Realizou-se no dia 12 de maio, no campus do Porto da Universidade Católica Portuguesa, a conferência comemorativa dos 40 anos daadesão de Portugal à União Europeia. A sessão reuniu representantes do meio académico e institucional para refletir sobre o percurso europeu do país e os desafios futuros da integração europeia.
Na intervenção de abertura, a reitora da Católica, Isabel Capeloa Gil, destacou a forma como a adesão à União Europeia marcou a transformação de Portugal nas últimas décadas, associando a identidade nacional ao projeto europeu. Nas suas palavras, o projeto europeu assenta num conjunto de valores fundadores — entre os quais a Democracia, o Estado de Direito, a dignidade da pessoa e as liberdades fundamentais, bem como os direitos sociais ao trabalho, à educação e à saúde. Citando Hannah Arendt, evocou ainda o “direito a ter direitos” como expressão do ideal humanista e civilizacional europeu.
Nesse sentido, lembrou a necessidade de reafirmar o compromisso europeu, sintetizado na ideia de que “afirmar a Europa hoje é recusar a indiferença, essa deriva”, sublinhando que o projeto europeu exige compromisso, responsabilidade e visão estratégica.
Isabel Capeloa Gil destacou ainda o papel das instituições de ensino superior na construção da Europa, afirmando que “a Universidade é um pilar da ideia de Europa”, defendendo uma articulação entre universidades, políticas industriais e sistemas de inovação.
Para o comissário das comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, Carlos Coelho, o país viveu nas últimas quatro décadas “uma transformação sem paralelo na nossa história moderna”, referindo a adesão como “uma escolha civilizacional” e apelando a uma leitura do futuro europeu com ambição e responsabilidade.
Já o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, realçou o papel das cidades na construção do projeto europeu, considerando-as “espaços decisivos para o futuro da União Europeia
No seu discurso, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, alumni da Universidade Católica Portuguesa, destacou os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia como um período de “grande transformação” na história do país, sublinhando o consenso político e social em torno da integração europeia e o impacto desta escolha na modernização de Portugal. Prestou ainda homenagem aos “pioneiros” do projeto europeu português, apontando Francisco Sá Carneiro e Mário Soares como figuras centrais da visão europeísta da democracia portuguesa.
Montenegro alertou para o atual contexto de instabilidade internacional, marcado pelo regresso da guerra à Europa e por múltiplos focos de conflito, defendendo que a União Europeia enfrenta um momento de “viragem” que exige maior coesão, competitividade e autonomia estratégica. Nesse quadro, sublinhou que Portugal deve continuar a assumir um papel ativo na construção europeia, reforçando a sua influência e contribuindo para uma Europa mais forte e preparada para os desafios globais.
Seguiram-se dois painéis com intervenções de António Costa (em vídeo), Isabel Mota e Augusto Mateus no primeiro, e de JoséManuel Durão Barroso (em vídeo), Francisco Assis e Paulo Rangel no segundo, reunindo diferentes perspetivas sobre o percurso e os desafios da integração europeia.
O encerramento da conferência contou com a intervenção do Presidente da República, António José Seguro, que elencou as transformações registadas em Portugal ao longo dos 40 anos de integração europeia e o impacto da pertença à União Europeia na vida dos cidadãos, desde a mobilidade à proteção social e ao acesso ao conhecimento. Como afirmou: “somos cidadãos europeus em todas as dimensões: económica, social, institucional e cultural”.
António José Seguro alertou ainda para a persistência de desigualdades económicas e sociais e para os desafios que se colocam ao projeto europeu, defendendo maior coesão, competitividade e eficácia na capacidade de decisão da União Europeia.
No final, deixou um apelo à responsabilidade coletiva, sublinhando que celebrar os 40 anos da adesão deve ser também um compromisso com o futuro, pedindo um papel ativo de Portugal no projeto europeu.
Como é que as tecnologias emergentes podem transformar economias, organizações e a própria sociedade? O que é necessário para orientar esta disrupção em direção a um futuro próspero? Foi em torno deste mote que o Católica Centre for Thriving Futures (CCTF) juntou investigadores, líderes empresariais e especialistas num evento focado na partilha de conhecimento e no diálogo.
Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, abriu o evento com uma intervenção que sublinhou a importância “do propósito, da responsabilidade e da interdisciplinaridade” no debate sobre a IA e a tecnologia e que destacou o papel central das três faculdades que integram o CCTF: a Católica Porto Business School, a Faculdade de Direito – Escola do Porto e a Faculdade de Biotecnologia. Enquanto pró-reitora da UCP para a sustentabilidade, reafirmou que este é um “compromisso transversal à instituição, que atravessa o modo como ensina, investiga e se relaciona com a sociedade”.
Wayne Visser, diretor do CCTF, lançou cinco provocações que serviram de fio condutor para todas as conversas que se seguiram e que propõem uma mudança de paradigma em cinco frentes: futuro, inovação, tecnologia, inteligência artificial e impacto.
A nossa abordagem ao futuro tem de mudar - de muito mais tarde e muito longe para muito mais cedo e perto de casa.
A nossa abordagem à inovação tem de mudar - de prever o futuro e planear para ensaiar o futuro e adaptar.
A nossa abordagem à tecnologia tem de mudar - de tecnologias de divisão e desespero para tecnologias de inclusão e esperança.
A nossa abordagem à inteligência artificial tem de mudar - de uma IA que vai mais longe e mais depressa para uma IA que vai mais largo e com mais sabedoria.
A nossa abordagem ao impacto tem de mudar - de uma sustentabilidade que faz menos mal para uma regeneração que promove o bem.
Seguiu-se a conferência com o keynote speaker do evento, James Arbib, co-fundador da RethinkX, autor de Stellar, centrada na convergência entre energia solar de baixo custo, baterias, transporte eléctrico autónomo, inteligência artificial e robótica humanoide emergente e no argumento de que esta combinação não representa uma transição gradual, mas uma rutura a nível sistémico, com custos em colapso na energia, na inteligência e no trabalho físico a desencadearem uma reinvenção rápida e auto-reforçada da economia e da sociedade.
Regulação europeia da IA e aplicações em Biotecnologia
Pedro Freitas e Pedro Rodrigues, docentes da Faculdade de Direito e da Faculdade de Biotecnologia respetivamente e membros da equipa do CCTF, apresentaram resultados da investigação em curso sobre dois temas: a regulação da inteligência artificial na União Europeia e a aplicação da IA em Biotecnologia nas ciências da saúde. A sessão explorou o enquadramento jurídico que está a tomar forma na Europa, bem como casos concretos de utilização em contexto biomédico.
Seguiram-se dois painéis: o primeiro sobre “Como a IA está a mudar as empresas” e o segundo “Como a IA está a mudar a sociedade”.
O primeiro painel, moderado por Lyal White, do Gordon Institute of Business Science, contou com a participação de Sara Mendes (Innovation Manager na Sogrape), Tokyo Tarek (Director of Applied AI na Mindera) e Felipe Ferreira (Head of Strategy, Data & AI na Worten Portugal). A discussão organizou-se em torno de duas perguntas: quais as inovações ou tecnologias baseadas em IA que já têm impacto disruptivo no mercado, e quais as que têm potencial transformador, mas carecem ainda de maior suporte, seja de investimento, seja de enquadramento de política pública.
O segundo painel, moderado por Wayne Visser, juntou Pedro Santa Clara (fundador da Shaken Not Stirred), Paulo Dimas (CEO do Center for Responsible AI) e João Costa Ribeiro (Open Innovation Intelligence Lead na Galp). O debate aprofundou duas questões: em que medida os riscos sociais, éticos e ambientais da IA estão a ser adequadamente endereçados, e quais as melhores oportunidades para que a IA produza um impacto positivo nas dimensões ambiental, social e de governação.
E se liderar fosse menos sobre responder à última crise e mais sobre sentir o que está a emergir?
A tarde foi dedicada a um Diálogo Estratégico sobre “O que significa liderar a partir do futuro?”, orientado por Martin Calnan, titular da Cátedra UNESCO para a Literacia do Futuro na École des Ponts Business School, por Cam Danielson e Pamela Fuhrmann, co-fundadores do Conscious Leadership Institute e da One Earth Leadership, e pelo Professor Lyal White, director do Porter Institute Africa Hub no Gordon Institute for Business Science. A sessão explorou o que significa liderar a partir do futuro, uma abordagem que coloca a tónica não na resposta à crise imediata, mas na capacidade de antecipar o que está a emergir e de questionar os futuros que as organizações estão implicitamente a construir.
