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Dia Nacional da Faculdade de Teologia: “Uma Teologia que não viva na relação falha na sua essência”

No dia em que a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa assinala o seu Dia Nacional, a comunidade académica reuniu-se para celebrar aquilo que a distingue e une: a sua identidade que, nas palavras do seu diretor, Luís M. Figueiredo Rodrigues, "respira através de vários pulmões". A única faculdade de Teologia do país, com presença em Lisboa, Porto e Braga, e cada vez mais no Ensino a Distância graduado, afirmou, uma vez mais, o seu compromisso com a excelência académica, com o diálogo interdisciplinar e com a formação de pessoas capazes de pensar a fé com rigor e de a viver com profundidade.

Num ano em que a Faculdade completa 59 anos de existência, o evento, que decorreu a 30 de abril, em Lisboa, foi um convite à reflexão sobre o que significa estudar, investigar e viver a Teologia no mundo contemporâneo e reuniu estudantes, docentes e colaboradores num ambiente animado e fraterno, onde a alegria e o sentido de pertença se fizeram sentir ao longo de todo o dia.


“Não nos é pedido para escolher entre o rigor intelectual e o estar enamorado por Deus.”

Na sessão de abertura, realizada no Auditório Cardeal Medeiros, o diretor da Faculdade recordou que a Sagrada Escritura deve ser "a alma da Teologia" e que estudar Teologia não é acumular saberes, mas entrar num "encontro vivo com Alguém". Nessa linha, sublinhou que a Teologia não pode ser praticada em modo isolado: "A Teologia não se faz de modo isolado, não é um depósito de saberes." A Faculdade é, acima de tudo, uma comunidade e isso implica cultivar relações fraternas. "Não permitam que o colega que veem ao vosso lado seja um estranho", desafiou o diretor.

"Não nos é pedido para escolher entre o rigor intelectual e o estar enamorado por Deus. Pedem-nos os dois.”, afirmou Luís M. Figueiredo Rodrigues. “Uma Teologia que não viva na relação falha na sua essência”, recordou, aludindo ao mistério trinitário como paradigma de toda a existência: "Deus revelou-se como Trindade, ou seja, em relação pura."


O diálogo entre o Direito e a Teologia

"O Direito não é uma ciência, é uma arte.”, começou por dizer Eduardo Vera-Cruz Pinto, diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na conferência "A Influência do Direito Romano no Ocidente". Desta premissa decorreu uma reflexão sobre a relação entre Direito, justiça e paz, que, segundo o conferencista, "têm de estar sempre presentes". “A paz só se consegue pela justiça”, afirmou.

Citando Ratzinger, recordou que "a razão ilumina tanto o Direito como a Teologia", defendendo que é precisamente esse fundo comum que torna possível e necessário o diálogo entre as duas áreas de conhecimento.

Eduardo Vera-Cruz Pinto recordou a necessidade de um “chão comum”. A saída passa “por recuperar a ideia de que o Direito é uma arte e não uma técnica”. Passa também por repensar o direito natural à luz dos desafios contemporâneos. "Falta um Direito natural que parta da universalidade do Direito", afirmou. "Quando se dialoga com base cultural e com base genuína de coração, as coisas podem acontecer de forma diferente das que estão agora a acontecer”, concluiu. 

O programa da manhã incluiu também a entrega dos Prémios de Mérito Universitário da Fundação Amélia de Mello, distinguindo os estudantes que mais se destacaram ao longo do seu percurso académico na Faculdade. Na edição de 2024, o prémio foi atribuído a Samuel Afonso, do Mestrado em Ciências Religiosas EaD, e na edição de 2025, a Simão Ferreira Nunes, do Mestrado Integrado em Teologia. Um momento de reconhecimento que reforça o compromisso institucional com a excelência e com o acompanhamento dos seus alunos.

Ainda durante a manhã, o Grupo de Teatro do Seminário dos Olivais apresentou a peça Semente de Cristãos, que evoca a história de São Genésio, patrono do teatro e dos atores. Trata-se de um comediante romano que, ao simular em palco o batismo cristão para entreter o imperador Diocleciano, foi surpreendido por uma conversão genuína.  


"Um dia de festa, de celebração, de memória e de projeção da esperança"

Durante a tarde, a comunidade participou entusiasticamente num programa cultural, que incluiu uma visita aos jardins e ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e, também, uma visita aos vitrais de Almada Negreiros na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

O Dia Nacional da Faculdade de Teologia culminou com uma celebração litúrgica presidida por D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa e Magno Chanceler da Universidade Católica Portuguesa, que descreveu o Dia da Faculdade como "um dia de festa, de celebração, de memória e de projeção da esperança". O Patriarca de Lisboa sublinhou o que torna a Teologia singular entre os saberes: a sua vocação de síntese. “A Teologia oferece a possibilidade de uma perspetiva integral. A Teologia é um lugar de síntese.”

D. Rui Valério lançou, também, um desafio sobre como deve ser cumprida a vocação da Teologia: “Para cumprir plenamente a sua vocação, a própria Teologia deve tornar-se serva. "A vocação não é conhecer mais, mas ver mais profundamente. Uma teologia que não se ajoelha não cumpre o Evangelho."

A Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa celebra este ano 59 anos de dedicação ao ensino, à investigação e à reflexão crítica no domínio da Teologia. Com uma oferta formativa que conta com licenciaturas, mestrados, doutoramentos e programas avançados, a Faculdade distingue-se pelo diálogo aberto entre a tradição teológica e a sociedade contemporânea.

