros e em comunidades com culturas diferentes, são desenvolvidas qualidades humanas e competências sociais nos estudantes que possibilitam formar futuros profissionais mais sensíveis aos temas da solidariedade e do compromisso social.

Mais sobre o programa europeu de voluntariado

Para melhor dar a conhecer o programa FLY 2023, as suas sessões de formação e os requisitos e procedimento de candidatura, a Católica no Porto está a organizar duas sessões de apresentação que terão lugar dia 15 de fevereiro, às 13h00, na sala 22 (Nova Sala Jardim) e dia 16 de fevereiro, às 21h30, via zoom.
As inscrições nas sessões de apresentação devem ser feitas através do envio de um email para caso.porto@ucp.pt, indicando a sessão em que se pretende participar (presencial ou online).

19-01-2023

Novo livro reforça a importância da valorização de resíduos alimentares

"Food byproducts management and their utilization" é o título do novo livro preparado por investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina, da Escola Superior de Biotecnologia, da Universidade Católica no Porto, com um investigador da Universidad Autónoma de Coahuila, que apresenta a importância de valorizar os resíduos alimentares e ilustra as suas propriedades de valor acrescentado para a indústria. Editado pela Apple Academic Press, conta com a participação dos investigadores Manuela Pintado (CBQF/ESB/UCP), Ricardo Gómez-García (CBQF/ESB/UCP), Ana Vilas Boas (CBQF/ESB/UCP), Débora Campos (CBQF/ESB/UCP), e Cristobal Aguilar González (Universidad Autónoma de Coahuila).

Este livro tem como principal objetivo contribuir para dar resposta ao grave problema dos subprodutos alimentares, que geram poluição ambiental e resultam em perdas alimentares e económicas significativas. O livro revela como os subprodutos alimentares podem ser vistos como matérias-primas renováveis de valor acrescentado, através do seu processamento com métodos biotecnológicos, entre outros, impulsionando a abordagem de zero desperdício e a bioeconomia circular.

A obra sublinha a importância da valorização dos resíduos alimentares, explica o progresso significativo no processamento de recursos biológicos para a extração e produção de compostos, bem como o interesse crescente do desenvolvimento de ingredientes alimentares, nos quais os cuidados de saúde, ambiente e economia desempenham um papel essencial na investigação biotecnológica. Descreve, também, a utilização de estratégias baseadas em biotecnologia, engenharia alimentar, microbiologia e áreas de química verde, bem como algumas outras metodologias consolidadas relacionadas.

Este novo livro é constituído por informação inovadora produzida por investigadores com elevada formação científica do CBQF e da Universidade Autónoma de Coahuila, oriundos de Portugal, México, Argentina, Bolívia, Espanha, Irão e Japão. A obra representa um atrativo não só para um grande público de cientistas, engenheiros, estudantes de graduação e pós-graduação, mas também para gestores industriais, governos e possíveis investidores em investigação.

O CBQF, desde a sua fundação (1990), está na vanguarda da investigação em Biotecnologia aplicada aos desafios alimentares e ambientais. Desde 2004, que detém o estatuto de Laboratório Associado, sendo o único não estatal em Portugal.

18-01-2023

Católica no Porto recebe visita de Delegação Internacional de Docentes do Consórcio STHEM Brasil

Uma delegação internacional de docentes para a Inovação Académica do Consórcio STHEM Brasil esteve na Universidade Católica no Porto, no âmbito de uma visita a Portugal para conhecer e estabelecer relações de proximidade com instituições de ensino superior portuguesas.

Isabel Braga da Cruz, presidente da Católica no Porto, falou sobre os 55 anos de história e a dimensão nacional da Universidade com os seus mais de 14 mil estudantes, divididos pelos 4 campi que se situam nas cidades: do Porto, Lisboa, Braga e Viseu. Realçou na sua intervenção a importância da interligação entre o ensino, a investigação e a inovação, muito alicerçados numa ótica de proximidade e de internacionalização. Diana Soares, coordenadora do Católica Learning Innovation Lab, apresentou um projeto inovador que mobiliza a comunidade a pensar, a discutir e a implementar novas estratégicas na área da Educação.