Sobre o Católica Centre for Thriving Futures
O Católica Centre for Thriving Futures da Universidade Católica Portuguesa tem como missão melhorar a saúde da natureza, da sociedade e da economia através de investigação aplicada, interdisciplinar e baseada em evidência, sobre tendências e boas práticas em política, tecnologia e finanças que possam contribuir para um futuro melhor para Portugal e além-fronteiras. Para cumprir esta missão, o CCTF reúne a expertise da Católica Porto Business School, da Faculdade de Direito – Escola do Porto e da Escola Superior de Biotecnologia, desenvolvendo uma análise orientada para a sustentabilidade nas áreas da ciência de dados e da inteligência artificial, da inovação em bioeconomia e das finanças e relatório ESG.
As cores da Universidade Católica Portuguesa voltaram a marcar presença nas ruas do Porto, no tradicional Cortejo Académico da Queima das Fitas. Estudantes de diferentes cursos desfilaram pela cidade, num momento simbólico que assinala o “culminar de mais um ano académico, marcado pelos sorrisos e pelas novas experiências”. Das roupas às capas e insígnias, cada detalhe refletiu a identidade dos vários percursos académicos, num ambiente de celebração, orgulho e partilha.
Isabel Braga da Cruz, Pró-Reitora da Universidade Católica Portuguesa para o Campus do Porto, desejou “as melhores felicidades para todos os estudantes da Católica”, incentivando-os a “usufruir deste momento de coesão e de amizade”.
Participaram no desfile estudantes da Faculdade de Direito, da Católica Porto Business School, da Escola das Artes, da Escola Superior de Biotecnologia, da Escola de Enfermagem (Porto), da Faculdade de Educação e Psicologia e da Faculdade de Teologia. Em comum, o orgulho de pertencer à Universidade Católica e a valorização de um percurso marcado pelo crescimento pessoal e académico: “uma casa onde fomos muito felizes e onde tivemos a oportunidade de aprender e crescer muito”.
Entre os caloiros, que começam agora a “construir memórias para a vida”, e os finalistas, para quem o cortejo representa “a concretização de um sonho” e “o fruto de muito trabalho”, vive-se também o início de uma nova etapa. “Agora começa a parte mais divertida: aplicar, na prática, aquilo que aprendemos”, partilham. A emoção estende-se às famílias e amigos, que se juntaram a este tão aguardado momento.
A Queima das Fitas do Porto é organizada pela Federação Académica do Porto e tem o apoio dos municípios do Porto e Matosinhos. A edição de 2026 conta com uma agenda preenchida entre os dias 2 e 9 de maio.
No âmbito da parceria estratégica Erasmus+, a Universidade Católica Portuguesa recebeu a Universidad Pontificia Comillas para uma jornada de trabalho e partilha institucional. A visita teve como objetivo principal o estreitamento dos laços entre ambas as instituições, que mantêm uma colaboração sólida e ativa.
Novos horizontes e mobilidade académica
Durante a reunião de trabalho, foram analisados os indicadores das mobilidades atuais, que abrangem as áreas de Direito, Enfermagem e Psicologia. O balanço extremamente positivo do intercâmbio de estudantes e docentes serviu de base para uma discussão ambiciosa sobre o futuro: a exploração de novas eventuais áreas de parceria, visando alargar o espetro de colaboração científica e pedagógica entre as duas universidades pontifícias.
Inovação em foco: visita aos laboratórios
O encontro culminou com uma visita guiada pelo campus. O grande destaque do percurso foram os laboratórios de Enfermagem, onde a tecnologia de simulação clínica e os recursos de aprendizagem prática impressionaram as visitantes, reafirmando o compromisso da nossa universidade com o ensino de excelência e a inovação na saúde.
Esta visita, que decorreu a 23 de abril, reforça a identidade europeia da UCP e a importância estratégica da rede de parceiros internacionais na construção de um espaço de ensino superior dinâmico e sem fronteiras.