05-05-2026

Católica Porto Business School é finalista dos Prémios Marketeer 2026

A Católica Porto Business School é uma das marcas finalistas dos Prémios Marketeer 2026, na categoria Estabelecimentos de Ensino. As votações já estão a decorrer.

A competição que distingue todos os anos as marcas, personalidades e empresas que têm um impacto significativo em Portugal, nomeia nesta 18ª edição marcas de diferentes categorias, que vão desde a Grande Distribuição aos Festivais de Música, Seguros e Telecomunicações, passando pelo Grande Consumo, Turismo e Banca e Saúde. 

A lista de finalistas é elaborada através de um cruzamento de avaliações por parte da redação e do Conselho Editorial da Marketeer.   

As votações para os Prémios Marketeer 2026 estão abertas até ao dia 17 de maio.



votar aqui

 

Os vencedores vão ser conhecidos numa cerimónia a decorrer no dia 28 de maio no Convento do Beato, em Lisboa. 

05-05-2026

A Semana Europeia da Sensibilização para a Saúde Mental assinala-se em maio

A Semana Europeia de Sensibilização para a Saúde Mental, promovida pela organização Mental Health Europe, decorre anualmente no mês de maio, com o objetivo de promover o diálogo sobre a saúde mental, combater o estigma e reforçar a sua importância. 

Esta iniciativa tem vindo a consolidar-se, reunindo organizações governamentais, instituições e cidadãos de toda a Europa. O objetivo é sensibilizar para a importância da saúde mental e reforçar a sua presença na agenda pública, social e política. Trata-se de uma oportunidade relevante para reforçar o compromisso coletivo com o bem-estar e contribuir para uma sociedade mais consciente. 

Todos os anos, esta iniciativa é dedicada a um tema específico. A edição de 2026 decorre entre os dias 11 e 17 de maio, sob o mote “Mais fortes juntos: priorizar a saúde mental numa Europa em mudança”. Este tema reconhece os desafios que caracterizam o contexto europeu atual e sublinha a importância da solidariedade, da esperança e do apoio mútuo. 

No ensino superior, esta iniciativa reforça o papel das universidades na promoção da saúde mental através da promoção de ambientes saudáveis, inclusivos e de apoio mútuo, e do desenvolvimento de uma cultura institucional que valoriza o bem-estar psicológico como parte integrante do sucesso académico e pessoal.

Neste sentido, o UCP2 Mental Health disponibiliza aos estudantes da Universidade Católica um conjunto de iniciativas de promoção da saúde mental. No âmbito da promoção e prevenção, são desenvolvidos workshops com o propósito de aumentar a literacia em saúde mental, desenvolver estratégias de autocuidado e primeiros socorros psicológicos.

O UCP2 Mental Health disponibiliza também apoio psicológico individual para estudantes nos quatro campi da Universidade. Este serviço está, também, disponível para docentes e colaboradores nos campi de Lisboa, Braga e Viseu. 

Cuidar da saúde mental é uma responsabilidade de todos. 

04-05-2026

Saúde mental nas forças policiais: investigação da Faculdade de Educação e Psicologia revela fatores críticos de stress e resiliência

A compreensão dos desafios psicológicos enfrentados pelos profissionais das forças policiais esteve no centro da investigação desenvolvida por Ana Moreno, no âmbito da sua tese de doutoramento realizada na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP‑UCP). Intitulada “MENTAL HEALTH NEUROFORCE: A Multilevel Analysis of Mental Health, Stressors and Training Needs Among Police Forces”, a tese analisa, de forma aprofundada, os fatores de stress ocupacional, os mecanismos de coping e as necessidades de formação associadas à saúde mental em contexto policial.  

O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Doutoramento Internacional em Psicologia Aplicada e integra o projeto internacional “Mental Health NeuroForce”, um consórcio orientado para a promoção da resiliência psicológica e do bem‑estar em forças de segurança. A investigação constitui um contributo relevante para uma área marcada por elevada exigência emocional e por um estigma ainda persistente em torno da saúde mental.  

“O projeto de doutoramento foi um primeiro passo para dar forma a este objetivo, focando‑se na caracterização dos principais fatores de stress ocupacionais (…) e contribuindo com a base para uma futura intervenção de promoção de resiliência ao stress”, explica Ana Moreno. 

 

Relevância social e institucional da investigação 

A motivação subjacente à investigação assenta na importância social das forças policiais e na necessidade de dar visibilidade às condições psicológicas associadas ao exercício da profissão. A tese procurou auscultar os próprios profissionais sobre os principais desafios que enfrentam, os principais fatores moderadores do seu bem-estar, os recursos de apoio psicológico disponíveis e a pertinência de intervenções focadas na regulação emocional e na gestão do stress.  

Desenvolvido em Portugal e Espanha, o estudo permitiu analisar contextos institucionais distintos, mas atravessados por problemáticas comuns, como a elevada exposição a situações críticas, a influência de fatores organizacionais e a dificuldade em procurar ou ter acesso a apoio psicológico. Os resultados reforçam a necessidade de respostas institucionais mais consistentes e ajustadas às exigências emocionais da profissão policial.

 

Metodologia e principais resultados 

A investigação estruturou‑se em duas grandes fases: uma primeira dedicada à caracterização dos desafios ocupacionais e organizacionais e ao papel do coping no bem‑estar psicológico; e uma segunda centrada na formulação de uma intervenção piloto de promoção de resiliência ao stress, com recurso a biofeedback. A metodologia integrou dados quantitativos - instrumentos de autorrelato e medidas fisiológicas - e dados qualitativos, recolhidos através de perguntas de resposta aberta.  