Na sua intervenção, Fábio Reis, presidente do Consórcio STHEM Brasil, explicou que o consórcio reúne 66 instituições de ensino brasileiras, das quais 11 marcaram presença na visita. O foco está em “mover as instituições para que possamos ter professores com outras práticas pedagógicas que vão ao encontro daquilo que acreditamos que é a educação,” referiu na sua intervenção. Representando cerca de um milhão de estudantes e 34 mil professores no Brasil, os membros do Consórcio de Instituições Brasileiras têm como ponto em comum a educação e o acreditar que juntos podem melhorar a educação brasileira.

A vida do campus na Católica no Porto
A comitiva teve a oportunidade de fazer uma visita ao campus da Universidade Católica no Porto. Na Escola das Artes, visitaram a exposição “Fictional Grounds” do coletivo artístico berru, bem como tiveram a oportunidade de conhecer os diferentes espaços e laboratórios onde os estudantes desenvolvem os seus projetos.

O ponto de visita seguinte conduziu os docentes da Delegação Internacional ao Edifício de Biotecnologia, inaugurado em 2019, onde se encontra a Escola Superior de Biotecnologia e o Centro de Biotecnologia e Química Fina. Dividindo os participantes em dois grupos, foi possível percorrer os corredores com os laboratórios das áreas alimentar, química e da biologia, incluindo a visita ao Kitchen Lab, à plataforma tecnológica e à sala de análise sensorial.

A visita decorreu a 13 de janeiro e contou também com a presença da vice-reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Vasconcelos, e do vice-presidente da Católica no Porto, João Pinto.

16-01-2023

Professor da Escola das Artes inaugura projeto híbrido na galeria gnration

A instalação do projeto híbrido Gesto & Síntese, da criação de Diogo Tudela, professor da Escola das Artes (EA), e do coletivo supernova ensemble, inaugurou a 13 de janeiro, na galeria gnration em Braga. Gesto & Síntese é um projeto que se desdobra em instalação e performance ao vivo. A entrada é livre e decorre até 14 de abril.
 
Está prevista uma performance no dia 15 de abril com João Dias, José Alberto Gomes, Mário Costa e Diogo Tudela. A direção artística é de João Dias e do professor da EA José Alberto Gomes.

Mais sobre Gesto & Síntese
A disciplina de criação ou engenharia envolve uma navegação ao longo de uma fissura. Tal espaço torna-se ainda mais aparente quando estruturas lógico-matemáticas são instrumentalizadas na construção (criação) de obras de arte.

A autonomia e a polaridade entre o espaço disciplinar que forma significação, e a disciplina que significa forma, produz uma lacuna fenomenológica insolúvel entre os vetores que apontam para uma obra e os vetores que dela saem.

Gesto e Síntese, que se coloca e desenvolve num espaço híbrido entre performance e instalação, música e new media art, é assim uma peça que trabalha abertamente tal fissura explorando a ferramentalização de estruturas lógico-matemáticas sob o disfarce de materialidade e plasticidade – o que equivale a dizer que esta peça, tal como outra qualquer, é sobre o que é. Os objetos apresentados nesta instalação são parte integrante do espaço performativo. Gesto e Síntese é uma encomenda Supernova Ensemble.


Diogo Tudela é investigador, professor da Escola das Artes e programador focado no software crítico, em práticas de simulação, teoria de modelos, geometria, diagramas e mecatrônica. O seu trabalho tem abordado as tecnologias de síntese e manipulação vocal como tácitas de retro-bioengenharia.


Criado em 2022, o Supernova Ensemble é um coletivo artístico dedicado à música inovadora nas áreas performativas, novas media e artes sonoras. Com uma formação artística e musical diversificada, o grupo pretende construir um mundo em que novas ideias sonoras fluam livremente através de géneros e media, incluindo música, teatro, dança, vídeo, eletroacústica, música de câmara, instalações sonoras, etc. Supernova Ensemble integra o projeto Artista Residente da Circular Associação Cultural.

13-01-2023

Francisca Magano: “A Justiça Social é concretizável através de pequenas conquistas diárias.”