A Universidad Pontificia Comillas é um dos parceiros mais antigos e próximos da Universidade Católica, partilhando não só a matriz identitária, mas também uma visão comum sobre a formação integral do aluno e a investigação de alto impacto na Península Ibérica.
Desde janeiro de 2025, o Peer2Peer já realizou 9 edições no Norte do país, envolvendo 175 participantes: 92 pessoas com deficiência ou neurodivergência e 83 estudantes universitários. Esta expansão resulta da parceria entre a Universidade Católica Portuguesa no Porto e a Nova SBE – Fundação Universidade Nova de Lisboa e tem como objetivo preparar estudantes do ensino superior e pessoas com deficiência para a entrada no mercado de trabalho em todos os distritos Norte. Ao longo de várias semanas, os grupos de trabalho formados desenvolvem competências profissionais, sociais e pessoais, desconstroem preconceitos relativos à inclusão e constroem relações de amizade.
"Sei que a minha incapacidade não me vai definir, vai-me tornar mais forte.”
Um dos momentos mais marcantes do programa é a sessão "Mercado de Trabalho", onde os participantes ouvem empresas com práticas de recrutamento inclusivo e colaboradores com deficiência que partilham as suas experiências profissionais.
"Queremos pessoas com vontade de trabalhar, e que correspondam às necessidades da vaga em aberto. [...] É um trabalho feito em conjunto, e desta forma temos feito caminho de sucesso na contratação de colaboradores com deficiência", partilhou a responsável pela contratação de novos colaboradores numa das empresas parceiras do Projeto.
Uma colaboradora com deficiência há mais de dez anos na mesma empresa, deixou também um testemunho marcante: “Sei que a minha incapacidade não me vai definir, vai-me tornar mais forte. Ao integrar esta empresa, foi-me destacado um Buddy, que me acompanhou no processo de integração – e não me senti sozinha um único momento. Hoje, estou contratada há mais de dez anos.”
Um projeto com impacto crescente
Criado em 2018, o Peer2Peer expandiu-se para o Norte no âmbito do programa Parcerias para a Inovação Social, da estrutura de missão Portugal Inovação Social 2030, contando ainda com o apoio dos investidores sociais Fundação Amélia de Mello e Associação São Bartolomeu dos Alemães. A Universidade Católica Portuguesa assume nesta parceria um papel central, ancorando no Porto uma iniciativa que prepara para a empregabilidade e para a inclusão.
A Universidade Católica Portuguesa foi alvo de uma comunicação fraudulenta (phishing) dirigida a estudantes da nossa instituição. A mensagem em causa, que aparentava ter origem na Universidade, não foi enviada pelos nossos serviços.
Informamos que enviámos a todos os estudantes uma comunicação alertando para esta situação, tendo sido partilhadas orientações claras sobre como proceder. A situação encontra-se a ser monitorizada e estão a ser adotadas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança de todos.
Reforçamos a importância de manter práticas seguras na utilização do correio eletrónico, nomeadamente:
Não clicar em links suspeitos ou de origem desconhecida;
Não fornecer dados pessoais, credenciais de acesso ou informações bancárias por email;
Eliminar de imediato emails fraudulentos.
Todas as questões relacionadas com estas mensagens fraudulentas devem ser encaminhadas para os serviços de informática da Universidade através do email: helpdesk@ucp.pt
No dia em que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa assinala o seu Dia Nacional, a comunidade académica reuniu-se para celebrar aquilo que a distingue e une: a sua identidade que, nas palavras do seu diretor, Luís M. Figueiredo Rodrigues, "respira através de vários pulmões". A única faculdade de Teologia do país, com presença em Lisboa, Porto e Braga, e cada vez mais no Ensino a Distância graduado, afirmou, uma vez mais, o seu compromisso com a excelência académica, com o diálogo interdisciplinar e com a formação de pessoas capazes de pensar a fé com rigor e de a viver com profundidade.
Num ano em que a Faculdade completa 59 anos de existência, o evento, que decorreu a 30 de abril, em Lisboa, foi um convite à reflexão sobre o que significa estudar, investigar e viver a Teologia no mundo contemporâneo e reuniu estudantes, docentes e colaboradores num ambiente animado e fraterno, onde a alegria e o sentido de pertença se fizeram sentir ao longo de todo o dia.