Entre os principais resultados, destaca‑se a elevada prevalência de stress na população policial e o seu impacto significativo no bem‑estar psicológico. Em Portugal, o recurso a estratégias de coping como a supressão, surgiu como um dos maiores preditores de stress, enquanto a capacidade de diferenciação emocional apresentou um efeito protetor. Apesar dos níveis elevados de stress identificados, apenas cerca de 17% dos agentes com níveis de stress considerados excessivos recorreram a apoio psicológico profissional.  

Em Espanha, tanto os fatores de stress operacionais como os organizacionais se revelaram preditores significativos de sintomas clínicos. Estratégias de coping de evitamento surgiram como um importante fator de risco, enquanto o coping focado no problema apresentou um efeito protetor, sobretudo face a sintomas depressivos. A investigação identificou ainda diferenças associadas ao género, nomeadamente maior vulnerabilidade a sintomas depressivos no género masculino, e ao tempo de serviço, particularmente maior stress entre agentes mais jovens, evidenciando a complexidade dos processos de adaptação psicológica ao longo da carreira policial.

 

Dimensão internacional e produção científica

A tese contou com a orientação de Patrícia Oliveira‑Silva, docente da FEP-UCP, e com a coorientação de Rowena Hill (Nottingham Trent University) e de Susanna Rubiol Vilalta (Universitat Ramon Llull), refletindo uma forte dimensão internacional. Esta colaboração contribuiu para o enriquecimento científico do trabalho e para a aproximação entre investigação e prática, incluindo a realização de iniciativas de divulgação dirigidas a profissionais da área.  

No âmbito da tese, Ana Moreno produziu vários artigos científicos, alguns já publicados e outros em fase de publicação gradual, que aprofundam diferentes dimensões do stress, do coping e da resiliência em contextos policiais. Entre estes trabalhos destaca-se um artigo de revisão sistemática da literatura sobre programas de promoção de resiliência ao stress dirigidos a agentes policiais, anteriormente noticiado pelo website da FEP-UCP, no qual se conclui que estas intervenções são eficazes na melhoria da saúde mental e do desempenho profissional, embora subsista a necessidade de modelos mais homogéneos em termos de estrutura, conteúdo e avaliação de impacto. 

“Concluir este doutoramento foi um momento decisivo no meu percurso enquanto académica e investigadora (…) e reforçou a convicção de que a investigação pode ter impacto real e aplicado aos problemas sociais”, sublinha a investigadora.  

Mais do que o culminar de um percurso académico, a tese abre caminho à continuidade do projeto e ao desenvolvimento de futuras intervenções orientadas para a promoção da saúde mental e da resiliência psicológica nas forças de segurança. 

O trabalho foi defendido a 27 de janeiro de 2026, na Universidade Católica Portuguesa. 

 

04-05-2026

Helena Gil da Costa: “Sem tempo não há criação.”

Helena Gil da Costa é docente na Universidade Católica Portuguesa no Porto desde 1999, onde tem desenvolvido trabalho nas áreas da criatividade, sociologia, educação e cultura portuguesa. Formada em Educação de Infância pela Escola de Educadores de Infância Paula Frassinetti e, mais tarde, em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, concluiu um Master em Criatividade Aplicada Total na Universidade de Santiago de Compostela e fez doutoramento em Ciências Sociais e Humanas na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Desde aí, e qualquer que seja a área que lecione, a criatividade é o eixo central da sua prática docente. Última aventura? 100km a caminhar no Deserto do Saara.

 

Quais são as memórias da sua infância?

Uma imagem-som linda que me acompanha é a da bica da água do tanque da nossa casa na Póvoa de Lanhoso – deita água de dia e de noite, no verão e no inverno, água que sai dali para regar os campos. Nunca nos faltou. É, de alguma maneira, símbolo e metáfora para o que me foi dado viver. Nasci e vivo no Porto, mas aquele é, ainda hoje, o meu lugar de “chegar a casa”. Era, e é, o lugar onde nos juntávamos todos – os avós, os meus pais e irmãos, os tios e os primos. Eramos muitos, de todas as idades. Quando crianças, passávamos os dias a calcorrear os montes. Tive a sorte (acho que é mesmo uma bênção), de crescer numa família de gente de bem – pessoas com valores sólidos, gente íntegra, gente de fé, gente que assumiu a relação e o serviço à comunidade como parte do seu propósito de vida.

 

A sua formação de base é em Educação de Infância. Como surgiu esse caminho?

Ainda que com contornos e em contextos muitos diversos, o trabalho em educação faz parte da minha família. Acompanhou-me desde sempre. Eu descobri o meu próprio caminho de uma forma muito simples, até pueril. Um dia, voltava de elétrico para casa e vi um grupo de crianças de um certo orfanato. Era assim que, naquele tempo, se denominavam as casas de acolhimento. As crianças reconheciam-se ao longe – sempre em grupo, sempre em fila, todas vestidas de cinzento. Não era a primeira vez que as via na cidade. Mas, naquele dia, sei lá porquê, pensei que as coisas podiam e deviam ser diferentes, que o meu lugar podia ser com elas. Abandonei a ideia de fazer a licenciatura em Românicas e, no ano seguinte, matriculei-me na Escola de Educadores de Infância Paula Frassinetti. Aí, fiz a minha formação, parti para o trabalho direto com crianças (tão diferentes das com que me tinha cruzado naquela tarde), e para lá voltei como docente. Poucos anos depois estive envolvida na criação e na direção executiva e pedagógica da Escola de Educadores de Infância Santa Maria e da Escola Santa Maria (creche, jardim de infância e primeiro ciclo do ensino básico). Exerci funções docentes durante quase 25 anos. Nunca mais voltei, no entanto, ao trabalho direto com crianças, nunca trabalhei com as que me fizeram encontrar o meu caminho. Fico a dever-lhes isso. Hoje, com 68 anos, por muitos outros lugares que possa ter percorrido, se me perguntar o que sou, respondo sem hesitar: sou educadora.