Francisca Magano tem 34 anos, é natural de Aveiro e é a atual Diretora de Políticas de Infância e Juventude da UNICEF Portugal. Mudou-se para o Porto com 18 anos para estudar Psicologia na Faculdade de Educação e Psicologia, da Universidade Católica no Porto. Faculdade onde, também, se fez mestre em Psicologia da Justiça e do Comportamento Desviante. O voluntariado foi uma peça chave no seu percurso, porque abriu portas para a “área da cooperação internacional” e porque “permitiu o contacto com realidades diferentes e a compreensão do outro”. O que é que a move? A Justiça Social!

 

Desde cedo soube que queria estudar Psicologia. Qual a motivação para esta área?

Sempre houve uma vontade muito grande e muito explícita de lutar pela justiça. Tive a oportunidade de estudar sempre em escolas multiculturais e muito diversas e isso permitiu-me o contacto com diferentes realidades e algumas até muito complexas. Este contexto deixou-me sempre com vontade de lutar pelo melhor destas realidades e criou em mim uma sensibilidade grande. No fundo, nunca ponderei outra área que não a Psicologia. Quis sempre compreender o outro, sempre fui muito interessada pelas pessoas, sempre me fascinou compreender porque é que as pessoas se comportam de uma determinada maneira. Cheguei a participar naquelas sessões de orientação vocacional com o psicólogo da escola, mas sempre numa ótica de validar uma certeza que já tinha. 

 

E que se confirmou …

Sim, não há dúvidas! O engraçado é que hoje em dia olho para o que me rodeia da mesma forma. Sempre centrada na pessoa, no indivíduo e com vontade de construir a justiça social. Move-me esta vontade de trabalhar para conseguir promover lugares e relações mais justas.

 

“Entusiasmou-me o facto de poder contribuir para a própria construção do curso.”

 

Aos 18 anos sai de Aveiro e vem para o Porto para ingressar na Licenciatura em Psicologia na Universidade Católica. O que é que a motivou a fazer esta opção?

Em primeiro lugar, eu queria sair de Aveiro, mas não queria ir para muito longe. Como tenho família no Porto, pareceu-me uma boa opção. Entrei em 2006 para a Católica. As minhas primas já tinham estudado aqui e, por isso, tinha muitas referências positivas. Lembro-me que, quando vim conhecer a Católica e saber mais sobre o curso, me interessou muito o facto de ser um curso recente, com um corpo docente novo e com um programa curricular que também trazia muitas novidades. Entusiasmou-me o facto de poder contribuir para a própria construção do curso. Rapidamente tomei a decisão de que era aqui que queria ficar.

 

“Consegui que as minhas experiências de voluntariado fossem positivas e, acima de tudo, transformadoras.”

 

Qual a memória mais marcante dos seus tempos de licenciatura?

Fiz a minha primeira missão de GAS’África em 2007 e foi absolutamente marcante. Gostei tanto que voltei a repetir a experiência em 2008. Estive no Lubango, em Angola. Foi determinante e estruturante para as decisões que tomei a seguir e para o caminho que fui traçando. Nunca mais larguei a área da cooperação internacional. Foi, também, através desta experiência que acabei por me abrir ainda mais ao que a Católica tinha para me oferecer. Pude conhecer pessoas das outras faculdades da Católica no Porto e passei a estar mergulhada em diferentes atividades e sessões de formação. O tempo que eu passava na Católica ia muito para além do tempo que passava nas aulas e, por isso, a experiência foi muito enriquecedora. Fiquei muito desperta para os temas da justiça e do comportamento desviante e acabei por ingressar, depois de ter terminado a minha licenciatura, no Mestrado em Psicologia da Justiça e do Comportamento Desviante.

 

De que forma é que o voluntariado transformou a sua vida?