“Não nos é pedido para escolher entre o rigor intelectual e o estar enamorado por Deus.”
Na sessão de abertura, realizada no Auditório Cardeal Medeiros, o diretor da Faculdade recordou que a Sagrada Escritura deve ser "a alma da Teologia" e que estudar Teologia não é acumular saberes, mas entrar num "encontro vivo com Alguém". Nessa linha, sublinhou que a Teologia não pode ser praticada em modo isolado: "A Teologia não se faz de modo isolado, não é um depósito de saberes." A Faculdade é, acima de tudo, uma comunidade e isso implica cultivar relações fraternas. "Não permitam que o colega que veem ao vosso lado seja um estranho", desafiou o diretor.
"Não nos é pedido para escolher entre o rigor intelectual e o estar enamorado por Deus. Pedem-nos os dois.”, afirmou Luís M. Figueiredo Rodrigues. “Uma Teologia que não viva na relação falha na sua essência”, recordou, aludindo ao mistério trinitário como paradigma de toda a existência: "Deus revelou-se como Trindade, ou seja, em relação pura."
O diálogo entre o Direito e a Teologia
"O Direito não é uma ciência, é uma arte.”, começou por dizer Eduardo Vera-Cruz Pinto, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na conferência "A Influência do Direito Romano no Ocidente". Desta premissa decorreu uma reflexão sobre a relação entre Direito, justiça e paz, que, segundo o conferencista, "têm de estar sempre presentes". “A paz só se consegue pela justiça”, afirmou.
Citando Ratzinger, recordou que "a razão ilumina tanto o Direito como a Teologia", defendendo que é precisamente esse fundo comum que torna possível e necessário o diálogo entre as duas áreas de conhecimento.
Eduardo Vera-Cruz Pinto recordou a necessidade de um “chão comum”. A saída passa “por recuperar a ideia de que o Direito é uma arte e não uma técnica”. Passa também por repensar o direito natural à luz dos desafios contemporâneos. "Falta um Direito natural que parta da universalidade do Direito", afirmou. "Quando se dialoga com base cultural e com base genuína de coração, as coisas podem acontecer de forma diferente das que estão agora a acontecer”, concluiu.
O programa da manhã incluiu também a entrega dos Prémios de Mérito Universitário da Fundação Amélia de Mello, distinguindo os estudantes que mais se destacaram ao longo do seu percurso académico na Faculdade. Na edição de 2024, o prémio foi atribuído a Samuel Afonso, do Mestrado em Ciências Religiosas EaD, e na edição de 2025, a Simão Ferreira Nunes, do Mestrado Integrado em Teologia. Um momento de reconhecimento que reforça o compromisso institucional com a excelência e com o acompanhamento dos seus alunos.
Ainda durante a manhã, o Grupo de Teatro do Seminário dos Olivais apresentou a peça Semente de Cristãos, que evoca a história de São Genésio, patrono do teatro e dos atores. Trata-se de um comediante romano que, ao simular em palco o batismo cristão para entreter o imperador Diocleciano, foi surpreendido por uma conversão genuína.
"Um dia de festa, de celebração, de memória e de projeção da esperança"
Durante a tarde, a comunidade participou entusiasticamente num programa cultural, que incluiu uma visita aos jardins e ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e, também, uma visita aos vitrais de Almada Negreiros na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
O Dia Nacional da Faculdade de Teologia culminou com uma celebração litúrgica presidida por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa e Magno Chanceler da Universidade Católica Portuguesa, que descreveu o Dia da Faculdade como "um dia de festa, de celebração, de memória e de projeção da esperança". O Patriarca de Lisboa sublinhou o que torna a Teologia singular entre os saberes: a sua vocação de síntese. “A Teologia oferece a possibilidade de uma perspetiva integral. A Teologia é um lugar de síntese.”
D. Rui Valério lançou, também, um desafio sobre como deve ser cumprida a vocação da Teologia: “Para cumprir plenamente a sua vocação, a própria Teologia deve tornar-se serva. "A vocação não é conhecer mais, mas ver mais profundamente. Uma teologia que não se ajoelha não cumpre o Evangelho."
A Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa celebra este ano 59 anos de dedicação ao ensino, à investigação e à reflexão crítica no domínio da Teologia. Com uma oferta formativa que conta com licenciaturas, mestrados, doutoramentos e programas avançados, a Faculdade distingue-se pelo diálogo aberto entre a tradição teológica e a sociedade contemporânea.
A Católica Porto Business School é uma das marcas finalistas dos Prémios Marketeer 2026, na categoria Estabelecimentos de Ensino. As votações já estão a decorrer.
A competição que distingue todos os anos as marcas, personalidades e empresas que têm um impacto significativo em Portugal, nomeia nesta 18ª edição marcas de diferentes categorias, que vão desde a Grande Distribuição aos Festivais de Música, Seguros e Telecomunicações, passando pelo Grande Consumo, Turismo e Banca e Saúde.
A lista de finalistas é elaborada através de um cruzamento de avaliações por parte da redação e do Conselho Editorial da Marketeer.
As votações para os Prémios Marketeer 2026 estão abertas até ao dia 17 de maio.
A Semana Europeia de Sensibilização para a Saúde Mental, promovida pela organização Mental Health Europe, decorre anualmente no mês de maio, com o objetivo de promover o diálogo sobre a saúde mental, combater o estigma e reforçar a sua importância.
Esta iniciativa tem vindo a consolidar-se, reunindo organizações governamentais, instituições e cidadãos de toda a Europa. O objetivo é sensibilizar para a importância da saúde mental e reforçar a sua presença na agenda pública, social e política. Trata-se de uma oportunidade relevante para reforçar o compromisso coletivo com o bem-estar e contribuir para uma sociedade mais consciente.
Todos os anos, esta iniciativa é dedicada a um tema específico. A edição de 2026 decorre entre os dias 11 e 17 de maio, sob o mote “Mais fortes juntos: priorizar a saúde mental numa Europa em mudança”. Este tema reconhece os desafios que caracterizam o contexto europeu atual e sublinha a importância da solidariedade, da esperança e do apoio mútuo.
No ensino superior, esta iniciativa reforça o papel das universidades na promoção da saúde mental através da promoção de ambientes saudáveis, inclusivos e de apoio mútuo, e do desenvolvimento de uma cultura institucional que valoriza o bem-estar psicológico como parte integrante do sucesso académico e pessoal.
Neste sentido, o UCP2 Mental Health disponibiliza aos estudantes da Universidade Católica um conjunto de iniciativas de promoção da saúde mental. No âmbito da promoção e prevenção, são desenvolvidos workshops com o propósito de aumentar a literacia em saúde mental, desenvolver estratégias de autocuidado e primeiros socorros psicológicos.
O UCP2 Mental Health disponibiliza também apoio psicológico individual para estudantes nos quatro campi da Universidade. Este serviço está, também, disponível para docentes e colaboradores nos campi de Lisboa, Braga e Viseu.
Cuidar da saúde mental é uma responsabilidade de todos.
A compreensão dos desafios psicológicos enfrentados pelos profissionais das forças policiais esteve no centro da investigação desenvolvida por Ana Moreno, no âmbito da sua tese de doutoramento realizada na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP‑UCP). Intitulada “MENTAL HEALTH NEUROFORCE: A Multilevel Analysis of Mental Health, Stressors and Training Needs Among Police Forces”, a tese analisa, de forma aprofundada, os fatores de stress ocupacional, os mecanismos de coping e as necessidades de formação associadas à saúde mental em contexto policial.
O trabalho foi desenvolvido no âmbito doDoutoramento Internacional em Psicologia Aplicada e integra o projeto internacional “Mental Health NeuroForce”, um consórcio orientado para a promoção da resiliência psicológica e do bem‑estar em forças de segurança. A investigação constitui um contributo relevante para uma área marcada por elevada exigência emocional e por um estigma ainda persistente em torno da saúde mental.
“O projeto de doutoramento foi um primeiro passo para dar forma a este objetivo, focando‑se na caracterização dos principais fatores de stress ocupacionais (…) e contribuindo com a base para uma futura intervenção de promoção de resiliência ao stress”, explica Ana Moreno.