 

Mais tarde, já depois de estudar Sociologia, acaba por fazer um Master em Criatividade. O que é que a levou até esta área?

A minha formação como educadora de infância aconteceu numa época muito particular e forte da história do nosso País (1975-1978). Foi, como sabemos um tempo de grandes sonhos e ilusões, de entusiasmo coletivo, um tempo em que se acreditava que era possível mudar e criar um mundo melhor – estava nas nossas mãos, era essa a nossa responsabilidade. Anos mais tarde, durante a minha licenciatura em Sociologia, o impacto foi quase o oposto. A Sociologia obriga-nos a pôr os pés na terra, a olhar para a realidade social como ela é – a conhecer, descrever e compreender a forma como as relações sociais efetivamente acontecem, a perceber que a nossa capacidade individual e o nosso poder de mudança social são reduzidos. Durante muito tempo, senti um vazio que não sabia como preencher – oscilava entre aqueles dois polos, acreditava em cada um deles, mas não sabia como os ligar. A Criatividade, enquanto área de estudo, chegou também “por acaso”, como chegam tantas coisas boas de que andamos à procura, mesmo sem saber. “Caiu-me no colo” durante um congresso. Semanas depois, inscrevi-me, também sem hesitação, no Master em Criatividade Aplicada Total na Universidade de Santiago de Compostela. Aí entendo que esse vazio pode ser preenchido, que a mudança pode e deve acontecer. Já não se trata, porém, de mudar o mundo, mas de mudar mundos – o meu, seguramente, em primeiro lugar, porque também essa é a minha primeira responsabilidade. Desde então, enquanto pessoa e enquanto docente, a preocupação passa a ser “aprender a partir de dentro” – aquilo a que chamamos “conhecimento encarnado”.

 

“Num mundo que está louco, como não pensar na nossa responsabilidade, no que nos cabe fazer?”

 

Hoje identifica a criatividade como o eixo do seu trabalho. Como é que esse percurso a leva até à Universidade Católica?

De uma forma quase “natural”, mas bem desafiante, a criatividade levou-me a fazer formação com pessoas de áreas muito diferentes – jovens estagiários em design industrial, bancários sindicalizados, chefes de linha de montagem de uma fábrica de calçado, gente da gestão de uma empresa de Vinho do Porto… Com essa experiência, em tempo de inquietação, com vontade de mudar, enviei o meu curriculum para a Escola das Artes que tinha começado a sua atividade há pouco tempo. No início, em 1999, a minha colaboração foi muito pontual – orientava um seminário anual de criatividade, durante uma semana, com estudantes do curso de pós-graduação. Em 2001 comecei a lecionar na Faculdade de Teologia. Aos poucos, a colaboração foi-se alargando e, anos depois, quase sem dar conta, chegou o tempo do tempo inteiro na Universidade. Já trabalhei com todas as Unidades Académicas do Porto, participei e estive na coordenação de diversos projetos transversais. Hoje a minha afiliação institucional é na Faculdade de Educação e Psicologia, mas continuo a colaborar com outras Unidades Académicas e com outros projetos.

 

A criatividade ensina-se?

Podem ensinar-se instrumentos e técnicas, mas que, por si só, não são criatividade. Há muitas definições de criatividade validadas academicamente, mas vou-me focar numa delas – a criatividade enquanto capacidade/qualidade e atitude humana. Como tal, não se ensina, como também não se ensina(m) inteligência(s). Podem e devem criar-se condições para que seja aplicada e desenvolvida. Se isso não acontecer, corremos o risco de perder grande parte dessa capacidade. Por outro lado, ainda que todos tenhamos um potencial criativo, isso não significa que o que fazemos com esse potencial seja automaticamente criativo. É costume dizer-se, por exemplo, que as crianças são muito criativas, mas não é rigorosamente assim – as crianças têm uma imaginação muito grande, mas falta-lhes conhecimento e capacidade de avaliação. Para que algo seja criativo, não basta ser diferente ou inusitado, tem de ter qualidade, tem de ter valor, tem de fazer sentido, tem de procurar e dar uma resposta intencional a uma necessidade.

 

Quais são as fases do processo criativo?

Há autores que identificam de forma diferente, com mais ou menos detalhe, as fases (não lineares) do processo criativo. Trago aqui uma das mais simples – o tempo de centrar, o tempo de agir, o tempo de celebrar. Centrar é o tempo de parar, de fazer silêncio, é o tempo lento de encontrar e dar sentido ao que se vive, ao que se procura. Agir é o fazer, é, sob pena da incoerência, o tempo de concretizar o que se encontrou-reconheceu antes. O tempo de celebrar é o tempo da alegria e da festa por causa do que se vai alcançando, por pouquinho e pequenino que seja. Sem cada um deles não há verdadeira criação e sem criação não há vida, há apenas cópia-reprodução. Porém, vivemos muitas vezes em desequilíbrio e, quando um dos tempos prevalece sobre os outros, alguma coisa vai correr mal. Se olharmos, por exemplo, para tantos espaços de trabalho, vemos que o que interessa é fazer, fazer, fazer, sem sabermos, de facto, porquê, menos ainda para quê. O quantitativo prevalece sobre o qualitativo, as pessoas respiram mal. Encontramos, cada vez mais, pessoas-grupos-organizações doentes. Tão doentes que nem reconhecem, ou preferem ignorar, a própria doença… até que seja tarde. Tanta coisa para sentir-pensar-falar-mudar só a partir daqui…

 

“Se nos perguntarmos onde costumamos ter boas ideias, raramente respondemos que as boas ideias surgem enquanto trabalhamos em frente ao computador.”