Para além de ter participado em duas missões do GAS’África, também participei em voluntariado regular numa casa de acolhimento. Foram duas experiências muito diferentes que me permitiram o contacto com realidades distantes da minha e foi essencial para o meu percurso e para aquilo que sou hoje. Todas as experiências foram marcantes e todas me colocaram numa espécie de conflito interior que me ajudou a olhar para o mundo por outra perspetiva. Na altura, enquanto estudante de psicologia, também foi muito bom, porque pude contactar com muitos dos temas que abordávamos nas aulas. Depressa percebi que o que aprendia não estava, afinal, só nos livros e nos artigos científicos. O voluntariado pôs-me em contacto com muitas dúvidas, questões essenciais e colocou-me a refletir e a querer agir em prol de uma justiça social. No fundo, foi sempre isto que me moveu e é isto que ainda hoje me move. Mais importante do que o voluntariado que fiz, foi também o acompanhamento que fui tendo e o esforço que fiz por ir compreendendo o que ia sentindo e todas as minhas inquietações. Só desta forma é que somos capazes de dar sentido a estas experiências. Consegui que as minhas experiências de voluntariado fossem positivas e, acima de tudo, transformadoras.

 

“Estou na UNICEF há 8 anos e sinto-me, verdadeiramente, realizada.”

 

Viveu 3 anos em Londres. O que é que destaca dessa sua experiência?

Comecei por ir para Londres, enquanto voluntária, para uma organização que acompanhava jovens estrangeiros. Mais tarde comecei a trabalhar numa outra organização que tinha projetos de educação na África subsariana. Eu geria os programas de educação e a relação com os parceiros em sete países da África subsariana. Essencialmente, mudo-me para Londres para ir à procura de desafios (risos). E confesso que foi isso que encontrei, apesar de, também, ser uma cidade acolhedora. Foi um grande desafio trabalhar noutra língua e numa organização que integra pessoas de diferentes partes do mundo. Para além disso, era uma organização pequena, mas com uma capacidade de escala e de impacto muito considerável. A uma dada altura estava a gerir um orçamento muito significativo e a tomar decisões sobre vários projetos. Cresci muito nestes 3 anos em Londres.

 

Porque é que voltou para Portugal?

Eu sempre disse que voltaria para Portugal se surgisse uma oportunidade nas Nações Unidas, concretamente na UNICEF, e acabou por acontecer. Estou na UNICEF há 8 anos e sinto-me, verdadeiramente, realizada.

 

Qual é a missão da UNICEF Portugal?

A UNICEF é o Fundo das Nações Unidas para a Infância e trabalha para defender e promover os direitos da criança em todo o mundo. Lutamos para que todas as crianças em qualquer lugar onde estejam, onde quer que vivam, tenham os seus direitos assegurados. Em Portugal, a missão é a mesma. Não temos programas de intervenção, como existe em mais de 150 países, e, por isso, aqui trabalhamos para a influência de políticas públicas e recolha de fundos os programas de terreno.

 

Atualmente, ocupa o cargo de Diretora de Políticas de Infância e Juventude. Foi sempre esta a função que ocupou ao longo destes 8 anos?

Não, quando entrei para a UNICEF integrei um programa específico: o programa das Cidades Amigas das Crianças. Entrei com a missão de relançar esse programa com as autarquias locais. Passados alguns anos é que fui convidada para criar o departamento de advocacy e políticas públicas. Somos sete pessoas neste departamento e a minha função é coordenar e dirigir a equipa. Trabalhamos diretamente com o Governo num conjunto de políticas em matéria de direitos da criança e com várias entidades públicas e privadas num conjunto de áreas prioritárias para as crianças, nomeadamente relacionadas com a pobreza infantil e com a integração de crianças migrantes em contexto escolar
na sociedade. Em suma, trabalhamos para capacitar os profissionais na área dos direitos da criança e influenciar para a adoção e implementação de melhores políticas públicas.

 

“A UNICEF não se quer eternizar nas respostas, porque quer que os Estados estejam capacitados para responder.”

 

Qual é o maior desafio do seu trabalho?

É ter a capacidade para responder aos desafios emergentes e ser, também, capaz de antecipar problemas e gerir a resposta que damos, tendo em conta os recursos existentes. Outro desafio é o do impacto, área sobre a qual a Católica também tem produzido muito conhecimento. Temos trabalhado muito para medirmos com rigor o impacto do nosso trabalho. Todos estes desafios me inquietam, mas é uma inquietação positiva (risos). Para além disto, começamos por ser uma equipa pequena e agora já somos sete elementos. Houve um crescimento exponencial da equipa que acarreta também um crescimento das expectativas relativamente ao trabalho que desenvolvemos.

 

Porque é que em Portugal a UNICEF não atua ao nível da intervenção direta com as crianças?