Relevância social e institucional da investigação
A motivação subjacente à investigação assenta na importância social das forças policiais e na necessidade de dar visibilidade às condições psicológicas associadas ao exercício da profissão. A tese procurou auscultar os próprios profissionais sobre os principais desafios que enfrentam, os principais fatores moderadores do seu bem-estar, os recursos de apoio psicológico disponíveis e a pertinência de intervenções focadas na regulação emocional e na gestão do stress.
Desenvolvido em Portugal e Espanha, o estudo permitiu analisar contextos institucionais distintos, mas atravessados por problemáticas comuns, como a elevada exposição a situações críticas, a influência de fatores organizacionais e a dificuldade em procurar ou ter acesso a apoio psicológico. Os resultados reforçam a necessidade de respostas institucionais mais consistentes e ajustadas às exigências emocionais da profissão policial.
Metodologia e principais resultados
A investigação estruturou‑se em duas grandes fases: uma primeira dedicada à caracterização dos desafios ocupacionais e organizacionais e ao papel do coping no bem‑estar psicológico; e uma segunda centrada na formulação de uma intervenção piloto de promoção de resiliência ao stress, com recurso a biofeedback. A metodologia integrou dados quantitativos - instrumentos de autorrelato e medidas fisiológicas - e dados qualitativos, recolhidos através de perguntas de resposta aberta.
Entre os principais resultados, destaca‑se a elevada prevalência de stress na população policial e o seu impacto significativo no bem‑estar psicológico. Em Portugal, o recurso a estratégias de coping como a supressão, surgiu como um dos maiores preditores de stress, enquanto a capacidade de diferenciação emocional apresentou um efeito protetor. Apesar dos níveis elevados de stress identificados, apenas cerca de 17% dos agentes com níveis de stress considerados excessivos recorreram a apoio psicológico profissional.
Em Espanha, tanto os fatores de stress operacionais como os organizacionais se revelaram preditores significativos de sintomas clínicos. Estratégias de coping de evitamento surgiram como um importante fator de risco, enquanto o coping focado no problema apresentou um efeito protetor, sobretudo face a sintomas depressivos. A investigação identificou ainda diferenças associadas ao género, nomeadamente maior vulnerabilidade a sintomas depressivos no género masculino, e ao tempo de serviço, particularmente maior stress entre agentes mais jovens, evidenciando a complexidade dos processos de adaptação psicológica ao longo da carreira policial.
Dimensão internacional e produção científica
A tese contou com a orientação de Patrícia Oliveira‑Silva, docente da FEP-UCP, e com a coorientação de Rowena Hill (Nottingham Trent University) e de Susanna Rubiol Vilalta (Universitat Ramon Llull), refletindo uma forte dimensão internacional. Esta colaboração contribuiu para o enriquecimento científico do trabalho e para a aproximação entre investigação e prática, incluindo a realização de iniciativas de divulgação dirigidas a profissionais da área.
No âmbito da tese, Ana Moreno produziu vários artigos científicos, alguns já publicados e outros em fase de publicação gradual, que aprofundam diferentes dimensões do stress, do coping e da resiliência em contextos policiais. Entre estes trabalhos destaca-se um artigo de revisão sistemática da literatura sobre programas de promoção de resiliência ao stress dirigidos a agentes policiais, anteriormente noticiado pelo website da FEP-UCP, no qual se conclui que estas intervenções são eficazes na melhoria da saúde mental e do desempenho profissional, embora subsista a necessidade de modelos mais homogéneos em termos de estrutura, conteúdo e avaliação de impacto.
“Concluir este doutoramento foi um momento decisivo no meu percurso enquanto académica e investigadora (…) e reforçou a convicção de que a investigação pode ter impacto real e aplicado aos problemas sociais”, sublinha a investigadora.
Mais do que o culminar de um percurso académico, a tese abre caminho à continuidade do projeto e ao desenvolvimento de futuras intervenções orientadas para a promoção da saúde mental e da resiliência psicológica nas forças de segurança.
O trabalho foi defendido a 27 de janeiro de 2026, na Universidade Católica Portuguesa.