 

Do seu trabalho com os estudantes internacionais da Universidade Católica no Porto, resultou a publicação de um livro chamado “Educação, Criatividade e Cultura Portuguesa” …

O livro é uma narrativa-testemunho da unidade curricular de Introdução à Cultura e Língua Portuguesa, dirigida a estudantes internacionais, estudantes de todas as Unidades Académicas, de todos os graus, todos juntos. Esta cadeira existe desde 2017 e, desde aí, já por lá passaram mais de 700 alunos, de mais de 40 nacionalidades, de quatro continentes. Como docente e investigadora, o curso e o livro são a última “menina dos meus olhos”. Atualmente só gosto de escrever-pensar em profundidade, e de forma simples, sobre o vivido. Assim, este livro conta e fundamenta (conceptual e metodologicamente) o nosso processo de criação, o que fazemos, como o vivemos, o que resultou da conjugação das minhas diversas áreas de formação e do facto de ser portuguesa, mas, essencialmente, o que resultou do trabalho feito-vivido com os estudantes. A vida e o trabalho académico não se separam. Não é de mim para eles, é nosso. Não é isso ensinar e aprender? Não é isso sermos educadores-educandos? Há quem diga que o livro é brutalmente honesto e gosto de pensar que assim seja. Ainda que o texto geral tenha sido escrito por mim (e, na reflexão final, sobre a educação universitária atual, com a colaboração de Eugenia Trigo), está recheado de testemunhos e extratos de trabalhos feitos pelos estudantes de anos anteriores. Já tinham, por isso, regressado aos seus países quando comecei a reunir esse material. Tive de os contactar, espalhados pelo mundo, para obter a sua autorização. Foi um processo muito bonito, só por isso valeu a pena. Comecei a escrever o livro em 2019 e ficou concluído em 2025. As coisas precisam de tempo.

 

Qual é hoje o grande desafio da educação?

Que pergunta difícil e grande!! São tantos… Num mundo que está louco, como não pensar na nossa responsabilidade, no que nos cabe fazer? Um que me persegue (e repito-me), é o desafio da coerência – a coerência entre o discurso e a prática, entre o que sabemos e o que, efetivamente, fazemos. Há uma diferença fundamental entre informação, conhecimento e sabedoria. Falamos em educação integral, mas, na verdade, continuamos, tantas vezes, a focar-nos quase exclusivamente na dimensão cognitiva e esquecemos que somos corporeidade. A criação não existe sem tempo. Acredito que, talvez mais do que nunca, nós professores precisamos de parar, de refletir acerca de nós mesmos, acerca do que somos e do que fazemos. Precisamos, cada um de nós precisa, de questionar as próprias práticas. Mas isso exige tempo, disponibilidade, distância e muita coragem – muito daquilo de que, tantas vezes, andamos a fugir.

 

Onde encontra espaço para ter ideias e descansar?

Se nos perguntarmos onde costumamos ter boas ideias, raramente respondemos que as boas ideias surgem enquanto trabalhamos em frente ao computador. Referimos, antes, o tempo em que estamos a passear, a conduzir, com amigos, a cozinhar (não é o meu caso), no banho… Nesta fase da minha vida, faço trilhos sempre que posso para ver-sentir-cheirar o que não se vê, não se sente e não se cheira na estrada. A minha passagem de ano foi no deserto do Saara. Fui com algum receio, sabia que ia ser duro, mas ir ao deserto era um sonho antigo. Queria ouvir o silêncio. Vim feliz. Éramos cinco – caminhámos cerca de 100 quilómetros em cinco dias. Hoje, não tenho dúvidas de que, seja lá como for, vou voltar. Caminhar assim é uma das formas que hoje encontro para responder a uma pergunta que, acredito, não é para mim, mas para nós todos - de que maneira e em que contextos a criatividade ajuda a criar (e, até, a reconhecer) mundos mais lindos?

 

30-04-2026

Universidade Católica Portuguesa inaugura Salas de Aula do Futuro INOV-NORTE

Foram inauguradas na Universidade Católica no Porto as Salas de Aula do Futuro INOV-NORTE, uma iniciativa que reforça a aposta na inovação pedagógica e na modernização dos ambientes de ensino e aprendizagem no ensino superior.

A inauguração das salas decorreu no âmbito da 8.ª reunião plenária do consórcio INOV-NORTE – Centro de Excelência de Inovação Pedagógica na Região Norte, projeto financiado pelo programa NextGeneration EU do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O evento, que decorreu a 24 de abril de 2026, juntou membros dos órgãos de gestão do consórcio, coordenadores de atividades e embaixadores do projeto, num momento de acompanhamento e articulação do trabalho desenvolvido pelas instituições parceiras ao longo das várias áreas de intervenção do INOV-NORTE.

Foram ainda abordados pontos relacionados com a calendarização das atividades em curso e com a preparação do relatório final do projeto, num contexto de consolidação dos resultados alcançados e de planeamento da fase de encerramento.