É um orientação da organização a nível mundial que reconhece que países como Portugal têm um Estado que é capaz de dar resposta e daí não haver necessidade de programas de intervenção diretamente promovidos pela UNICEF. A UNICEF admite que o Estado é capaz de os implementar. Claro que isto não dispensa uma colaboração direta com o Governo. É sempre definido um plano estratégico de atividades e trabalhamos sempre numa lógica de capacitação e sustentabilidade. A UNICEF não se quer eternizar nas respostas, porque quer que os Estados estejam capacitados para responder. O nosso papel passa, também, pela monitorização e avaliação dos compromissos do Estado em matéria de direitos das crianças.

 

“A pobreza infantil tornou-se numa prioridade política.”

 

Estamos mais despertos hoje em dia para os problemas relacionas com a pobreza infantil e com a importância dos direitos da criança?

Ainda há muito para fazer, mas desde que entrei na UNICEF, há oito anos, que, claramente, que a pobreza infantil se tornou numa prioridade política. Já era um problema social, mas não era encarado como prioridade e agora é. Para além disso, também tem de ser um compromisso de todos, de toda a sociedade civil, na qual se enquadra a UNICEF e outros diferentes atores. Na UNICEF estamos empenhados em acompanhar o trabalho realizado e todos os compromissos assumidos, queremos que se reflitam em medidas concretas e em mudanças efetivas na vida das crianças, em particular daquelas que estão em situações mais vulneráveis.

 

Já teve oportunidade de referir que a move a vontade de promover e construir a justiça social. Quanto dessa sua vontade pode ser uma utopia? 

Não acho que a justiça social seja uma utopia, porque acredito que é importante que todos nos sintamos comprometidos com uma missão que contribua para a construção da justiça. É um trabalho sempre inacabado, mas não é assim a vida? Tudo aquilo que sonhamos para a nossa vida tem sempre um quê de inatingível e de pouco realizável, mas, também, é isso que nos dá alento e que alimenta a vontade concreta de atingir certos objetivos. A Justiça Social é concretizável através de pequenas conquistas diárias e, por isso, não considero que seja uma utopia. Ou se o é, deixe-me dizer que é uma “utopia realista”, na medida em que há formas de estarmos cada vez mais próximos de a atingir, ainda que nunca de forma plena.

 

Que livro recomendaria a alguém que se interessa pela área da defesa dos direitos da criança?

Um livro que me marcou muito é sobre crianças soldado. A Long Way Gone: Memoirs of a Boy Soldier de Ishmael Beah. Fala sobre a experiência real de uma criança soldado, que viu os seus pais e irmãos morrerem na guerra, e com o apoio da UNICEF conseguiu escapar e reconstruir a sua vida. Ainda que aborde uma realidade específica, fez-me sentir e refletir muito sobre a dureza da guerra para a criança e o papel que podemos ter na transformação das vidas de muitas crianças.

 

12-01-2023

Ligação à comunidade: Universidade Católica no Porto dinamiza iniciativas solidárias

A Universidade Católica no Porto, através da CAtólica SOlidária (CASO), promoveu um conjunto de iniciativas solidárias que espelham a sua ligação à comunidade e o compromisso com a solidariedade.

Em novembro, estudantes e colaboradores e suas famílias estiveram empenhados na campanha anual do Banco Alimentar, tendo recolhido 3.454 kg de alimentos que permitirão apoias muitas famílias e instituições. Já durante o mês de dezembro, decorreu no campus da Católica no Porto uma campanha de recolha de alimentos, intitulada “A Alegria do Dar”, que permitiu a doação de cerca de 250 bens alimentares à Casa da Mãe Clara e ao Porto Solidário, instituições que apoiam pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social.  Decorreu ainda uma outra campanha, “SOS Paróquia Marquês”, através da qual foram recolhidos cerca de 35 cobertores e mantas destinados a aquecer e a dar conforto a quem mais precisa.

As iniciativas decorreram no âmbito da campanha nacional de Natal da Universidade Católica Portuguesa que teve como mote “A alegria de estar juntos”. Estiveram envolvidos nesta campanha os quatro campi da UCP – Porto, Lisboa, Braga e Viseu. No Porto, foi a CASO que deu corpo a diferentes iniciativas que apelaram ao espírito de solidariedade dos membros da comunidade académica.