O encontro reforçou a cooperação entre as instituições parceiras e o alinhamento estratégico do consórcio, sublinhando o compromisso conjunto com a inovação pedagógica e a transformação do ensino superior na região Norte, numa iniciativa que se aproxima da sua conclusão, prevista para junho de 2026.

29-04-2026

Presidente do Conselho Europeu na Universidade Católica: "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises"

“Autonomia Europeia num mundo em mudança” foi o tema da conferência organizada pela Universidade Católica Portuguesa, no Porto, com o Presidente do Conselho Europeu, António Costa. Na sua intervenção, António Costa enunciou os pilares que devem orientar a autonomia estratégica europeia, dos princípios do direito internacional ao investimento na defesa e na competitividade, e deixou uma nota de confiança: "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises."

Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa, deu início à conferência situando o debate no âmbito da missão universitária. “O tema convoca-nos a todos enquanto sociedade e europeus”, afirmou. Isabel Capeloa Gil recordou que “a Europa cresceu, em grande medida, da consciência das suas fragilidades, mas também da coragem de pensar o futuro comum” e que a questão da autonomia “assume hoje uma importância renovada.” “Preservar e renovar esse projeto”, sublinhou, “exige visão estratégica e reflexão crítica, e é aqui que as universidades têm um papel fundamental.”

 

A ordem internacional e os cenários possíveis

Na sua intervenção, António Costa partiu de um diagnóstico sobre a ordem internacional: as regras que emergiram do fim da Segunda Guerra Mundial estão hoje a ser desafiadas por alguns dos principais agentes internacionais, incluindo países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. “A ausência de regras significa o caos”, afirmou.

Perante esta realidade, identificou três cenários possíveis: o prolongamento da situação de caos; o regresso a um mundo de grandes esferas de influência; ou o desenvolvimento de uma parceria de multipolaridade. Foi sobre este último que centrou a sua reflexão, partilhando “cinco Ps” que orientam a acção da União Europeia: “princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder.” Sobre a paz, António Costa destacou que esta está no “ADN” da UE: “A União Europeia é um projecto de paz”.

 

Defesa, competitividade e autonomia estratégica

Para António Costa, a autonomia estratégica da Europa passa por perceber que a sua vantagem fundamental é gastar melhor, não apenas mais. "Não precisamos de ter 27 grandes forças armadas, o que precisamos é de um sistema sólido que assegure a defesa coletiva." “Cada país tem as suas próprias prioridades, mas há aquelas que são partilhadas pelos 27”, partilhou.

 

O próximo ciclo de fundos comunitários deverá ter como foco “o investimento no sistema de inovação, a translação para o mercado e o apoio às empresas no investimento em tecnologia e na reindustrialização”. “Só desenvolvendo estes dois pilares - defesa e competitividade – é que se criam os alicerces do poder europeu.”

O Presidente do Conselho Europeu concluiu com uma nota de confiança: “a Europa é o espaço de democracia mais sólido à escala global”, “o principal agente comercial internacional” e “desenvolveu o melhor modelo social do mundo”. "Temos sabido resistir e fortalecer-nos perante cada uma das crises", disse, acrescentando que a melhor forma de evitar crises futuras é a prevenção e que a Europa tem a persistência necessária para o fazer.

 

Estudantes da Católica em diálogo com o Presidente do Conselho Europeu

A conferência contou com um momento de perguntas de estudantes e docentes das várias faculdades da Universidade Católica, que participaram ativamente no debate.

José Azeredo Lopes, professor da Faculdade de Direito – Escola do Porto, encerrou o evento, sublinhando a qualidade das questões colocadas pelos estudantes e agradecendo a presença do Presidente do Conselho Europeu. Na sua intervenção final, destacou que a conferência revelou uma União Europeia "bastante mais complexa e rica do que aquilo que alguns podem supor", deixando uma nota de confiança no futuro do projeto europeu.

A conferência decorreu a 28 de Abril, no Auditório Carvalho Guerra, e reuniu a comunidade académica e o público em geral para um momento de reflexão crítica e diálogo informado sobre o papel da Europa no mundo.

 

29-04-2026

Católica Porto Business School reforça presença no ranking mundial QS Executive MBA pelo quarto ano consecutivo

A Católica Porto Business School continua a integrar o ranking QS Executive MBA, consolidando a sua posição num contexto de crescente concorrência internacional.

Com mais de duas décadas de existência, o programa tem vindo a afirmar-se de forma consistente a nível internacional, reforçando o prestígio de uma escola que detém as três acreditações de excelência — EQUIS, AMBA e AACSB — conhecidas como a Triple Crown, um estatuto alcançado por menos de 1% das escolas de negócios em todo o mundo.  

O principal destaque vai para a qualidade do perfil executivo dos participantes, com o programa a alcançar a 78.ª posição mundial neste indicador, entre 215 programas avaliados, um resultado significativamente acima da média global. Este desempenho reflete a solidez da experiência profissional dos alunos e uma presença crescente de perfis com percurso em cargos de topo. 

Para o diretor da Católica Porto Business School, João Pinto, “continuar a integrar este ranking reforça o posicionamento da Escola como uma instituição alinhada com os valores da ética e da sustentabilidade, bem como com as exigências de um mercado global cada vez mais competitivo”.  

A evolução na carreira dos participantes mantém-se como um aspeto muito relevante do MBA Executivo da escola, a par de uma diversidade acima da média global, nomeadamente no que respeita ao equilíbrio de género. 

Para o vice-diretor da Católica Porto Business School e responsável pela área de Acreditações e Rankings, Paulo Alves, “estes resultados confirmam a consistência do trabalho que temos vindo a desenvolver e o reconhecimento crescente da Escola a nível internacional. É um sinal claro de que estamos a consolidar a nossa presença junto de empregadores e da comunidade académica, de forma sustentada”. 

O diretor do MBA Executivo, Luís Marques, salienta que “os participantes que escolhem o nosso programa procuram uma experiência formativa com reconhecimento internacional, mas também com impacto real no seu percurso profissional. A presença no ranking QS vem reforçar a consistência desse posicionamento, refletindo a qualidade do perfil dos nossos alunos, a relevância do modelo pedagógico e a capacidade do programa em responder às exigências de um contexto global cada vez mais complexo e competitivo”.  

A Católica Porto Business School reforça, assim, a sua ambição de consolidar uma oferta formativa de excelência, pautada pela inovação pedagógica, pelo rigor académico e por uma ligação constante às dinâmicas do mercado, a par de manter o compromisso de preparar líderes capazes de enfrentar os desafios de um mundo em transformação.

Conheça o MBA Executivo da Católica Porto Business School aqui

 

29-04-2026

Nova ferramenta de rastreio psicológico para escolas portuguesas em destaque em revista internacional de referência

Um artigo científico desenvolvido por Rosário Serrão, em colaboração com Pedro Dias, Mhairi Bowe, Ana Andrés e Tyler Renshaw, no âmbito do Doutoramento Internacional em Psicologia Aplicada da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP), foi recentemente destacado no World*Go*Round da International School Psychology Association (ISPA), uma das associações internacionais de maior prestígio na área da Psicologia Escolar.  

O artigo, publicado na revista “International Journal of School & Educational Psychology”, apresenta a adaptação e validação para o contexto português do Youth Internalizing and Externalizing Problems Screener (YIEPS), uma ferramenta de despiste universal da saúde psicológica dirigida a alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico. 

Para a investigadora, este destaque representa um marco particularmente significativo no seu percurso académico e científico. “O reconhecimento pela revista da ISPA é muito importante pois tenho um carinho especial por esta associação que me tem trazido enormes aprendizagens e networks internacionais nos últimos anos.” 

Uma abordagem à “saúde psicológica completa” em meio escolar 

Intitulado “Adaptation and Validation of the Youth Internalizing and Externalizing Problems Screener in Portugal: A Unified Psychological Health Screening Tool”, o trabalho científico teve como principal objetivo a validação de uma ferramenta que pudesse apoiar o trabalho dos psicólogos escolares na identificação de fragilidades na saúde psicológica de estudantes do 3.º Ciclo do Ensino Básico. 

Segundo Serrão, o foco esteve na validação de um questionário que permitisse uma visão integrada da saúde psicológica em meio escolar. “O principal objetivo foi validar uma ferramenta para uso por psicólogas/os escolares de despiste universal para alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico, focada em dificuldades de saúde psicológica (i.e., mal‑estar psicológico), que pudesse acompanhar outra ferramenta de despiste focada, por sua vez, em indicadores de bem‑estar psicológico”, relata. 

Uma resposta a lacunas no sistema de apoio psicológico escolar 

A adaptação do Youth Internalizing and Externalizing Problems Screener (YIEPS) para Portugal surgiu num momento em que os serviços de psicologia escolar estão cada vez mais organizados segundo sistemas de suporte multinível, assentes no despiste universal e na tomada de decisões informadas por dados.  

No início do Doutoramento, a investigadora identificou uma lacuna importante neste domínio, “a falta de uma ferramenta validada para o nosso contexto nacional que abrangesse indicadores de ‘saúde psicológica completa’ e cumprisse os critérios de ferramenta de despiste (por exemplo: ser de rápida aplicação e reunir informação que possa ser conectada a intervenções multinível).”

Este estudo insere‑se, assim, num esforço de disponibilizar instrumentos cientificamente validados que possam ser utilizados no terreno pelos psicólogos escolares portugueses

O que torna o YIEPS‑Portugal uma ferramenta distinta 

O YIEPS‑Portugal distingue‑se de outros instrumentos de avaliação psicológica por várias razões práticas e científicas. Desde logo, trata‑se de uma ferramenta de acesso livre e gratuito, disponível online ou mediante contacto com a investigadora. O questionário é composto por apenas 16 itens, o que facilita a sua aplicação em contexto escolar. Além disso, foi concebido de raiz como uma ferramenta de despiste universal, alinhado com abordagens multinível, e que avalia simultaneamente comportamentos de internalização (como ansiedade e sintomas depressivos) e de externalização, particularmente associados a problemas de conduta. 

Por fim, outro aspeto central prende‑se com o facto de ser um instrumento de autorrelato, permitindo captar diretamente a perspetiva dos alunos sobre o seu próprio bem‑estar e mal‑estar psicológico. Esta característica é especialmente relevante para a identificação de comportamentos de internalização, que tendem a ser menos visíveis para professores e outros adultos na escola. 

Gratuitidade, equidade e justiça social 

Os investigadores optaram por disponibilizar o YIEPS‑Portugal de forma gratuita. “Entendemos que [um pagamento para acesso] poderia ser limitador para várias escolas e, por sua vez, para os psicólogos que nelas trabalham. A gratuitidade permite acesso transversal por parte de qualquer escola e de qualquer contexto socioeconómico.” 