12-01-2023

Ciclo de Seminários junta académicos, estudantes e professores do ensino secundário

Refletir sobre a avaliação, questionar as práticas da avaliação para o desenvolvimento das aprendizagens e das pessoas e gerar oportunidades para transformar os modos de avaliar, ensinar, aprender. Estes são os três objetivos do Ciclo de Seminários de Aprofundamento em Administração, Supervisão e Organização Escolar (ASOE), organizado pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa. Um conjunto de 4 seminários que junta académicos, estudantes e professores de todo o país, em formato online, e que se realizam entre janeiro e maio de 2023.

“Não deixar ninguém para trás” (ONU, 2015) O desafio está em tornar esta máxima exequível e é aqui que Cristina Palmeirão, coordenadora da 13º Edição do Ciclo de Seminários de Aprofundamento em Administração, Supervisão e Organização Escolar, considera que esta iniciativa pode marcar a diferença.

A ação das escolas, dos seus professores, da educação e da avaliação em particular, passa por desafiar-se diariamente,” salienta Cristina Palmeirão acrescentando “neste sentido, a melhoria dos processos educativos, de aprendizagem e de avaliação requerem a construção dialética de pontes interinstitucionais e de uma relação pedagógica positiva, interativa e equitativa e o nosso contributo com a organização deste Ciclo de Seminários anual é este, contribuir para o diálogo, envolvendo todos.

Paradoxos e Tensões da Avaliação” é o tema do primeiro seminário que se realiza online já a 25 de janeiro. Um evento online que conta com intervenções de Ariana Cosme (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto), José Matias Alves (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa), Luís Gonçalves (Diretor do Externato Marista de Lisboa); Lília Silva (Diretora Agrupamento de Escolas nº1 de Gondomar), com moderação de Ilídia Cabral (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa). Vão estar também presentes alunos do Agrupamento de Escolas de Pinheiro e do Agrupamento de Escolas de Alexandre Herculano.

A avaliação como desenvolvimento profissional e como aprendizagem” é o tema do segundo seminário que se realiza a 15 de fevereiro. Com moderação de Isabel Baptista (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa), conta com a participação de Maria Palmira Carlos Alves (Universidade do Minho), Ilídia Cabral (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa), Manuela Sanches Ferreira (Instituto Politécnico do Porto), Fátima Braga (Escola Secundária/3 Henrique Medina, Esposende). No painel sobre “Na voz dos alunos: relatos que contam” vão participar alunos da Escola Secundária Inês de Castro e do Agrupamento de Escolas Sudeste de Baião.

A 29 de março, realiza-se o terceiro seminário sob o tema “Práticas inovadoras de avaliação”. Marisa Carvalho (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa) irá assegurar a moderação de um painel composto por Miguel de Carvalho (Externato S. Cristóvão), Diana Mesquita (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa), Maria Arminda Fonseca e Margarida Azevedo (Escola Secundário/3 Prof. Dr. Flávio F. Pinto Resende), Paulo Almeida (Diretor do Agrupamento de Escolas de Rio Maior). No painel “Envolver os alunos: percursos a construir” vão marcar presença alunos da Escola Secundário/3 Prof. Dr. Flávio F. Pinto Resende e do Externato Marista.

O último seminário intitulado “Avaliação como investigação e empoderamento” realiza-se a 24 de maio. A moderação está a cargo de Cristina Palmeirão (Faculdade de Educação, Universidade Católica Portuguesa), e conta com a presença de Cristiana Madureira (Instituto Politécnico de Leiria), Diana Soares (Faculdade de Educação e Psicologia, Universidade Católica Portuguesa), Isabel Fialho (Universidade de Évora), e Albino Pereira (Agrupamento de Escolas de Vilela). No painel “Realidades e Perspetivas na voz dos alunos”, vão estar dois estudantes do Externato Ribadouro (Porto) e do Agrupamento de Escolas S. Torcato.

A 13ª edição do Ciclo de Seminários de Aprofundamento em Administração, Supervisão e Organização Escolar (ASOE), é organizada pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa.

11-01-2023

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