Identificar quem não pede ajuda: um desafio que esta ferramenta pode ajudar a superar 

Um dos problemas salientados no estudo de Rosário Serrão, que foi identificado na literatura, é o facto de muitos alunos em risco psicológico não serem sinalizados pelos professores, sobretudo aqueles que não manifestam comportamentos disruptivos. “A literatura mostra que os alunos que são mais frequentemente sinalizados são os que apresentam comportamentos de externalização, ao passo que os que apresentam comportamentos de internalização são os que muitas vezes não são sinalizados/detectados”, relata. 

Através da utilização universal e oportuna da ferramenta YIEPS, torna-se possível a recolha de dados junto dos alunos sobre a autoperceção da sua saúde psicológica, contribuindo para reduzir o número de jovens que passam, por vezes, "debaixo do radar” nos sistemas de suporte da escola, apesar de poderem estar em risco de sofrimento psicológico. 

Um caminho para a implementação do despiste universal em contexto educativo 

A implementação de um despiste da saúde psicológica com recurso à ferramenta YIEPS exige, de acordo com a investigadora, o seguimento de alguns passos específicos. Entre os aspetos essenciais estão nomeadamente a definição do grupo de alunos a incluir num primeiro despiste e a clarificação dos indicadores que se pretendem recolher. 

Tal como sublinha Rosário Serrão, é fundamental envolver a comunidade educativa ao “definir uma estratégia de comunicação com a comunidade educativa sobre o processo”, sendo igualmente importante “antecipar como querem utilizar os dados.”

Além disso, as escolas devem prever, de forma antecipada, os procedimentos a adotar perante situações identificadas como de elevado risco, bem como devem definir e acompanhar as estratégias de intervenção a desenvolver nos diferentes níveis de prioridade de ação. Assim, o despiste universal pode tornar-se uma prática central na promoção da saúde psicológica, permitindo uma atuação mais preventiva, equitativa e sustentada ao longo do percurso escolar dos alunos, permitindo um alinhamento dos suportes alavancados na escola às necessidades específicas de cada contexto.  

28-04-2026

Católica Porto Teen Academy convida jovens a experimentar e refletir sobre o futuro académico

A Católica Porto Teen Academy está de regresso e já abriu as inscrições para mais uma edição da academia de Verão, dirigida a estudantes do ensino secundário interessados em explorar diferentes áreas de conhecimento.

O campus da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, volta a abrir as portas para proporcionar uma experiência próxima da vida universitária, através de momentos de aprendizagem que combinam atividades práticas e contacto direto com docentes e estudantes das diferentes faculdades.

Com programas dinâmicos e envolventes, os cursos procuram equilibrar teoria e prática, ajudando os alunos a esclarecer dúvidas e a ganhar confiança nas suas escolhas: “Em setembro vou entrar na faculdade e quero ter a certeza que é a Católica que quero escolher, portanto, vim explorar mais”, explicou Leonor Lopes, participante da Católica Porto Teen Academy 2025.

A iniciativa atrai jovens de todo o país, como Afonso Camacho, que se deslocou desde a Madeira para participar na iniciativa da Faculdade de Direto. “Estou vestido com a toga, que é a vestimenta que os advogados utilizam no tribunal, porque estamos aqui a fazer a simulação de um julgamento, exatamente para ter esta vertente mais prática e perceber se é realmente isto que nós gostamos”, revelou.

Na Escola Superior de Biotecnologia, o contacto direto com professores e atividades laboratoriais marcam a experiência. Após participar no Experimenta com Ciência, Leonardo Azevedo garante não haver “dúvida nenhuma” de que vai “seguir ciências”.

Já na Escola de Enfermagem, o realismo das atividades é dos aspetos mais valorizados, tal como afirma Tiago Gomes, participante da edição de 2025: “Gostei muito das atividades que fizemos, atividades muito diferenciadas, com os bonecos de teste muito realistas, e acho que deu para aplicar bem o que aprendemos ao longo da semana.”

Na Escola das Artes do Porto, a diversidade de experiências permite aos estudantes explorar diferentes vertentes criativas. Mariana Nogueira participou na Oficina de Conservação e Restauro, em 2025, e garante que “é sempre uma mais valia ter estas oportunidades para termos a certeza que é isto que queremos fazer.” Também Rita Silva, participante do Short-Film Project, sublinha a dimensão abrangente do programa: “É uma oportunidade de explorar e também aprofundar outras áreas em que eu tenho bastante interesse, como a filosofia, a leitura, e diversos temas.” Já Francisca Machado destaca a vertente prática do Atelier de Som e Imagem: “No estúdio, eu fiz um bocadinho de câmara e também fui assistente de realização.”

As atividades do Young Enterprise, promovidas pela Católica Porto Business School no ano passado, ajudaram a convencer os alunos acerca das suas escolhas: “Estava mesmo a pensar em ir para Gestão aqui na Católica e achei que os professores eram bastante simpáticos, achei que proporcionaram uma experiência muito agradável; foi bastante divertido”, partilha Matilde Esteves.

Na edição de 2026, os alunos podem escolher entre uma oferta diversificada de cursos, como À Descoberta do Direito (30 de junho a 3 de julho), Psicologia em Movimento (1 a 3 de julho), Young Enterprise (6 a 10 de julho), Experimenta com Ciência (6 a 10 de julho), Nursing Academy: best way to choose a future (13 a 16 de julho), e ainda várias propostas da Escola das Artes - Oficina de Conservação e Restauro (6 a 8 de julho), Atelier Criativo de Gravação Livre(6 a 8 de julho) e Short Film Project (8 a 10 de julho).

Todas as informações sobre os cursos estão disponíveis no site da Teen Academy.

28-04-2026

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